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Governo estima queda de 11% na taxa oficial do desmate

Entre julho de 2010 e julho de 2011, indíce que mede as derrubadas na floresta atinge 6,2 mil KM2, o mais baixo desde o início das medições em 1988. Governo atribiu queda a repressão à ilegalidade.

Gustavo Faleiros ·
6 de dezembro de 2011 · 10 anos atrás
Fazenda desmatada em Juína, Mato Grosso. (foto: Andreia Fanzeres)
Fazenda desmatada em Juína, Mato Grosso. (foto: Andreia Fanzeres)
Em meio a críticas de que poderia estar escondendo uma má notícia no momento da votação do Código Florestal, o governo federal liberou a estimativa de desmatamento oficial. De acordo com informações do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia (PRODES) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre julho de 2010 e julho de 2011 as derrubadas somaram 6238 KM2, o menor número já registrado desde 1988, quando começaram as medições. O índice representa queda de 11% em relação aos 7 mil KM2 apurados no biênio 2009-2010.

A taxa divulgada ontem ainda é uma estimativa e possui um margem de erro de 10% para cima ou para baixo. Ela foi obtida com a análise de 94 imagens dos satélites Landsat (NASA) e CBERS 2B (Sino-Brasileiro). O resultado final será divulgado em meados de 2012.

Veja na tabela abaixo a variação histórica do índice de desmatamento. Passe o mouse para ver os números absolutos

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, atribuiu a queda ao esforço do governo em responder aos primeiros sinais de alta no desmatamento. “Essa conquista representa uma vitória forte e mostra que fomos capazes de responder prontamente ao aumento do desmatamento ilegal na região amazônica no início de 2011”, disse a ministra segundo comunicado do Ministério do Meio Ambiente.

Em abril deste ano, o programa de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER) registrou um salto no corte raso na Amazônia, com destaque ao Mato Grosso, onde se observou um aumento de 47%. O governo criou um gabinete de crise que coordenou ações da exército, Ibama e Polícia Federal, o que na avaliação da ministra Izabella Teixeira, reverteu a tendência de alta.

Os números saem em bom momento para a presidente Dilma Rousseff, pois hoje o Senado vota o novo Código Florestal com apoio da base do governo. Os ambientalistas temiam um aumento do desmate em função da sinalização de que o Congresso poderá perdoar crimes ambientais cometidos até 2008.

Organizações não-governamentais que acompanham o tema avaliam o resultado sem entusiasmo. “As medidas de combate ao desmatamento ainda estão em vigor, embora estejam sob ataque e possam mudar no próximo ano”, pondera o pesquisador-sênior do Imazon Beto Veríssimo. Segundo ele, a taxa divulgada ontem pode ser considerada estável e não propriamente uma tendência de queda em relação aos anos anteriores. “Esta dentro da margem de erro que esperavamos. A nossa expectativa era em um desmatamento estável (em torno de 7 mil km2). O numero veio abaixo (-11%) mas se repetir os ultimos anos o INPE pode corrigir para cima (em até 10%) quando sair o numero oficial definitivo. Portanto, pode acabar ficando próximo dos 6,8 mil km2”, diz.

O diretor da Amigos da Terra-Amazônia, Roberto Smeraldi, argumenta na mesma linha. Para ele existe uma situação estacionária, de interrupção da queda, mas também sem repique no desmatamento. “Acho que isso demonstra quanto é difícil manter a progressão na redução, sem usar instrumentos econômicos”, pondera.

Um dos pontos destacados por Smeraldi e que também preocupa o governo é a dinâmica do desmatamento em locais onde ocorrem grandes obras de infraestrutura. Enquanto bons resultados foram colhidos com as ações de repressão no Mato Grosso, em Rondônia as derrubada dispararam, praticamente dobrando, alcançando um total de 1,1 mil KM2.

Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), afirma que os números trazem bons sinais de que a política ambiental do governo foi efeitiva, mas ele faz uma ressalva. “É preciso avaliar o que está acontecendo de agosto para cá. Para outubro, por exemplo, os números do DETER indicam uma área desmatada tão expressiva como a de 2010.”

No gráfico abaixo a divisão do desmatamento de 2011 por estados

                                                              

Neste gráfico a participação de cada estado em níveis históricos

  • Gustavo Faleiros

    Editor da Rainforest Investigations Network (RIN). Co-fundador do InfoAmazonia e entusiasta do geojornalismo. Baterista dos Eventos Extremos

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