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Desmatamento no Cerrado é o menor já registrado

A derrubada de florestas no bioma em 2018 foi a menor desde 2001, quando começa a série histórica divulgada pelo governo federal.

Vandré Fonseca ·
11 de dezembro de 2018 · 3 anos atrás
Fazenda em Matopiba. onde o Ibama autuou 77 imóveis com irregularidades ambientais em maio. Foto: Ibama.

O país conseguiu reduzir o desmatamento no Cerrado em 11% este ano em relação ao ano passado e registrou a menor taxa da série histórica, que começa em 2001. Os dados são do Prodes Cerrado, projeto que monitora a derrubada da vegetação nativa no bioma, e foram divulgados nesta terça-feira pelos ministérios do Meio Ambiente (MMA) e da Ciência, Tecnologia, Informação e Comunicações (MCTIC).

O desmatamento observado no Cerrado em 2018 é 33% menor do que o mapeado em 2010, ano em que foi iniciado pelo Governo Federal o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado).

Entre agosto de 2017 e julho de 2018, foram desmatados 6.657 km² de cerrados, uma área maior do que a do Distrito Federal, que tem 5.802 km². No ano passado, o desmatamento havia sido de 7.474 km2. O melhor resultado havia sido registrado em 2016, quando foram perdidos 6.777 km2 de vegetação nativa no cerrado.

Em nota conjunta, os dois ministérios destacaram que os números indicam uma redução de 33% em relação a 2010, quando foi iniciado pelo governo federal, ainda no governo Lula, o Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado).

Fonte: Inpe/Prodes Cerrado 2018 (organizado pelo MMA).
Observação: Como desmatamento considera-se a supressão total da vegetação nativa, incluindo as diversas formações.

Desmatamento ainda preocupa

Mas para o WWF-Brasil o desmatamento na região ainda é preocupante. Em material distribuído pela assessoria da imprensa, a organização não-governamental pede que o governo informe na divulgação dos dados o quanto deste desmatamento é ilegal ou legal.

“Os dados anuais não só mensuram a taxa de perda de vegetação, mas são fundamentais para também entender a dinâmica do desmatamento e propiciar ações mais assertivas no seu controle”, afirmou o diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic, por meio da assessoria de Imprensa. “Dar visibilidade e transparência à série histórica permite que outros atores também atuem, como o setor do agronegócio”, completou.

O Prodes Cerrado identifica a remoção completa da vegetação nativa em áreas acima de 1 hectare (0,01 km2). O projeto, que iniciou o monitoramento da Amazônia, vem sendo expandido para outros biomas. Até 2020, deverá ser utilizado para avaliar a derrubada de vegetação em todo o país.

O Cerrado se estende por cerca de 2 milhões de km2, o equivalente a 23% do território nacional, e abrange áreas de 11 estados e Distrito Federal. O Código Florestal permite que entre 65% e 80% da vegetação nativa em áreas privadas sejam removidas. Na Amazônia, esse percentual é normalmente de apenas 20%.

Além da possibilidade de desmatar áreas maiores, para o WWF-Brasil a prorrogação do prazo para registro de propriedades no Cadastro Ambiental Rural (CAR) tem prejudicado a exigência de proteção de áreas de preservação permanente (APPs) e de reservas legais.

“Nós temos elementos de sobra para reforçar a importância e a urgência de proteger o Cerrado. Mesmo que o Código Florestal deixe o bioma em segundo plano, nem mesmo ele é cumprido, a exemplo do observado no Mato Grosso, onde 98% do desmatamento do Cerrado, entre 2016 e 2017, foi ilegal”, destacou o  especialista em políticas públicas do WWF-Brasil, Frederico Machado.

 

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Comentários 3

  1. George diz:

    Desmatamento requer investimento. O que diminuiu a derrubada foi a crise. Mas claro que o governo e certas ONGs de capital, raramente avistadas em campo, vão dizer que foi graças aos planos e reuniões que realizaram.

    Aqui vai um segredo para os novatos na área: o desmatamento no Brasil é inversamente proporcional ao preço do combustível. É assim desde os tempos da BR-364.


  2. George diz:

    Desmatamento requer investimento. O que diminuiu a derrubada foi a crise. Mas claro que o governo e certas ONGs de capital,raramente avistadas em campo,v


  3. Alexandre diz:

    Será porque já não há quase mais nada a desmatar?