O que é uma Espécie Exótica e uma Exótica Invasora

O que é uma Espécie Exótica e uma Exótica Invasora

((o))eco
sexta-feira, 20 junho 2014 13:03
Árvore de eucalipto. Foto: Wikimedia Commons
Árvore de eucalipto. Foto: Wikimedia Commons

A Convenção sobre Diversidade Biológica define como Espécie Exótica, toda espécie que se encontra fora de sua área de distribuição natural, isto é, que não é originária de um determinado local.

Espécie Exótica Invasora ou, simplesmente, Espécie Invasora é definida como uma espécie exótica que prolifera sem controle e passa a representar ameaça para espécies nativas e para o equilíbrio dos ecossistemas que passa a ocupar e transformar a seu favor. Pode representar risco até às pessoas.

As Invasoras se adaptam às condições do ambiente no qual se inserem e, além de suas vantagens competitivas naturais, são favorecidas pela ausência de inimigos naturais (predadores), o que lhes permite se multiplicar e degradar ecossistemas. Elas competem com as espécies nativas por recursos como território, água e alimento. Em alguns casos, se alimentam das espécies nativas, o que agrava ainda mais seu impacto ao meio ambiente local.

A invasão de relativamente poucas espécies muito adaptáveis e competitivas sobre áreas distintas do globo tende a empobrecer e homogeneizar os ecossistemas, e, hoje, é a segunda maior ameaça à perda de espécies nativas, atrás apenas da redução/degradação de habitats. As Invasoras são responsáveis por declínios populacionais e extinções.

Invasões podem acontecer de maneira natural, entretanto, as atividades e movimentações humanas são a principal razão na introdução de espécies exóticas em praticamente todas as regiões do globo. À medida que novos ambientes são colonizados e ocupados pelo homem, plantas e animais domesticados são transportados, e proporcionam condições de dispersão muito além das capacidades naturais das Espécies Exóticas.

Fatores humanos como migração, colonização de novas terras, aumento de população e o intenso comércio internacional de animais de estimação e plantas ornamentais facilita a introdução de Exóticas. O desmatamento e a degradação de áreas verdes também abrem a guarda dos ecossistemas locais à invasões. Finalmente, as mudanças climáticas podem incentivar ou forçar a migração de espécies que tentam sobreviver.

As invasões favorecem a disseminação de doenças e pragas e também acarretam prejuízos para colheitas, degradam florestas, solos e pastagens.

As espécies invasoras representam um dos maiores desafios ambientais que o mundo enfrenta e combatê-las nem sempre é possível. Ao contrário de outros problemas ambientais que podem ser amenizados pelo tempo, as espécies invasoras com frequência se tornam dominantes e suas consequências negativas tendem a se agravar à medida que sua adaptação se completa.

O combate às invasoras, via de regra, é um procedimento complexo, custoso e sem resultados garantidos, fora o risco de efeitos adversos imprevistos. Houve caso em que a introdução de uma espécie inimiga da invasora, numa tentativa de eliminar esta, resultou na espécie que se esperava resolver o problema, ao invés, piorá-lo: a predadora ignorou a invasora e atacou as nativas mais abundantes e acabou por se tornar uma nova praga, responsável pela extinção de várias outras.

A prevenção das invasões ainda é a melhor medida, mas se ela não é mais possível a erradicação é a melhor alternativa, antes que o problema saia de controle. De acordo com o caso, pode ser que a erradicação de uma Exótica exija cooperação internacional.

Existem programas e convenções internacionais, nacionais e regionais dedicados à solução do problema. Entre os acordos multilaterais em vigor sobre o assunto estão a Convenção sobre a Biodiversidade, o capítulo 11 da Agenda 21, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES), a Convenção Internacional sobre a Proteção de Plantas (IPPC) e as Recomendações da IUCN para a Prevenção da Perda de Biodiversidade Causada por Espécies Invasoras.

No Brasil, em 2005, o governo federal e parceiros criaram o Informe Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras que visa sistematizar e divulgar as informações já existentes sobre o tema. O Ministério do Meio Ambiente apenas começou a estudar e enfrentar este desafio, mas reconhece que ele é de grande magnitude e exige ação urgente.

 

 

Como fazer referência a este artigo: O que é uma Espécie Invasora. Dicionário Ambiental. ((o))eco, Rio de Janeiro, jun. 2014. Disponível em: <https://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28434-o-que-e-uma-especie-exotica-e-uma-exotica-invasora/>. Acesso em: XX (dia) xxx. (mês) XXXX (ano).

 

 

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14 comentários em “O que é uma Espécie Exótica e uma Exótica Invasora”

  1. ("…"), Espécie Invasora é definida como uma espécie exótica que prolifera sem controle e passa a representar ameaça para espécies nativas e para o equilíbrio dos ecossistemas que passa a ocupar e transformar a seu favor." A frase redundante parece uma carta de apresentação, ou melhor: um cartão de visitas da espécie humana, e os fragmentos do texto que tomo a liberdade de reproduzir ratificam muito bem o que quero dizer: ("…") as atividades e movimentações humanas são a principal razão na introdução de espécies exóticas em praticamente todas as regiões do globo." "À medida que novos ambientes são colonizados e ocupados pelo homem,('' "). ("…) é a segunda maior ameaça à perda de espécies nativas, atrás apenas da redução/degradação ( causadas pelo homem) de habitats".

  2. prezados, recentemente fiquei surpresa ao descobrir que o Sistema Agroflorestal, que preconiza a sustentabilidade dos solos e outras praticas coerentes com a conservação da biodiversidade, por outro lado, indica algumas invasoras extremamente agressivas, como o margaridão (Tithonia diversifolia) e a leucena. Muito pelo fato de estas espécies serem pioneiras em solos ja degradados. Enfim, estão sendo recomendadas brasil afora pelos agrofloresteiros, sem se importarem muitos com as ameaças destas invasoras para os sistemas ecológicos

    • Bom dia. Aqui em Campo Grande – MS, notadamente nos locais mais próximos aos córregos e canais de água, estamos vivenciando a invasão e total domínio por parte da leucena. Essa espécie não dá nenhuma chance para as concorrentes, elas crescem muito rápido, produzem sementes com muita rapidez, e, sobretudo, sementes em grande quantidade. Pior ainda é que elas inclinam naturalmente e acabam sufocando as outras espécies. Elas são eficientes no controle das erosões nas margens fluviais, mas confesso que vejo com muita proecupação a proliferação dessa espécie aqui em Campo Grande – MS.

  3. RJ- Brasil 2015/Septembro!… E dificil imaginar una revolucion sin gerra, Te provocas los suenios de volar, suicidio, ceparacion, llamada, y luego haces el viaje!!
    Teoria cientifica de Así Hablo Zaratustra; Nietzsche, Camello, Leon, el niño,haciendo el viaje al interior de la materia, mediantes suenios provocados en si mismo!!! Evolucion Existencial!

  4. Importante racionalizar o conceito para não perder a oportunidade de enriquecer a diversidade com espécies exóticas não invasoras. Estudos na ilha grande – RJ da UFRRJ mostraram que sp exoticas não invasivas tiveram impactos favoráveis na biodiversidade natural. Interessante também conhecer os trabalhos de Ewel et Al 1999 (bioscience) e Leroy et Al na agroforestry systems – How much biodiversity is enought?

    • não há como manejar a dispersão por pássaros e pequenos maníferos e até o homem! Por este motivo a Tithonia diversifolia está povoando margens de estradas pelo pais afora!

  5. Espécies Invasoras Exóticas nada mais é espécies não nativas, que foram importadas por meio de navegação, aviação e ferrel. Maioria das espécies invosas causam grandes danos a agricultura e, no sitema ecológico Brasileiro pode entrar em extinção as espécies nativas…

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