Reportagens

A Islândia retomou sua caça comercial de baleias

O segundo maior animal do mundo, após a baleia azul, ameaçado de extinção, volta a ser abatido para ter a carne vendido ao Japão.

John Vidal ·
21 de junho de 2013 · 8 anos atrás
The Guardian Environment Network
Artigos da rede que reúne os melhores sites ambientais do mundo, selecionados pelo diário inglês The Guardian.
Baleeiros cortam o animal que, provavelmente, será vendido para a carne no Japão.
Baleeiros cortam o animal que, provavelmente, será vendido para a carne no Japão.

A Islândia retomou sua caça comercial de baleias-fin após uma suspensão de 2 anos, abatendo a primeira de uma leva planejada de 180 baleias, cuja carcaça foi trazida para Hvalfjördur. Essa primeira morte gerou protestos de grupos defensores de animais que consideram a caça “cruel e desnecessária”.

Fotos secretas tiradas a bordo do Hvalur 8 pelo Greenpeace mostram a baleia arpoada ser cortada para retirar a carne que deverá ser exportada para o Japão. As baleias-fin (Balaenoptera physalus), também conhecidas como baleia-comum, são o segundo maior animal da Terra, depois da baleia azul, e aparecem na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que corresponde a espécies ameaçadas.

O Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW – International Fund for Animal Warfare) condenou o baleeiro islandês Kristján Loftsson, que retomou a caça às baleias-fin após uma pausa de dois anos. “É um dia triste ver essas imagens e saber que esse animal em extinção sofreu uma morte cruel, apenas para ser retalhado e para retirar uma carne que ninguém precisa”, disse Robbie Marsland, diretor do IFAW do Reino Unido.

“Já é hora dsta indústria acabar. Instamos o governo islandês a ouvir os seus operadores de avistamento de baleias e de turismo e os muitos membros do público, tanto dentro como fora da Islândia, e reconhecer que o abate das baleias não é rentável, mas é desumano. A atividade de avistamento de baleias traz maior benefício para as comunidades costeiras”.

A Islândia paralisou a caça à baleia-fin em 2011 e 2012, em parte porque o Japão, seu maior mercado, estava sofrendo uma crise econômica depois do devastador tsunami que ocorreu em março de 2011. A Islândia abateu 7 baleias-fin em 2006, 125 em 2009 e 148 em 2010.

A empresa de Loftsson, a Hvalur, planeja caçar até 180 baleias na temporada de 2013. A Comissão Baleeira Internacional proibiu a caça comercial, mas a sua autoridade não é reconhecida pela Islândia. Mais de 1 milhão de pessoas de todo o mundo assinaram uma recente petição online contra o comércio de carne de baleia-fin islandesa, em meio a revelações de que algumas delas, no Japão, acabaram misturadas em produtos para alimentação de cães.

“A atividade baleeira é brutal e pertence a uma época passada e não ao século 21”, disse John Sauven, diretor do Greenpeace no Reino Unido. “É profundamente lamentável que um único baleeiro islandês apoiado pelo governo esteja minando a proibição global da caça comercial, que existe para garantir o futuro das baleias do mundo.”

*Esse texto foi publicado originalmente no Guardian através da parceria de ((o))eco com a Guardian Environment Network. Tradução de Eduardo Pegurier.

Leia também

Notícias
11 de maio de 2021

Servidor que relatou ineficiência no Ibama denuncia ameaças feitas por assessor de Salles

Hugo Ferreira foi impedido de copiar documentos do computador onde trabalhava e sofreu ameaças após escrever um relatório para o TCU. Servidor denunciou o ato à corregedoria do Ibama

Salada Verde
11 de maio de 2021

Ministério revela dia e local de operação de fiscalização na Amazônia

Publicação assinada pelo ministro Ricardo Salles autoriza transferência temporária de gabinetes e revela datas e locais de operação conjunta com a Força Nacional

Notícias
10 de maio de 2021

Organizações são contra a votação da lei geral do licenciamento, chamada de ‘boiada das boiadas”

Ascema, ONGs ambientalistas e nove ex-ministros do Meio Ambiente publicaram cartas em repúdio à votação do projeto de lei do licenciamento, que sequer foi tema de audiência pública

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta