Salada Verde

Molusco ameaça acesso a água potável no Nordeste

O crescente número de mexilhões-dourados nas usinas de Sobradinho e Luiz Gonzaga está entupindo as tubulações e acarretando paradas obrigatórias para limpeza

Sabrina Rodrigues ·
5 de dezembro de 2016 · 5 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Mexilhões-dourados. Foto: Wikimedia Commons
Mexilhões-dourados. Foto: Wikimedia Commons

O mexilhão-dourado (Limnoperma fortunei), molusco nativo do sul da Ásia, está causando grande preocupação no Nordeste. É que este molusco, do tamanho de 5 cm, é capaz de se fixar em quase qualquer substrato, entupindo tubulações e invadindo máquinas de usinas hidrelétricas. Há um ano e meio, esses organismos têm se espalhado pelo rio São Francisco, onde estão as usinas de Sobradinho (BA) e Luiz Gonzaga (PE). Estudiosos apontam que na área de Sobradinho, o número de mexilhão-dourado esteja em 40% do máximo de 200 mil indivíduos por metro quadrado, mais do que isso, ele para de se reproduzir por falta de alimento. No ano passado, um alerta foi emitido por pesquisadores informando a gravidade da presença desses organismos nestes locais, dificultando a captação de água. As prefeituras informaram que o molusco ainda não afetou a rede, mas que nos últimos cinco meses foram reforçadas as vistorias para detecção do animal. Entre o final de 2015 e início deste ano, o mexilhão invadiu os adutores de turbinas das seis unidades geradoras de energia, em Sobradinho, acarretando paradas obrigatórias de dois dias a cada três meses para limpeza.

Fonte original: Folha de S. Paulo

  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 1

  1. Cláudio Maretti diz:

    Boa matéria, Duda Menegassi! Equilibrada, correta e necessária. Parabéns e obrigado!

    Ajustes nessas unidades de conservação são necessários desde a sua criação e a necessidade só aumenta quando os ajustes não são aplicados.
    Há estudos e diálogos nesse sentido há tenpos.

    Para ajustes em unidades de conservação é necessário estudos, análise e propostas técnicas, compensação da conservação e diálogo para compor soluções.

    A posição técnica do ICMBio é consistente e adequada.

    A Floresta Nacional de Brasília tem algumas áreas com valor ecológico não tão importante, relativamente, e desde sua criação. Mas há áreas importantes para recuperação e para visitação (ou uso público), como a Área 1, com importante envolvimento da sociedade local e boa história e grande potencial de voluntariado. E há áreas importantes para recuperação, ordenamento da ocupação e proteção dos recursos hídricos, como a Área 4 e grande parte da Área 3. Faz todo sentido mudar a categoria da Reserva Biológica de Contagem para parque nacional, promovendo a conservação com a visitação (ou uso público), de forma integrada com o Parque Nacional de Brasília. Faz todo sentido ampliar a conservação de áreas de maior valor ecológico (inclusive como compensação pela redução de outras áreas).

    Mas é muito importante acompanhar com atenção o processo no Legislativo, pois há vários parlamentares só interessados em especulação imobiliária e populismo com lotes e moradias (como em toda a história do Distrito Federal).