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Temer, oceanos e a conservação “inútil”

A criação dessas novas Unidades de Conservação coroa um processo de mobilização da sociedade civil organizada e de um governo que soube ouvir essa demanda

19 de março de 2018 · 3 anos atrás
  • José Truda Palazzo, Jr.

    José Truda é jardineiro, escritor, consultor em meio ambiente especializado em conservação marinha e tratados internacionais, e indignado.

Trindade é uma ilha na costa do estado do Espírito Santo que, junto com Martim Vaz, forma um arquipélago. Foto: Simone Marinho/Wikicommons.

Aconteceu neste dia 19 de março um dos mais relevantes marcos para a conservação marinha no Brasil: a assinatura, pelo Presidente Michel Temer, dos decretos de criação dos mosaicos de Áreas Marinhas Protegidas abrangendo o entorno e parte das ilhas de nossos dois arquipélagos oceânicos mais remotos, São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz. Nada menos do que 11 milhões de hectares de mar jurisdicional brasileiro foram postos sob Proteção Integral, ou seja, com exclusão total de atividades predatórias como mineração ou pesca, e outros 81 milhões destinados ao regime de Uso Sustentável, onde – finalmente, espera-se – venha a se botar ordem nesse atentado ao patrimônio público que é a pesca industrial no Brasil, quem sabe servindo de exemplo para se ordenar a atividade no resto de nossa Zona Econômica Exclusiva.

A criação dessas novas Unidades de Conservação coroa um processo de mobilização da sociedade civil organizada que, de maneira também histórica, reuniu instituições ambientalistas, pesquisadores, e empresários – incluindo a poderosa FIESP – além de ter contado com o apoio catalisador da grande Sylvia Earle, que selou a criação das UCs em visita ao Palácio do Planalto no dia 5 de março. Em meio a tantos apoios recentes, vale lembrar que essa campanha de pressão durou mais de dois anos, iniciada por umas poucas entidades, e teve origem em tentativas bem anteriores, que não conseguiram sensibilizar governos e ministros passados. Sensibilizaram a Sarney Filho, no governo Temer, e essa – a orientação ideológica do atual governo – é uma das principais razões pelas quais estamos vendo brotar ferozes críticas às novas UCs em alguns grotões das redes sociais e setores da academia, além de entre a habitual malta de ecochatos de ocasião: o atual governo não se encaixa nos padrões ideológicos da cumpanherada.

“(…) têm razão alguns pesquisadores de renome que estudam a fauna desses arquipélagos, e foi principalmente para estes uma grande decepção ver que boa parte dos ilhotes em São Pedro e São Paulo, bem como das águas ao redor da ilha da Trindade, ambos locais de grande concentração de espécies endêmicas, raras e ameaçadas, tenha ficado de fora da Proteção Integral”.

Não que uma parte das críticas que se ouvem seja descabida. De fato, têm razão alguns pesquisadores de renome que estudam a fauna desses arquipélagos, e foi principalmente para estes uma grande decepção ver que boa parte dos ilhotes em São Pedro e São Paulo, bem como das águas ao redor da ilha da Trindade, ambos locais de grande concentração de espécies endêmicas, raras e ameaçadas, tenha ficado de fora da Proteção Integral, por exigência da Marinha, nominalmente por questões geopolíticas, mas também por razões bem mais comezinhas: manter, naqueles, a pesca comercial do barco contratado que dá suporte à estação científica do arquipélago, que já ajudou a extinguir localmente ao menos uma espécie de tubarão, e nesta, a pesca “recreativa” dos marinheiros da guarnição mas que na verdade é pesca comercial subsidiada, já que exportam toneladas de peixes anualmente para o continente para venda, resultando em redução comprovada das espécies da frágil ictiofauna local. A Marinha, sob o comando do Almirante Bacellar Ferreira, se mostrou afortunadamente aberta ao diálogo, recebendo ambientalistas para conversar sobre o problema e se comprometendo a trabalhar com o ICMBio para resolver ambas distorções, o que acredito venha de fato a acontecer em curto prazo.

Esse detalhe, ainda que importante, serviu porém de desculpa para tentar se desmerecer a validade das novas UCs como um todo, esgrimindo os argumentos mais absurdos, como o de que é “inútil” se proteger grandes áreas oceânicas, de mar aberto, porque muitas espécies ali são migratórias e “seriam pescadas em outros lugares”. É o mesmo argumento pueril utilizado pelos defensores da caça à baleia no Brasil nos anos 70, que argumentavam que deveríamos matá-las aqui porque senão seriam caçadas em outras partes do Atlântico Sul… E também vociferam que sem a integralidade das ilhas tudo o mais careceria de qualquer valor ecológico.

