Notícias

Macuquinho-preto-baiano: Descoberto e ao mesmo tempo ameaçado

Após vinte anos dos primeiros registros, nova espécie de passarinho é reconhecida. Ela vive numa diminuta porção de Mata Atlântica.

Vandré Fonseca ·
25 de setembro de 2014 · 7 anos atrás

Pesquisadores estimam que existam menos de 3 mil indivíduos da espécie, que vive em uma área montanhosa da Mata Atlântica, na Bahia. Foto:
Pesquisadores estimam que existam menos de 3 mil indivíduos da espécie, que vive em uma área montanhosa da Mata Atlântica, na Bahia. Foto:

Esta não é uma história exclusiva de espécies da Mata Atlântica, mas o bioma mais desmatado do país é palco com frequência de crônica semelhante: passar de espécie desconhecida à ameaçada, após a publicação de apenas um artigo científico. E em agosto o macuquinho-preto-baiano (Scytalopus gonzagai) fez essa dupla estreia nos registros da ciência.

Ele é um passarinho com apenas 12 centímetros de comprimento e coloração predominante escura. Difere de outros macuquinhos pelo ritmo de canto mais forte e tipos de vocalização. Sua descrição foi publicada na revista The Auk, publicação científica da União dos Ornitólogos Americanos.

“O macuquinho-preto-baiano difere dos seus parentes também por tamanho e coloração, o que é um fato notável para o gênero”, conta Marcos Ricardo Bornschein, ecólogo da Universidade Federal do Paraná e do Instituto de Pesquisas Ambientais de Curitiba, e um dos autores da descrição da ave. Ele explica que essas diferenças são incomuns entre espécies do gênero Scytalopus, as quais costumam ser muito parecidas, com variações apenas genéticas e na forma de cantar.

Apesar do reconhecimento científico recente, a história da descoberta do macuquinho-preto-baiano começou há mais de 20 anos, em 1993, quando foram feitas as primeiras coletas e gravações de vozes da espécies. Porém, os pesquisadores acreditavam que se tratava do macuquinho-preto comum, que vive no Sul e Sudeste do país. Os registros só começaram a ser estudados sistematicamente a partir de 2004.

“Ao longo do estudo percebemos que se tratava de uma nova ave do gênero Scytalopus”, diz o autor principal do artigo, Giovanni Nachtigall Maurício, professor do curso de Gestão Ambiental da Universidade Federal de Pelotas (RS). Estes estudos culminaram com uma expedição em 2006, que teve apoio do Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

O macuquinho-preto-baiano só é encontrado em um trecho montanhoso do litoral baiano, numa área de quase 6 mil hectares de Mata Atlântica. A estimativa dos pesquisadores é que existam menos de três mil indivíduos, número considerado baixo para aves, o que já o coloca dentro da categoria de espécies ameaçadas de extinção.

 

 

Leia também
Parauacu: estudo descreve cinco novas espécies destes primatas
Cientistas apontam provável extinção de três aves nordestinas
Um tropeiro de bico amarelo e sob ameaça de desaparecer

 

 

 

Leia também

Notícias
23 de setembro de 2021

Sociedade civil repudia propostas antiambientais da Economia

Planos de Paulo Guedes e setor empresarial para o meio ambiente estão sendo analisados pelo Ibama, que tem até dia 30 de setembro para responder

Reportagens
23 de setembro de 2021

Ilegal, desmate autorizado pelo governo da Bahia é maior que a cidade do Recife

Área compõe latifúndio considerado um dos maiores casos de grilagem do país. Titulação do território tradicional das comunidades geraizeiras do Cerrado é fundamental para conter a devastação

Reportagens
22 de setembro de 2021

Mudança climática deve alterar o funcionamento de comunidades de microrganismos marinhos, aponta estudo

Grupo de pesquisadores de várias partes do mundo concluiu que o plâncton do planeta se organiza em consórcios microbianos, em que uma espécie depende da outra para viver

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta