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Vítimas do tráfico internacional, sapos endêmicos do Amazônia brasileira retornam ao país

Os sapinhos ponta-de-flecha foram apreendidos nos Estados Unidos em 2018. Dois anos depois, animais voltam ao Brasil sob cuidados do Zoo de São Paulo

Duda Menegassi ·
21 de setembro de 2020
Sapos apreendidos foram enviados ao Zoológico de São Paulo. Foto: Fundação Zoo SP

O tráfico de animais silvestres é um problema internacional que afeta desde grandes predadores, até diminutos e coloridos anfíbios. Na última quarta-feira (16), 21 sapinhos ponta-de-flecha que haviam sido traficados do Brasil pros Estados Unidos e apreendidos no aeroporto de Miami, em 2018, finalmente voltaram ao país. Os sapos foram enviados para Fundação Parque Zoológico de São Paulo, onde receberão os cuidados adequados.

Todos os animais apreendidos correspondem à espécie Adelphobates galactonotus, que faz parte da família dos ponta-de-flecha, que são endêmicos da Amazônia brasileira e liberam toxinas venenosas na sua pele como mecanismo de defesa. Os sapinhos apresentam coloração azul e laranja. São exatamente as suas variadas e vibrantes cores que fazem com que esses diminutos anfíbios do tamanho de um polegar humano sejam tão visados pelo tráfico.

A repatriação dos sapinhos brasileiros foi através de uma cooperação entre o Ibama e a agência americana Fish and Wildlife Service (FSW), responsável pela apreensão no aeroporto de Miami, Flórida, em 2018. Os sapos ficaram sob cuidados das equipes do parque temático do Animal Kingdom, da Disney enquanto corriam as investigações e os processos legais da operação.

De volta ao Brasil, os animais irão para Fundação Zoo São Paulo, onde ficarão de quarentena por 30 a 60 dias para acompanhamento veterinário e adaptação. Depois serão incorporados à população da espécie que já vive no Zoológico e transferidos ao espaço educativo “O Pulo do Sapo”. A Fundação cuida atualmente de 246 espécies de anfíbios de 11 espécies distintas, sendo duas classificadas como ameaçadas de extinção.

 

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