Estudo prova ameaça a mamíferos da Mata Atlântica nordestina

Vandré Fonseca
terça-feira, 14 agosto 2012 21:45
Sul da Bahia: em 1945 a região era quase toda coberta por Mata Atlântica. Em 1999, só restavam fragmentos de floresta.
Sul da Bahia: em 1945 a região era quase toda coberta por Mata Atlântica. Em 1999, só restavam fragmentos de floresta.

Manaus, AM —  Isolados pela perda e fragmentação do habitat, agravados pela caça, grandes e médios mamíferos estão desaparecendo dos remanescentes de Mata Atlântica no Nordeste Brasileiro. Para chegar a esta conclusão, a equipe liderada pelos biólogos Carlos Augusto Peres, da Universidade de East Anglia (UEA), Inglaterra, e  Gustavo Canale, da Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat), viajou durante dois anos, por 210 mil quilômetros de estradas.

Eles avaliaram os os efeitos dos impactos provocados pelo homem na sobrevivência de grandes vertebrados. O resultado do estudo — o primeiro a documentar a perda de 5 grandes mamíferos de um dos hotspots tropicais mais ameaçados do planeta — foi publicado nesta terça-feira (14 de agosto), no jornal PLOS One. Eles verificaram que queixadas, uma espécie de porco-do-mato, já foram aniquiladas. Onças-pintadas, antas, tamanduás-bandeira e muriquis estão praticamente extintos na região.

Foram vários pneus furados e dois carros 4X4 quebrados, mas ao fim da aventura, eles amealharam informações detalhadas sobre 196 fragmentos de floresta, que abrangem 256.670 quilômetros quadrados. A região estudada abrange cerca de 25% da Mata Atlântica do Nordeste Brasileiro.

Em média, cada mancha florestal remanescente abrigava apenas 4 das 18 espécies pesquisadas. Algumas não eram maiores do que um campo de futebol.

“O nosso trabalho mostra que, do ponto de vista de conservação de fauna, não basta garantir somente a retencao de remanescentes florestais”, afirma Carlos Peres. “Não há substituto para a proteção integral de fragmentos florestais remanescentes nos hotspots de biodiversidade como a Mata Atlântica brasileira.”

A combinação dos efeitos da caça e da fragmentação do habitat resultam em altas taxas de extinção local. Como estes fragmentos não guardam conexão com outras áreas de floresta, não existe a substituição das populações dizimadas pela caça. O efeito é mais grave do que aquele que pode ocorrer em grandes áreas de floresta contínua, como a Amazônia. Lá, a caça pode ter menos impacto, pois populações vizinhas da mesma espécie tem chance de recolonizar o local.

“Recomendamos a implementação de novas áreas de proteção integral, como Parques Nacionais e Reservas Biológicas, que incluam fragmentos florestais com populações de espécies ameaçadas, raras e endêmicas, particularmente as que estão em face de extinção iminente”, destaca Gustavo Canale.

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Pervasive defaunation of forest remnants in a tropical biodiversity hotspot, por Gustavo R. Canale, Carlos A. Peres, Carlos E. Guidorizzi, Cassiano A. Gatto e Maria Cecília Kierulff (será publicado online na PLoS One na terça-feira, 14 de agosto/2012.

 

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