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Momento da Captura. Foto: Fabiano Peppes/Projeto Albatroz.

O momento em que barcos pesqueiros soltam os espinhéis de superfície, extensas cabos de nylon com até 80 quilômetros onde estão presas linhas secundárias com anzóis, é crítico para as aves. Enquanto moluscos ou peixes usados como iscas não afundam, despertam o instinto de petréis e albatrozes, aves que mergulham em busca de alimentos e são mortalmente fisgadas na armadilha.

Segundo informações do Projeto Albatroz, que atua na proteção de aves marinhas, a doze metros de profundidade os anzóis já estão em uma profundidade segura para as aves, mas enquanto estão perto da superfície, o perigo continua. O equipamento testado pelo Projeto Albatroz no Brasil e que já está disponível para pescadores, o hookpod, serve para proteger o anzol e isca neste ameaçador trajeto.

O dispositivo protege isca e anzol até que atinjam uma profundidade de 10 metros, quando eles se abrem sob pressão da coluna d’água. Mas já existe um modelo que abre a 20 metros de profundidade, que ajuda a proteger também tartarugas marinhas, outra vítima da lucrativa pesca de atuns, mecas (espadartes) ou cações, quando os barcos estão soltando o espinhel.

Pescador usando o Hookpod. Foto: Dimas Gianuca/Projeto Albatroz.

Testes realizados no Brasil, África do Sul e Austrália demonstraram que de 25 aves capturadas por acidente, apenas uma foi fisgada usando o equipamento. Ainda assim, segundo informações do projeto, o dispositivo não havia sido colocado de maneira correta pelo pescador. Além disso, os testes demonstraram aceitação por parte dos pescadores.

“Não interfere na captura do pescado”, afirma a coordenadora-geral do Projeto Albatroz Tatiana Neves. “A pesca ocorre entre 60 a 100 metros de profundidade, geralmente em torno dos 80 metros, dependendo do estilo do pescador e da espécie que ele objetiva”, completa.

Para amenizar esse problema, o Brasil já adota, desde 2015, três medidas para proteger as aves marinhas durante a pescaria, que devem ser obedecidas entre o litoral do Espírito Santo (20º de latitude Sul) e o extremo sul do país: os espinhéis devem ser soltos à noite; os barcos deve carregar linhas com até 130 metros de comprimento com fitas coloridas, as chamadas torilines, para espantar as aves; e uma distância regulamentada entre os pesos colocados na linha e os anzóis.

O preço, US$ 13,00 (cerca de R$ 50,00), segundo informações o Projeto Albatroz, diminui os custos da pesca. Com 45 gramas de peso, podem substituir pesos nas linhas colocados a um metro dos anzóis, como prevê a legislação brasileira. Além disso, ele vem com uma fonte luminosa, que substitui luzes usadas por pescadores nos anzóis para chamar a atenção de pequenos peixes, que atraem os grandes.

“Alguns usam um lightstick, um bastão plástico com um químico dentro, que quebra para produzir luminescência, mas é poluente”, explica o coordenador científico do Projeto Albatroz, Dimas Gianuca. “O hookpod é atrativo e evita o uso de bateria e descarte de plástico no mar”.

Observador de Bordo do Projeto Albatroz. Foto: Dimas Gianuca.

Gianuca explica que existem versões com ou sem luz e outro modelo já está sendo produzido, mas que não passou pelos testes, o hookpod mini, que além de menor e mais barato (US$ 6,00 ou R$ 23,00), por não ter fonte de luz, se abre a 20 metros de profundidade. Além de ser ainda mais seguro, ajuda a proteger também tartarugas-marinhas.

Segundo informações do Projeto Albatroz, 4 mil aves morrem todos os anos devido a captura incidental em pesca de espinhel no Brasil.

Os grandes albatrozes podem ter mais de 3 metros de envergadura, e os petréis, chegam a quase 1,5 metros de envergadura. As seis espécies de albatroz encontradas no Brasil estão ameaçadas, pelos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), sendo que duas são consideradas “em perigo”.

 

Saiba Mais:

Projeto Albatroz

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