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Pesquisa analisa os locais de desova das Tartarugas na Amazônia em praia

Estudo feito pelo Instituto Mamirauá monitorou três espécies de quelônios na região e descobriu quais as preferências das “mães tartarugas no momento da reprodução

Sabrina Rodrigues ·
12 de julho de 2018 · 3 anos atrás
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Ninho de tracajá monitorado pelos pesquisadores do Instituto Mamirauá.

O mês de julho é sinônimo de férias e alegria para muitos humanos, mas para as tartarugas, o sétimo mês do ano representa reprodução. A escolha de um bom lugar para construir o seu ninho é fundamental para o sucesso da fecundação. Pesquisadores do Instituto Mamirauá analisou a preferência e o uso de locais de desova feito por três espécies –Iaças (Podocnemis sextuberculata), Tracajás (Podocnemis unifilis), Tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa) — em uma praia na região do Médio Solimões, estado do Amazonas.

Durante o período de agosto a dezembro de 2016, os pesquisadores percorreram cerca de três quilômetros (sentido leste/oeste) e 500 metros (sentido norte/sul) de extensão da Praia do Horizonte, que é uma faixa de areia na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Os rastros deixados na areia pelas “mães tartarugas” foram pistas para a equipe localizar os pontos de desova. À medida que eram identificados, os pontos foram marcados com placas de metal, para posterior procura com detector de metais e registrados no sistema de posicionamento global (GPS).

O estudo foi assinado pelos pesquisadores do Instituto Mamirauá, Marina Secco e Robinson Botero-Arias, David Guimarães da Universidade Federal do Acre (UFAC), e Cássia Camillo, pesquisadora da Universidade da Flórida.

Foram contabilizados 194 ninhos de iaçás, 11 de ninhos de tracajá e cinco de tartarugas-da-amazônia. O processo também contou com a coleta de amostras de aproximadamente 200 gramas de areia de cada ninho e também de pontos aleatórios na praia. O material foi usado para análises em laboratório e comparações entre a composição de areia em diferentes áreas.

O estudo indica que os locais de desova e os que não tinham ovos tiveram grandes diferenças de altura e presença de areia grossa. As áreas sem ninhos têm altas concentrações de areia fina, representado mais de 80% de toda composição de areia. Os especialistas acreditam que esse seja um dos motivos “pelo qual algumas áreas da praia não havia desova”.

Iaças: ninhos de areia fina e desova em pontos altos

As iaçás concentraram a desova na região central da praia, escolhendo áreas altas, com uma inclinação gradual ao passo que os ninhos ficam mais afastados do rio, no sentido sul-norte. As Podocnemis sextuberculata percorreram grandes distâncias entre a água e os ninhos, em uma média superior a 90 metros.

Iaçás – ninhos de areia fina e desova em pontos altos – Foto: Marina Secco

Tracajás: areia, argila e desova em locais com umidade

Em relação às iaçás, as tracajás fizeram um caminho menor até os pontos de desova, ficando em uma média de 71,1 metros. A localização dos ninhos da espécie demonstrou uma escolha das fêmeas pela zona norte da praia.

As amostras coletadas na região de desova dos tracajás apresentaram uma concentração moderada de argila misturada à areia, o que ajuda a criar “um local adequado para a postura, uma vez que essa espécie prefere depositar seus ovos em locais mais úmidos”, afirma o estudo.

Tracajás preferem pontos com areia, argila e desova em locais com umidade – Foto: Marina Secco.

A escolha dos lugares mais altos para a desova dos ovos de tracajá chamou a atenção dos pesquisadores, pois esse é um comportamento comum da tartaruga-da-amazônia. “Isso pode ser explicado se levado em consideração a distância entre o ninho e a água, uma vez que P. unifilis prefere desovar em locais próximos ao rio e, na praia estudada, havia um corpo d’água próximo às maiores alturas encontradas”, consideram os pesquisadores.

Tartarugas-da-amazônia: areia grossa e menor tempo de incubação

Já a terceira espécie investigada, a tartaruga-da-amazônia, ocupou a porção sul da praia do Horizonte, próximos da água. As alturas dos pontos de desova ficaram entre 4 e 6 metros.

Segundo os pesquisadores, “por apresentarem uma maior fração de areia grossa (0,44%) e menor de argila (2,43%) e se encontrarem em locais altos (os ninhos) possuem um menor tempo de incubação”.

Tartaruga-da-amazônia, uma das espécies estudadas pelo Instituto Mamirauá – Foto: Marina Secco.

 

Os rastros de tartarugas na areia foram pistas para os pesquisadores em busca dos ninhos – Foto: Marina Secco.

 

Ovos de tartaruga tracajá encontrados pelos pesquisadores – Foto: Marina Secco.

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 3

  1. Leonice diz:

    Como se chama o rastro deixadas pelas tartaruga s na areia?


  2. Sabrina Rodrigues diz:

    Prezado, Sr. F.Raeder, os dados da notícia cobrem um ano de conservação comunitária, trabalho de pesquisadores e moradores dessas regiões. Esse projeto do Instituto Mamirauá na praia Horizonte, Reserva Mamirauá, ainda tem mais um ano de validade e aí o estudo geral será publicado.


  3. F.Raeder diz:

    Poderiam disponibilizar o "link" para o artigo/estudo completo? Grato.