
Um mapa com informações de diferentes regiões para ajudar na conservação dos botos da Amazônia é a proposta da plataforma digital Botos Amazônicos. Resultado do trabalho de um grupo de especialistas da ‘Iniciativa Golfinhos de Rio da América do Sul’ (SARDI, sigla em inglês), a ferramenta disponibiliza dados relacionados às espécies de golfinhos, como distribuição geográfica, estimativas populacionais, ameaças e barreiras naturais.
O grupo, formado por cientistas de 5 países da América do Sul, fez levantamentos de informações importantes sobre botos durante expedições realizadas nos rios Amazonas e Tocantins-Araguaia, no Brasil, e Orinoco, na Colômbia. No total, os estudiosos, apoiados pela WWF Brasil, percorreram cerca de 47 mil quilômetros para obter os dados utilizados no sistema virtual.
Com uma lógica parecida com o Google Mapas, o Bota Amazônicas permite que o internauta passeie em um mapa virtual, que pode ser ampliado, para encontrar os dados que precisar. Há ainda disponíveis na plataforma camadas que facilitam a busca por categorias de informações específicas. Esses filtros podem ser combinados para que o usuário tenha resultados mais específicos sobre os botos.
A contaminação por mercúrio usado no garimpo ilegal e a caça para utilização de suas carnes como isca na pesca da piracatinga são as maiores ameaças desses animais.
Responsável por compilar os dados da pesquisa, a doutora em Ecologia e pesquisadora do Instituto Aqualie Mariana Frias acredita que a ferramenta é uma facilitadora no planejamento de ações para a conservação dos botos. “Conseguimos ver, por exemplo, onde estão os maiores grupos populacionais e onde estão as Unidades de Conservação. Com isso, temos uma ferramenta de manejo muito eficiente que pode servir para influenciar e pressionar autoridades”, avalia Mariana.
A plataforma tem acesso gratuito e está disponível em inglês. Apesar de versões em português e espanhol estarem em desenvolvimento, o Boto Amazônicos oferece uma página com as principais informações em português.
O analista de conservação do WWF-Brasil, Marcelo Oliveira, ressaltou que o maior alcance das informações em nível global foi o fator fundamental para a primeira versão do sistema estar na língua inglesa. “Nosso objetivo foi de que o maior número de pessoas, no mundo todo, pudesse ter acesso às valiosas informações que foram reunidas nesta ferramenta. Mas para não deixar o público latino-americano sem acesso a essas informações, produzimos também o storymap”, explica.
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