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Richard Rasmussen não ganhará para ser embaixador do Ecoturismo

Embratur afirma que cargo do biólogo e apresentador de 49 anos será apenas simbólico e de caráter voluntário. Apresentador é um velho conhecido do Ibama

Sabrina Rodrigues ·
8 de agosto de 2019 · 2 anos atrás
Richard Rasmussen e Jair Bolsonaro. Foto: Carolina Antunes/PR.

O cargo de embaixador do ecoturismo brasileiro que será exercido pelo biólogo e apresentador do programa “Mundo Selvagem” (canal NatGeo), Richard Rasmussen, é simbólico, afirmou a ((o))eco a assessoria da Empresa Brasileiro do Turismo (Embratur).

A Embratur afirma que Richard Rasmussen, de 49 anos, será o embaixador honorário que exercerá trabalho voluntário para promover o ecoturismo brasileiro. Segundo o Instituto, se trata de uma parceria com a Embratur, mas que não terá nenhum pagamento. Richard participará junto ao instituto de eventos no Brasil e no exterior. O apresentador cederá o seu acervo pessoal com imagens, vídeos, fotografias e pesquisas realizadas por ele.

No dia 2 de agosto, o presidente Jair Bolsonaro anunciou, no twitter, o nome de Richard Rasmussen como embaixador do turismo no Brasil. Rasmussen aceitou o convite e em sua página do Facebook, rebateu as críticas: “Pra quem criticou sem entender o que me moveu a minha vida inteira, posso dizer que me foi dada uma oportunidade, como conhecedor da natureza do Brasil como poucas pessoas para representar meu país em um plano que valoriza nossas florestas e belezas naturais. Já de imediato cedi todas as imagens de natureza e culturas brasileiras captadas por mim nestes últimos 17 anos SEM ÔNUS para o acervo da Embratur e sem qualquer remuneração pela nomeação, antes que digam algo”. 

Ainda na postagem Rasmussen fala sobre a sua experiência e agradece ao governo Bolsonaro: “Nenhum outro governo pensou na minha pessoa. Nenhum outro governo aproveitou-se do meu conhecimento. Sou um cara poliglota que sabe o que está falando neste campo e vou representar dignamente nosso país. O Turismo eco-sustentável protege o meio ambiente e leva riquezas a regiões carentes, valorizando e respeitando as diferenças culturais. Enquanto as pessoas limitam-se a criticar sentadas em suas cadeiras e sofás, eu vou à luta ajudar meu país a crescer. O Brasil é meu país. O Brasil é nosso!” 

Richard Rasmussen é conhecido na tv brasileira pela forma como lida com animais silvestres e conhecido no Ibama por acumular multas ambientais. 

Em 2008, Rasmussen foi multado no valor de R$ 5.500,00 por manter em cativeiro cinco estrelas do mar, cinco ouriços do mar e um ofiúro de espécimes da fauna silvestre brasileira sem origem legal e sem autorização ambiental. Rasmussen apresentou nota fiscal, mas ao verificar na empresa, os fiscais descobriram que a nota era “fria”. 

Em 2015 foi a vez do Criadouro Conservacionista Toca da Tartaruga, pertencente a Rasmussen, ser multada no valor de R$ 393 mil pela presença de animais silvestres sem origem legal comprovada, em uma ação civil de autoria do Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ibama. Richard Rasmussen recorreu da decisão, mas teve o pedido negado. No total eram 223 animais sem origem conhecida, 485 espécies sem marcação, isso sem falar na fuga de 96 aves por motivo de chuvas. Tal fato foi considerado pelo Ministério Público como danos à fauna.

Em 2017, foi a vez de Rasmussen se ver em uma confusão. Um documentário do diretor australiano Mark Grieco divulga imagens de uma reportagem produzida por Richard mostrada em 2014 pelo Fantástico da Rede Globo. As imagens mostram botos vermelhos sendo abatidos para servir de isca na pesca da piracatinga. Richard havia produzido as imagens para convencer autoridades a tomar providências contra a matança dos bichos. Só que no documentário de três anos depois mostrou pescadores afirmando que Rasmussen havia dado dinheiro para que matassem um boto em frente às câmeras. Fato negado pelo biólogo que alegou ter dado combustível e alimentos, como sempre os faz, mas não como forma de pagamento para a matança. Mais tarde, o diretor Mark Grieco saiu em defesa de Rasmussen, negando o ocorrido. 

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 6

  1. Juliana Mattos Bueno diz:

    O fato de ele manter em jaulas/cativeiro 223 animais sem origem conhecida, 485 espécies sem marcação, sem falar na fuga de 96 aves por motivo de chuvas é muito preocupante ainda mais pela enorme quantidade de animais que ele prendeu! Preocupa também o cativeiro cinco estrelas do mar, cinco ouriços do mar e um ofiúro de espécimes da fauna silvestre brasileira sem origem legal e sem autorização ambiental, para os quais ele apresentou notas frias! Da onde ele tirou esses animais, dos matos onde ele vai? NÃO PODE, ANIMAL SILVESTRE TEM QUE ESTAR LIVRE NA NATUREZA a menos pesquisadores façam um estudo e entendam que o animal está em risco de extinção ou que definitivamente nao tenha condições de ser reintroduzido na natureza. De resto é vaidade e exploração, É CRIME!


  2. Aparecido Quesada diz:

    Esse é o sr que fez a farsa da denuncia pagando para que matassem o boto? esse embaixador tem o perfil desse governo atual mesmo, saimos de ladrões para fraudadores de denuncias e notas fiscais , estamos bem


  3. Edward Olímpio diz:

    Richard Rasmussen parabéns. Não liga pros que falam mal de você não, é inveja. Abraços de Edward Olímpio (inscrito de seu canal do YouTube que sempre deixa um comentário).


  4. Carlos Magalhães diz:

    Rasmussen foi uma feliz indicação da Embratur. Tem conhecimento mais que suficiente para representar nosso país.

    As perseguições do IBAMA atestam isso: estrelas do mar, ofiuro, e bla, bla, bla.

    Mas sendo do governo Bolsonaro, claro que O ECO será sempre contra.


    1. MacacoHomem diz:

      Carlos,

      Na sua concepção não importa que o cidadão estava cometendo uma ilegalidade, pois eram apenas estrelas e ofiúros?

      Não importa que "em 2015 foi a vez do Criadouro Conservacionista Toca da Tartaruga, pertencente a Rasmussen, ser multada no valor de R$ 393 mil pela presença de animais silvestres sem origem legal comprovada, em uma ação civil de autoria do Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ibama. Richard Rasmussen recorreu da decisão, mas teve o pedido negado. No total eram 223 animais sem origem conhecida, 485 espécies sem marcação, isso sem falar na fuga de 96 aves por motivo de chuvas. Tal fato foi considerado pelo Ministério Público como danos à fauna".

      Chamar o trabalho de fiscalização do IBAMA de "perseguição" é um argumento sem fundamento e, sobretudo, provas. Ou você as têm?

      Estabelecer o nível de conhecimento suposto por você permite que todos os fatos supracitados sejam deixados de lado para que ele nos represente como homem público no exterior?

      Por fim, concordo em uma única coisa com o senhor: é uma indicação condizente e coerente deste governo, sem sombra de dúvidas.

      Abraços fraternos,


  5. AAI diz:

    E o que era de se esperar desse governo? A indicação de alguém sério e idôneo?
    Nenhuma surpresa! Só mais um na lista!