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Japão e Canadá definem metas mais ambiciosas de redução de emissões

O país asiático aumentou a meta de redução para 46% até 2030, já o Canadá assumiu o compromisso de reduzir entre 40 e 45% das suas emissões até 2030

Duda Menegassi ·
22 de abril de 2021
Acordo de Paris
Notícias sobre os acordos climáticos de Paris.
O primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga anunciou a meta de reduzir emissões em 46% até 2030. Foto: Pascal Bitz/World Economic Forum

No primeiro dia da Cúpula do Clima, organizada pelos Estados Unidos e considerada uma prévia da COP26, que será em novembro na Escócia, três potências mundiais anunciaram metas mais ambiciosas de corte de emissões de gases de efeito estufa. Além do próprio anfitrião, que declarou que os EUA irão cortar pela metade suas emissões até 2030, Japão e Canadá – respectivamente a 3ª e 9ª maiores economias do mundo – também anunciaram metas mais ambiciosas do que as estabelecidas originalmente no Acordo de Paris.

O primeiro-ministro japonês Yoshihide Suga anunciou, horas antes do início da Cúpula, que o país asiático elevaria sua meta de redução de emissões para 46% até 2030, contra os 26% previstos anteriormente. Atualmente, o Japão é o quinto maior emissor de carbono do mundo.

Já o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou que o país passa a ter como objetivo reduzir suas emissões entre 40 e 45% até 2030, contra uma meta anterior de 30%.

Ambos os países se comprometeram também a alcançar a neutralidade climática, ou seja, zerar suas emissões líquidas de gases de efeito estufa, até 2050.

Nos bastidores das negociações sobre o clima, fala-se que o presidente norte-americano queria que ainda mais países assumissem novos e mais ambiciosos compromissos climáticos. A reunião entre os líderes é um termômetro para a COP26, a Conferência das Partes sobre o Clima que ocorrerá em Glasgow, na Escócia, em novembro deste ano. A expectativa é de que até lá outras nações estejam preparadas para compromissos mais ambiciosos.

O Acordo de Paris, assinado em 2015 por 195 países, estabeleceu objetivos de redução de emissões para cada uma das nações, mas a própria ONU alertou em 2019 que mesmo que todos os países cumprissem suas metas, não seriam capazes de frear o aquecimento do planeta e mantê-lo abaixo dos 2 graus Celsius (já considerado um limiar perigoso) até o final do século. Segundo cientistas da ONU, as metas estabelecidas em 2015 permitiriam que o planeta esquentasse mais de 3 graus Celsius.

A União Europeia (UE) e o Reino Unido foram os blocos que lideraram o movimento por metas mais combativas de corte de emissões. Em dezembro de 2020, a UE anunciou que seu objetivo passou de uma redução de 40% para “pelo menos 55%” até 2030. Já o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou nesta terça-feira (20) a nova e ambiciosa meta de cortar suas emissões em 78% até 2035.

Em sua conta no Twitter, John Kerry, Enviado Especial para o Clima dos Estados Unidos, afirmou que “com as novas metas de 2030 NDC [Contribuição Nacionalmente Determinada] dos EUA, Japão e Canadá, combinadas com uma forte ação da UE e do Reino Unido, as principais economias, responsáveis ​​por mais da metade da economia mundial, agora se comprometeram com o ritmo de reduções de emissões exigidas globalmente para limitar o aquecimento a 1,5 ° Celsius”.

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  • Duda Menegassi

    Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação e montanhismo. Escreve para ((o))eco desde 2012. Autora do livr...

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