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Vilarejo de Bento Rodrigues, submerso em lama do desastre da Samarco. Foto: Rogério Alves/TV Senado

Começamos a ver a grandiosidade do desastre do rompimento da barragem de dejetos da mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais, através das imagens de satélite ou filmagens aéreas da Globo, grandes emissoras internacionais, como a BBC e CNN, ou pelas redes sociais.

O susto foi enorme. Não é possível que tenha ocorrido em nosso país, no estado de Minas Gerais.

Veio forte o sentimento: NÃO PODE OCORRER EM LUGAR ALGUM DO PLANETA.

Depois, ouvimos na TV as autoridades. Algumas falaram propriamente sobre a extensão dos danos, como a ministra do Meio Ambiente, ou Marina Silva, que logo rebateu, como é do seu estilo, que “era um desastre ambiental” e não um desastre natural, como a princípio queriam nos fazer crer.

Alguns prefeitos da região partiram para a defesa da mineração e seus empregos, com argumentos tão frágeis que já denotavam total ignorância sobre o assunto.

Mas até uma diretora da empresa, segundo os jornais, chegou a dizer que a lama serviria de adubo para o reflorestamento. Ninguém precisa deste tipo de adubo, com arsênico, chumbo ácido sulfúrico, mercúrio, etc.

Querem ganhar mais dinheiro com a nossa desgraça?

No fim de semana seguinte ao desastre, as principias revistas semanais, como pontuou Reuber Brandão, professor da UNB, não estamparam nas suas capas o maior desastre ambiental que já ocorreu no país. Talvez por falharem em perceber sua extensão e desdobramentos.

Até mesmo o maior fotógrafo brasileiro vivo defendeu com lágrimas nos olhos o trabalho ambiental da Vale, dona de 50% da Samarco. Justo ele que faz em Minas Gerais um trabalho espetacular de recuperação de micro bacias hidrográficas.

QUE JAMAIS UM EVENTO ASSIM SE REPITA NO BRASIL. Aconteceu por falta de ciência, de técnica, de responsabilidade e competência dos responsáveis pela represa de rejeitos que se rompeu e arruinou a bacia do Rio Doce com 60 milhões de litros de lama com rejeitos de mineração.

Limpar o enorme estrago deve ser feito com orientação de cientistas e técnicos no assunto, por gestores competentes, e principalmente honestos. Chega desta lama, metais pesados e areia cobrindo gente, animais, casas, igrejas e impedindo o uso das praias do Estado do Espirito Santo.

Esse desastre trouxe consequências diretas para meio milhão de pessoas que moram nas margens ou próximas ao Rio Doce. Trouxe também vergonha ao povo brasileiro. Fez as autoridades brasileiras chegarem à Conferência do Clima COP21 sob a mancha desta tragédia.

O desastre da Samarco já é história.

Resta saber: servirá para prevenir outros?

 

 

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