“(…) ou a proposta feita pelos cientistas não tinha qualquer valor, ou as críticas feitas à totalidade da mesma pela ausência de uma parte das ilhas é que não tem qualquer valor”

A ver. É fato que a totalidade das ilhas e as águas de seu entorno não estão cobertas pela Proteção Integral, mas partes significativas estão, e no restante há que se lutar imediatamente pela implantação das restrições à pesca predatória subsidiada – algo fácil de fazer se houver para isso o mesmo grau de animação e envolvimento dos pesquisadores, tanto os diletantes ocasionais que estão militando nas redes contra a criação das atuais UCs, quanto dos outros, mais sérios, que ajudaram a subsidiar a sua criação. Dê-se o devido crédito à Marinha para buscar resolver esse imbróglio, e ponha-se a acompanhar isso tudo, se for preciso, o Ministério Público Federal, de forma a assegurar que não fique para as calendas a solução de um problema realmente grave de conservação.

No que tange às áreas de mar aberto, as objeções pecam pela simploriedade. No que diz respeito a São Pedro e São Pedro, o desenho decretado para a Proteção Integral nessas áreas atendeu quase que integralmente (exceção feita a abranger todas as ilhas) a uma proposta feita por um grupo expressivo e muito respeitado de pesquisadores durante a fase de Consulta Pública, abrangendo um polígono, segundo a carta enviada pelos mesmos ao Ministério do Meio Ambiente, que “com base em uma abordagem científica visa proteger um pouco de cada tipo de ecossistema, montes submarinos e contribuir com a proteção de processos biogeográficos e ecológicos importantes para a região”. Logo, das duas uma: ou a proposta feita pelos cientistas não tinha qualquer valor, ou as críticas feitas à totalidade da mesma pela ausência de uma parte das ilhas é que não tem qualquer valor.

“Seria melhor que esses grandes blocos estivessem unidos entre si, mas não termos conquistado isso de forma nenhuma invalida a proteção dada a esses hotspots”.

Em relação ao mosaico da Trindade e Martim Vaz, cerca de 6.900.000 hectares, incluindo as ilhas do grupo Martim Vaz e o Monte Columbia, hotspots de biodiversidade, ficaram designados como de Proteção Integral. Nessas áreas, uma enorme variedade de vida marinha fica totalmente protegida. Seria melhor que esses grandes blocos estivessem unidos entre si, mas não termos conquistado isso de forma nenhuma invalida a proteção dada a esses hotspots. Tampouco o fato de que “apenas” cerca de 40% da ilha da Trindade e sua área costeira ficou sujeita a Proteção Integral permite a qualquer um dizer que tal proteção é “inútil”, porque ali se situa o habitat de parte expressiva das espécies dependentes da proximidade das ilhas, e que se pretende proteger como prioridade.

E quanto às áreas de mar aberto para além desses hotspots, o que diz a prática de conservação marinha conforme estudos científicos recentes? Uma breve consulta à literatura especializada demonstra que, apesar do habitual dissenso dos céticos sobre conservação, há ampla demonstração da importância de se dar proteção total a ambientes pelágicos, essas áreas ditas “inúteis” por alguns dos detratores das novas UCs. Já em 2009, Game et al. elencaram abundantes razões para a inclusão de grandes áreas oceânicas em Unidades de Conservação. Em 2010 Gaines et al. reconheciam a importância de grandes áreas marinhas sem pesca para a proteção de espécies pelágicas altamente predadas, ressaltando ganhos obtidos mesmo em áreas historicamente sobrepescadas. E estudos bem recentes demonstram que grandes áreas protegidas oceânicas podem dar a proteção necessária a grandes predadores como tubarões.

Resumo da ópera: se alguém acha que fechar 11 milhões de hectares de oceano à pesca predatória, principalmente ao espinhel pelágico que massacra uma enormidade de espécies por “captura incidental” como tubarões, tartarugas e aves, bem como impedir a mineração dos fundos marinhos, é “inútil”, minha modesta opinião é que esse alguém é ruim da cabeça ou doente do pé.

E se alguém duvida que essas áreas são importantes para a biodiversidade ou cobiçadas pela máfia da sobrepesca industrial internacional, basta uma olhada nos mapas da Global Fishing Watch, que mostram a operação de embarcações pesqueiras internacionais na borda e interior de nossa Zona Econômica Exclusiva. Não parecem, pelo visto, regiões desinteressantes aos que predam sobre a vida marinha, nem “inúteis” do ponto de vista de se proteger e ordenar estritamente o uso do patrimônio representado pelas espécies pelágicas…

Atividade de pesca industrial e movimentos de embarcações pesqueiras no entorno e interior da ZEE de Trindade e Martim Vaz, de fevereiro a agosto de 2017. Fonte: Global Fishing Watch.

