Download PDF

Pulverização aérea de agrotóxico em plantação. Foto: Pixabay.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou no Diário Oficial da União desta segunda-feira (24) o registro de 42 novos agrotóxicos. Com isso, eles passam a ter a comercialização permitida no Brasil. Desde o início do ano, já são 239 novas autorizações, o equivalente a 1,3 registros por dia.

Dos 42 produtos registrados nesta segunda-feira, 14 são extremamente tóxicos à saúde humana, 4 altamente tóxicos, 16 medianamente tóxicos e 8 pouco tóxicos. Em relação aos riscos ao meio ambiente, um deles é altamente perigoso ao meio ambiente, 22 são muito perigosos ao meio ambiente, 17 são perigosos ao meio ambiente e 2 são pouco perigosos ao meio ambiente.

Chama a atenção que, dos 42 novos registros, 17 têm como base princípios ativos cujo uso é proibido em todos os países da União Europeia. São eles os herbicidas Tebutiurom, Hexazinona, Atrazina e Ametrina, além dos inseticidas Tiodicarbe e Novalurom. A lista inclui ainda dois novos produtos à base de Glifosato, produto associado a casos de câncer nos Estados Unidos, e o dois novos produtos à base de 2,4-D, um herbicida muito usado nas lavouras de soja e que vem causando prejuízos aos vitivinicultores do Rio Grande do Sul.

Com a exceção de um deles, todos os outros agrotóxicos da lista são genéricos de produtos já vendidos no Brasil. Ou seja, ingredientes antigos que passam a ser vendidos sob novas marcas comerciais. A exceção fica por conta do herbicida Florpirauxifen-benzil, inédito no Brasil. Segundo nota do Mapa, "o produto formulado à base deste novo herbicida, que no futuro poderá ser utilizado para o controle de plantas daninhas na cultura do arroz, ainda está em fase final de análise nos órgãos federais envolvidos, com previsão de finalização para as próximas semanas". Ainda segundo a nota, este ingrediente ativo ganhou o prêmio de química verde em 2018, e será uma alternativa de menor toxicidade do que os herbicidas disponíveis hoje no mercado. O Florpirauxifen-benzil foi classificado pela Anvisa como medianamente tóxico para a saúde humana e classificado pelo Ibama como perigoso ao meio ambiente. Seu registro ainda está em análise na União Europeia.

Segundo o Mapa, este foi o primeiro novo princípio ativo a ser registrado no Brasil em 2019. Na verdade, isso já havia acontecido em 9 de janeiro com o registro do inseticida Sulfoxaflor. Mas apesar de ter sido oficialmente registrado no governo Bolsonaro, a aprovação ocorreu ainda na gestão de Michel Temer.

O Mapa afirma que o objetivo de autorizar a venda de genéricos é aumentar a competição e reduzir o preço dos agrotóxicos para os produtores rurais. Ao mesmo tempo, a atitude contraria o discurso de setores do agronegócio que defendem a entrada de moléculas mais modernas no Brasil, pois estas seriam menos tóxicas que as moléculas antigas.

Errata:

Em 7 de abril de 2019 ((o))eco errou ao afirmar que "no caso dos registros publicados neste ano pelo Mapa, apenas 2 se referem a princípios ativos novos". Dos dois princípios ativos referidos como novos na matéria, Cloridrato de Cartape e Sulfoxaflor, apenas o último era realmente inédito no Brasil.

 

 

Leia Também 

Governo registra mais três agrotóxicos associados à mortandade de abelhas

Brasil registra mais de um agrotóxico por dia em 2019

Deputados querem retirar Anvisa e Ibama da avaliação de agrotóxicos