“De Olho nos Ruralistas”: uma iniciativa para pôr o agronegócio nas manchetes

Duda Menegassi
domingo, 22 maio 2016 18:30
Deputados comemoram mudança no Código Florestal, em abril de 2012. Grande vitória ruralista. Foto: J.Batista/Câmara dos Deputados.
Deputados comemoram mudança no Código Florestal, em abril de 2012. Grande vitória ruralista. Foto: J.Batista/Câmara dos Deputados.

Mostrar o Brasil agrário que se esconde longe das manchetes dos jornais e tem a força da bancada mais representativa do Congresso, a dos ruralistas, essa é a proposta ambiciosa do “De Olho nos Ruralistas”. O projeto de jornalismo independente prevê a realização de uma webTV e de um site com a missão de falar sobre a questão agrária, seus impactos sociais e ambientais, e denunciar o que a grande mídia não tem interesse em divulgar.

Para sair do papel, a iniciativa lançou uma campanha de financiamento coletivo através do site Outras Palavras São Outros Quinhentos. A meta mínima é de 72 mil reais, suficiente para cobrir os custos de um programa quinzenal para webTV até janeiro de 2017 e a manutenção do site, com o pagamento da equipe. Também está planejada nas despesas uma oficina, em dezembro deste ano, sobre imprensa e questão agrária. O prazo final para obter as colaborações é dia 20 de julho.

O projeto se divide em quatro eixos principais: “De Olho na Comida”, para discutir agrotóxicos, alimentos orgânicos e tudo o que vai para a mesa do brasileiro; “De Olho nos Conflitos”, para analisar a reforma agrária e o enfrentamento aos camponeses e indígenas; “De Olho no Ambiente”, para denunciar a destruição dos biomas e uso inconsciente dos recursos naturais; e “De Olho no Agronegócio”, para debater o lobby econômico e político das empresas e a interface com o Congresso Nacional.

Um dos repórteres que integram o grupo, Alceu Castilho pontua que “observar o agronegócio, em um país como o Brasil, significa fiscalizar um dos pilares do atraso. Seja em seu formato supostamente moderno, na verdade extremamente predador (para os biomas, para as águas), seja pela resistência de formas arcaicas, os latifúndios desmatadores, exploradores de mão de obra, incompatíveis com o exercício pleno de uma cidadania no campo. A grande imprensa não questionará esse modelo porque faz parte dele. Por isso a necessidade de uma iniciativa independente, focada na fiscalização do poder político e econômico do agronegócio e na defesa de direitos humanos, sociais e ambientais – na ideia de uma verdadeira democracia no campo e de uma apropriação sustentável dos recursos naturais.”

O projeto tem o apoio da TV Drone e do site Outras Palavras. Assista o vídeo produzido pela iniciativa “De Olho nos Ruralistas”:

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13 comentários em ““De Olho nos Ruralistas”: uma iniciativa para pôr o agronegócio nas manchetes”

    • Em uma democracia respeitadora dos direitos humanos, o modo operacional de alguns não pode ameaçar a vida e a integridade de outros, sejam estes outros uma minoria atingida diretamente, ou a sociedade brasileira e o mundo como um todo, indiretamente.

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  1. Matéria preconceituosa, ideologicamente atrasada e sobretudo denotando total desconhecimento dos fatos. Dizer que “observar o agronegócio, em um país como o Brasil, significa fiscalizar um dos pilares do atraso", demostra uma ignorância total de fatos e dados.

    Os ruralistas e o agronegócio carregam o Brasil nas costas, apesar do governo e da banda podre (não são todos, evidentemente) do ambientalismo ideológico, radical, arrogante e muito, muito atrasado.

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    • Por isso este país ainda é um país medieval. Se coloca a economia e o privilégio de meia dúzia à frente do bem estar dos cidadãos e da sociedade como um todo. Degradar o meio ambiente, infringir leis, escravizar e assassinar não são direitos, são atrocidades, que esta elite de um modo geral pratica sem ser incomodada, e agora, retalha a Constituição para fazer destes, atos ordinários e legais. Isto é humanidade?