É possível fiscalizar extensões de mar tão imensas como as ora decretadas como protegidas? A resposta é um rotundo e definitivo SIM. Para isso, não apenas é preciso aprimorar a presença da Marinha nas mesmas, como co-gestora do exercício de nossa soberania ambiental marinha, mas também recorrer às mais modernas ferramentas de fiscalização e controle existentes e já em uso por vários países. Drones de longa permanência no mar, já sejam aéreossubmarinos ou de superfície, podem ajudar a assegurar a presença de fiscalização, reportando informações em tempo real sobre presença de embarcações e sua movimentação no entorno e interior das UCs. Países como Palau, que declarou 80% de suas águas como Santuário Marinho, já lançam mão desse arsenal tecnológico com excelentes resultados. Além disso, a evolução de ferramentas de acompanhamento em tempo real ou quase real dos movimentos das embarcações de pesca industrial, através do já mencionado Global Fishing Watch e outras, permite que a fiscalização seja direcionada de forma bem mais eficiente e que o país possa exigir apoio e ações da comunidade internacional para perseguir e punir os piratas que invadem as grandes Unidades de Conservação Marinhas.

“Outra crítica disseminada nas redes é que, com a criação destas UCs gigantes, serão esquecidas as demais prioridades de conservação em áreas mais costeiras. Ora, isso só acontecerá se a sociedade se desmobilizar, e não pretendemos que isso aconteça.”

E as demais UCs marinhas por criar? Outra crítica disseminada nas redes é que, com a criação destas UCs gigantes, serão esquecidas as demais prioridades de conservação em áreas mais costeiras. Ora, isso só acontecerá se a sociedade se desmobilizar, e não pretendemos que isso aconteça. A ampliação do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, na Bahia, e a criação do Parque Nacional do Albardão, no Rio Grande do Sul, estão entre as urgências urgentíssimas para assegurar que o Brasil venha a cumprir de fato e de direito a Meta 11 de Aichi, que além de percentual em área exige representatividade dos ambientes costeiros e marinhos nas áreas protegidas. Esperamos ansiosamente que os que esgrimem essa crítica, muitos dos quais não ajudaram lhufas na campanha pelas grandes UCs, desta vez apareçam para apoiar a criação de mais áreas protegidas que precisam sair das gavetas em que repousam há anos, de preferência ainda este ano.

Este é um momento não apenas para comemorar a criação dessas enormes UCs marinhas, mas também para refletir sobre o conjunto da obra deste governo até aqui no que tange a áreas protegidas. Entre outras, celebramos de 2016 para cá a ampliação da Estação Ecológica do Taim, que caducou e teve sua re-decretação abandonada por Marina Silva quando era ministra; a criação do Refúgio de Vida Silvestre de Alcatrazes, empacado trinta anos na barafunda brasiliense; a ampliação, enfim, do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros para 240.000 hectares; a dinamização das concessões de serviços e das normas de Uso Público nas UCs; a nova Medida Provisória sobre compensação ambiental; e o decreto que permite a conversão de multas em prestação de serviços de conservação, estes últimos destravando a utilização de recursos imprescindíveis ao funcionamento das áreas protegidas. Com tudo isso, a presidência de Temer e a segunda gestão de Sarney Filho à frente do Ministério do Meio Ambiente vão passar, sim, à História como um dos melhores governos para a conservação da biodiversidade, apesar da gritaria dos ecochatos ideológicos de esquerda, silentes durante os 13 anos recentes em que imperou avassalador holocausto de nosso patrimônio natural, embalado pela corrupção desbragada e por uma visão de mundo medieval apoiada pelo povinho do contra, que ainda é capaz de achar desculpas pra reclamar de milhões de hectares de mar protegido. Ainda dá pra fazer bem mais neste governo, antes que entre em 2019 algum maluco inimigo do meio ambiente, seja pela esquerda ou direita. Bora trabalhar por isso, e também festejar os avanços monumentais como este que acaba de acontecer.

 

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Comentários 73

  1. Abilio Soares Gomes diz:

  2. Abilio Soares Gomes diz:

    Que tal ficar na ciência?
    Um dica para leitura e elevar o debate:
    https://www.scientificamerican.com/article/to-pro


    1. José Truda diz:

      Excelente. E outra aqui: http://www.deepseanews.com/2018/03/embracing-yes-… aliás com uma discussão muito interessante e uma série de referências para leitura posterior.


      1. Abilio Soares Gomes diz:

        Essa vc j'a havia sugerido.


