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Estudos genéticos revelam os maiores traficantes de marfim da África

Pesquisadores trabalham em colaboração com autoridades, para buscar evidências que ajudem a combater o tráfico, responsável pela morte de milhares de elefantes todos os anos

Vandré Fonseca ·
23 de setembro de 2018 · 3 anos atrás
Elefantes africanos entrelaçando as presas, no Parque Nacional Amboseli, Quênia. Foto: @Art Wolfe/Art Wolfe Inc.

Análises genéticas, combinadas com informações sobre o comércio ilegal e origens do produto permitiram que uma equipe internacional de pesquisadores identificasse três cartéis, que às vezes atuam juntos, como os principais responsáveis pelo contrabando de marfim retirado de elefantes africanos. A conclusão está em um artigo publicado esta semana na Science Advances, por pesquisadores liderados por Samuel K. Wasser, da Universidade de Washington.

Foram analisadas informações genéticas obtidas em 38 grandes apreensões, ocorridas entre 2006 e 2015, incluindo os ossos de 10 elefantes mortos em uma caçada feita com helicópteros em 2010, na República Democrática do Congo. Eles encontraram compatibilidade em 26 das amostras coletadas.

As informações serviram para identificar os principais responsáveis pela venda ilegal do produto durante o pico de atividade dos contrabandistas, entre 2011 e 2014. Para os autores, as descobertas esclarecem também tamanho, interconexão e locais de atuação desses cartéis.

O método de análise já havia sido desenvolvido e apresentado por Wasser há três anos, em um artigo publicado na Sciences, para identificar a origem de presas apreendidas. Na época, ele esperava que as informações pudessem ajudar a impedir a venda ilegal de presas de elefantes. Porém, saber de onde elas vinham não foi suficiente para evitar a matança de elefantes. O insucesso dos pesquisadores se deve em parte à facilidade com que o marfim é contrabandeado para fora da África.

Mas os pesquisadores acreditam que as novas informações possam contribuir para a punição dos contrabandistas, ajudando a identificá-los e revelar provas que possam ser usadas contra eles. Wasser e seus colegas colaboram com o Departamento de Segurança Interna dos EUA, que trabalha com governos estrangeiros para capturar os traficantes.

Eles acreditam que poderá ser possível vincular os cartéis a apreensões do produto feitas na África ou em outros continentes, contribuindo para a estratégia de processar os responsáveis pelo tráfico por crime financeiro, levando inclusive ao confisco de dinheiro. De acordo com os responsáveis pelos estudos, o contrabando de marfim é responsável pela morte de 40 mil elefantes por ano na África.

 

Saiba Mais

Artigo: Combating transnational organized crime by linking multiple large ivory seizures to the same deale.

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