      Tanto se fala que apesar da Dilma ter sido eleita pela maioria, ela foi democraticamente afastada. Por que não se discute o afastamento desta bancada, que comprovadamente corrói a sociedade brasileira. E não adianta vir dizer que eles alimentam o Brasil, porque NÃO É VERDADE. A bancada ruralista produz Commodities, para vender ao exterior e encher a balança comercial e seus bolsos. Este dinheiro fica com eles e com o caixa da União. Para onde esse dinheiro vai depois, ninguém sabe.

      E duvido muito que vá para o investimento no ensino público, na saúde, para investir em transporte público, etc. Quem alimenta o país são os milhões de pequenos agricultores, que vendem seus alimentos localmente. Sua alface não vem dos ruralistas, seu feijão com arroz, não vem dos ruralistas, sua couve, cenoura, seu brócolis, sua acelga… não vem da bancada ruralista. Os ruralistas, só produzem soja e soltam seus 200 milhões de bois dentro de Unidades de Conservação para pastar e destruir criminosamente a UC e depois vêm com o discurso de que a UC pertence a ele porque o boi dele estava na UC. Sem falar nos incentivos financeiros milhonários que estes recebem do governo, aliás, deles mesmos. São usurpadores do patrimônio monetário e degradadores do patrimônio social e ambiental. Enquanto isso, os outros reles 95% da população brasileira se acotovela para ter o básico em casa, sendo qua alguns desinformados ainda defendem estes seres execráveis como se estes fossem os heróis da pátria, SQN.

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      • Péssimo dia pra saber ler. Coloca todo mundo dentro do mesmo barco, como se todos escravizassem, assassinassem, etc. Por isso que o Brasil está desse jeito. Esse pensamento de esquerda doutrinado desde criança dá nesse tipo de coisa, gente que acha que "existe almoço grátis", que o dinheiro que o governo toma das pessoas(e dos ruralistas), não vai pra canto nenhum. É sempre assim, vcs ambientalistas são autoritários, querem impor o que as pessoas pensam, comem, vestem, não deixam ninguém pensar de modo individual, somente como manadas.

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        • Quando disse o que disse acima, me referi aos ruralistas da bancada do agronegócio, representantes do legislativo federal, que criaram e aprovaram o maior retrocesso nas leis ambientais do país, fragilizando-as, além de fragilizar também agora as leis trabalhistas, que protegem os menos afortunados. De modo algum generalizei. Ruralistas não são sinônimo de produtores rurais, são uma classe político-econômica privilegiada que luta para manter seus privilégios e conseguir cada vez mais benefícios, às custas da democracia e dos direitos humanos da maioria do povo brasileiro.
          Péssimo dia é todo dia em que estas minorias, como quilombolas, nativos brasileiros, vulgo índios, e pobres, estes últimos, que no governo PT, apesar de tudo, conseguiram ascensão social, continuam sendo empurrados às margens da sociedade pela elite privilegiada. Péssimo dia para eles, que estão tendo seus direitos trabalhistas rasgados, com a desculpa esfarrapada de que trazem prejuízo à economia.
          Aliás, esse discurso economicista foi o mesmo que embasou as guerras mundiais, que mata milhões de fome no mundo, que levou genocidas, como Hitler, ao poder e que põe o interesse dos grandes capitalistas acima de mais de 90% da humanidade. Graças a estas pragas, o mundo moderno é mais desigual do que nunca. E pra piorar, eles ainda usam da mídia, da qual são donos para enfiar na cabeça da classe média, que a economia deve ser salva, e que a culpa da economia estar ruim é da classe trabalhadora.
          Somos formigas em meio a gigantes genocidas e acumuladores de Capital, porém basta nos unirmos em prol do bem estar de todos os brasileiros para fortalecer o nosso povo. Agora, servir ao Capital externo e aos seus lacaios destruidores da democracia e do bem estar da população brasileira, é pagar de otário, e reverberar ao infinito aquele velho complexo de vira-lata, que o governo federal do PT, com todos os seus defeitos, trabalhou exaustivamente para reduzir a pó.

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  2. Reforma agraria já! fim dos latifundios . por uma agricultura organica. O resto é conversa fiada de quem nada entende da questão agraria ( e capital).

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