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Macacos encontrados mortos no Rio de Janeiro podem ter sido envenenados

Quatro corpos foram achados próximos ao Parque Nacional da Tijuca. Enquanto isso, Reserva do Tinguá sente a ausência de macacos-bugio na sua região

Sabrina Rodrigues ·
16 de janeiro de 2018 · 3 anos atrás
Além de quatro macacos encontrados mortos próximos à Floresta Nacional da Tijuca, outras áreas protegidas do estado do Rio de Janeiro também sofrem com o sumiço de macacos. Foto: Peter Schoen/Flickr.
Além de quatro macacos encontrados mortos próximos à Floresta Nacional da Tijuca, outras áreas protegidas do estado do Rio de Janeiro também sofrem com o sumiço de macacos. Foto: Peter Schoen/Flickr.

 

Na segunda-feira (15), quatro macacos-prego foram encontrados mortos na Rua Alves Câmara, entre o Alto da Boa Vista e a Usina, próximo à Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. Os corpos dos animais foram recolhidos pela equipe da Subsecretaria de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde.

Veterinários do Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman fizeram a necropsia dos animais e confirmaram nesta terça-feira (16) que existe uma suspeita de envenenamento. Ainda assim, os veterinários ainda não descartam febre amarela como possível causa e por isso, os corpos foram encaminhados para análise na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Morte de primatas por envenenamento, apedrejamento ou até por tiros são comuns em época de surto de febre amarela por uma associação infundada de que os macacos são os transmissores da doença. Eles não são. São vítimas como os humanos, e como sucumbem mais rápido à doença, são um alerta para a área de saúde de que aquela região está sob o foco da febre amarela. Sem os macacos, é possível que os profissionais de saúde demorassem mais tempo para diagnosticar a doença.

Macacos somem da Reserva Biológica do Tinguá

Localizada a 16 quilômetros do centro de Nova Iguaçu e a pouco mais de 70 km do Rio de Janeiro, a Reserva Biológica Federal do Tinguá está inserida no Corredor de Biodiversidade da Serra do Mar, que é uma das áreas mais ricas em diversidade biológica da Mata Atlântica. Há três meses, um silêncio chama atenção da equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) que administra o local. O canto característico dos macacos-bugios desapareceu das matas da região. Os últimos bugios avistados foi no fim do ano passado.

O silêncio que hoje se impõe é sinal de alerta para pesquisadores, moradores, funcionários da Reserva do Tinguá: indício forte de que a febre amarela está por lá.

Existe uma preocupação de que outras áreas protegidas estejam sofrendo com a perda da população de macacos-bugios como a Reserva Ecológica de Guapiaçu, em Cachoeira de Macacu e o Parque Estadual dos Três Picos, também em Macacu e que abrange os municípios de Nova Friburgo, Silva Jardim e Teresópolis, locais que já apresentaram casos de suspeita de febre amarela em humanos.

*Ao contrário do que afirmamos, os macacos mortos na Tijuca eram macacos-prego e não bugios. Agradecemos à leitora Luisa por nos avisar. Editado às 13h25 de 08/02/2018.

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  • Sabrina Rodrigues

    Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 4

  1. AvatarLuisa diz:

    Não foram bugios!!!!! Foram macaco prego!!


  2. AvatarFrançois C.de Paiva diz:

    Pela foto divulgada na ,idia pareciam Pregos


  3. AvatarSergio Maia Vaz diz:

    Toda essa celeuma à respeito da febre amarela no estado do Rio de Janeiro, reflete a falta de conhecimento de muitas pessoas e a irresponsabilidade das autoridades para um problema que já existe há muitos anos. Na morte de uma pessoa em Teresópolis, pude observar a declaração de uma autoridade ligada a Secretaria Municipal de Saúde que o referido município nunca teve casos de febre amarela. Se ela, como muitas pessoas tivessem o interesse em examinar antigos estudos produzidos pelo Ministério da Educação e Saúde, em cooperação com a Fundação Rockefeller, iniciados a partir da década de 1930, verificaria que não só Teresópolis (fazenda Boa Fé, granja Comari), mas também em Mangaratiba, Angra dos Reis,Três Rios, e o Rio de Janeiro (Gávea) e outros locais, houve constatação da febre amarela silvestre e até casos fatais associados a ela. Naquela época, não só havia preocupação na descoberta de uma vacina, mas também em se localizar os possíveis vertebrados silvestres que pudessem ser hospedeiros do vírus. Milhares de macacos foram capturados, bem como outros mamíferos. para testes de imunidade. A maior parte desses espécimes estão hoje guardados no Museu Nacional/UFRJ.
    Infelizmente, com a descoberta da vacina, houve uma acomodação das autoridades e as pesquisas envolvendo estudos de imunidade, principalmente com primatas, foram abandonados, apesar do vetor da transmissão continuar existindo nos mesmos locais onde foram detectados no passado.
    Agora o que se constata é que os macacos são os vilões da história. Os pobres animais estão sendo perseguidos, apedrejados, envenenados, levados á quase extinção por causa da irresponsabilidade humana que, apesar de ter conhecimento que o estado do Rio de Janeiro foi local de ocorrência de febre amarela, não se preocupou em manter um calendário de vacinação objetivando proteger a população dessa doença.


  4. AvatarFabio diz:

    Esses foram os bugios reintroduzidos na Tijuca?