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Remoção de rodovias urbanas é tendência ecológica mundial

Preocupados com meio ambiente, cidades de todo mundo têm substituído pistas de alta velocidade por parques e sistemas de transporte coletivo

Redação ((o))eco ·
13 de junho de 2013 · 8 anos atrás

Em todo o planeta, rodovias de alta velocidade em regiões centrais das cidades têm sido gradualmente desativadas e substituídas por alternativas não só mais eficientes, mas também mais ecológicas. É o que aponta o estudo “Vida & Morte das Rodovias Urbanas”, cuja versão em português foi apresentada na semana passada pelo Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento (ITDP Brasil) e a EMBARQ Brasil. O documento, publicado originalmente em inglês em 2012, aponta a tendência mundial de remoção de vias expressas em centros urbanos. Conforme o estudo, a desativação de pistas de alta velocidade e tráfego intenso de automóveis no centro de cidades acontece:

  • Pelo alto custo para manutenção, reconstrução e reparo;
  • Devido à degradação das áreas no entorno, isolamento e desvalorização de imóveis;
  • Para abrir espaço para o desenvolmento urbano de áreas degradadas;
  • Para garantir acessibilidade às margens de cursos d’água urbanos;
  • Por eficiência (rodovias funcionam bem para tráfego a longas distâncias e alta velocidade, mas são menos eficientes para transporte urbano que outros modais, como corredores de ônibus, por exemplo).

No lugar da expansão e alargamento de avenidas para carros e abertura de túneis, viadutos e elevados, prefeitos têm apostado cada vez mais em investimento em transporte coletivo como solução para congestionamentos. O relatório aponta que o pensamento predominante no urbanismo durante o século passado de que, para melhorar o trânsito basta ampliar a infraestrutura viária, foi superado em boa parte do planeta. Segundo o estudo, é melhor ampliar e subsidiar sistemas de transporte coletivo do que abrir mais espaço para circulação de veículos de transporte individual. Apesar da tendência, em algumas metrópoles a construção de rodovias urbanas e expansão de avenidas ainda é tida como solução principal para o trânsito – no Brasil, inclusive.

Entre os principais impactos ambientais das rodovias urbanas estão desde a concentração de poluição, que afeta a saúde da população em geral, até a formação de ilhas de calor. Segundo os organizadores, “o objetivo do estudo é questionar o uso do automóvel como principal ator de mobilidade nas cidades e mostrar que, ao priorizar as pessoas, as cidades se tornam mais vivas, ativas e saudáveis”. As informações do estudo foram organizadas pelo Data Cidades em um mapa. Clique em cada um dos cinco exemplos abaixo para saber mais e use o zoom para ver imagens de satélite de cada uma das regiões citadas no estudo. 

Fonte das informações:
O relatório está disponível em português e em inglês. Além dos exemplos principais disponibilizados no mapa produzido com base nas informações do estudo, o documento apresenta também para processos semelhantes em outras cidades: Berlim, Boston, Louisville, Milwaukee, New Haven, New Orleans, New York 1 e 2, Oklahoma City, Paris 1, 2 e 3, Portland, São Francisco 1 e 2, Seattle, Seoul 1 e 2, Syracuse e Toronto.

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Comentários 1

  1. Cláudio Maretti diz:

    Boa matéria, Duda Menegassi! Equilibrada, correta e necessária. Parabéns e obrigado!

    Ajustes nessas unidades de conservação são necessários desde a sua criação e a necessidade só aumenta quando os ajustes não são aplicados.
    Há estudos e diálogos nesse sentido há tenpos.

    Para ajustes em unidades de conservação é necessário estudos, análise e propostas técnicas, compensação da conservação e diálogo para compor soluções.

    A posição técnica do ICMBio é consistente e adequada.

    A Floresta Nacional de Brasília tem algumas áreas com valor ecológico não tão importante, relativamente, e desde sua criação. Mas há áreas importantes para recuperação e para visitação (ou uso público), como a Área 1, com importante envolvimento da sociedade local e boa história e grande potencial de voluntariado. E há áreas importantes para recuperação, ordenamento da ocupação e proteção dos recursos hídricos, como a Área 4 e grande parte da Área 3. Faz todo sentido mudar a categoria da Reserva Biológica de Contagem para parque nacional, promovendo a conservação com a visitação (ou uso público), de forma integrada com o Parque Nacional de Brasília. Faz todo sentido ampliar a conservação de áreas de maior valor ecológico (inclusive como compensação pela redução de outras áreas).

    Mas é muito importante acompanhar com atenção o processo no Legislativo, pois há vários parlamentares só interessados em especulação imobiliária e populismo com lotes e moradias (como em toda a história do Distrito Federal).