  3. Abilio Soares Gomes diz:

    Segue abaixo link de um documento com um apelo a Presidência da República sobre a questão, assinado por diversos pessoas. Que fique claro que a gritaria não é coisa de um grupelho como qurem fazer crer.
    http://scholar.google.com.br/scholar_url?url=http


    1. Manuel diz:

      Vc, Abílio, reclama do autoritarismo dos outros e está fazendo pior. Vc reclama que querem calar as vozes contrárias mas está querendo que todos tenham a sua opinião. Fora que apelou soltando uns "coxinhas" de vez em quando. Vc não passa de um imbecil que acha que pode falar tudo na internet. E como todo autoritário, sacou logo a carta "vai estudar". Ou seja, só a sua opinião vale.


      1. Abilio Soares Gomes diz:

        Caro Manuel.

        Estou mantendo um diálogo educado e o "coxinha" apareceu dentro de um contexto correto. Em nenhum momento tentei empurrar por goela abaixo minha opinião, por isso disponibilizei os textos em questão. Desde quando sugerir que alguém estude uma questão é autoritarismo?
        Lamento muito sua falta de educação revelada com xingamentos. Vamos manter o nível da discussão. Se não tem argumentos a não ser xingar e melhor ficar calado. Isso releva por sua parte um verdadeiro comportamento coxinha.


    2. José Truda diz:

      Assinado inclusive por mim. 🙂 O que não invalida o imenso ganho de conservação obtido com esses 11 milhões de hectares que ficaram no desenho final.


      1. Abilio Soares Gomes diz:

        Pois é Truda. Espanta você aceitar tão passivamente a canetada de cima para baixo. Você está muito impressionado, a meu ver erradamente, com o montante de hectares. O mais importante ficou de fora.

        Att.,


        1. José Truda diz:

          Não se trata de estar impressionado, e sim de entender o que é conservação marinha na prática. O mais importante é avançar em proteção, e isso está se fazendo, enquanto muitos só enchem o saco.


          1. Abilio Soares Gomes diz:

            Caro Truda,

            Vc fica sempre contrariado quando os comentários não correspondem as suas expectativas.
            As pessoas não estão enchendo a sacola, mas expondo de peito aberto suas opiniões divergentes.
            Aceite que seu texto está longe de ter atingido a unanimidade que você esperava.
            Pelo seu modo de reagir, imagino que ao vivo iria jogar ovo ou outras coisas em quem pensa diferente.

            Att.,


          2. José Truda diz:

            Pelo contrário, meu caro. Não faço a menor questão de unanimidade e não estou nem um pouco contrariado, porque sei que existe uma patrulhinha do recalque pronta pra achar ruim cada vez que se conseguir qualquer avanço ambiental em governos não-esquerdentos. Como bom coxinha, dou muita risada, principalmente com a qualidade supostamente técnica dos argumentos, que em vocês dura um par de posts, logo em seguida descambando para o que vocês realmente são: patrulha ideológica.


  4. clevelandmjones diz:

    Está bem que devemos reconhecer algumas conquistas, por mais que deficientes em muitos aspectos técnicos.

    Também é bom manter um certo otimismo, senão acabamos tão desestimulados que desistimos da luta…

    Mas daí para fazer grandes elogios à gestão atual de nossos recursos ambientais, quando houve grandes retrocessos, muitas decepções, trocas e entregas vergonhosas, negociações (negociatas) com a bancada ruralista, etc., e afirmar que este governo será lembrado "como um dos melhores governos para a conservação da biodiversidade”, bom, aí já é demais…

    Se fosse para avaliar friamente as ações deste governo, ele não seria visto como melhor que os péssimos governos passados, quando as poucas conquistas ambientais sempre foram seguidas por medidas para desvirtuar qualquer proteção efetiva, que mexesse com interesses daqueles que querem privatizar recursos públicos em benefício próprio. A maestria é geralmente apoiada na política podre, e basta um empurrãozinho para liquidar os parcos recursos financeiros minimamente necessários para cuidar de áreas protegidas, fiscalizar, etc.

    Não quero me desmotivar, nem aos colegas, mas não posso aceitar elogios a políticas entreguistas que continuam permitindo crimes ambientais, danos a ecossistemas, e contribuem para perdas que as futuras gerações lamentarão, mas que não terão mais como reverter.

    Temos que ser muito mais exigentes, sim! Esse é o verdadeiro patriotismo, não o daqueles que saqueiam nossas riquezas ambientais, alegando promover o desenvolvimento. Que desenvolvimento é esse que deixa apenas passivos ambientais para a sociedade e futuras gerações, após interesses escusos se beneficiarem de seus crimes e práticas insustentáveis?


    1. Abilio Soares Gomes diz:

  5. Maria Lopes diz:

    Áreas de proteção integral que permitem a "pesca de subsistência"? Hahaha. A Marinha cagou na nossa cabeça, vai continuar pescando e pronto. Mega APAs que não protegem nada, pode fazer tudo o que quiser. Agora esqueçam Abrolhos e outras UCs costeiras, "já cumprimos a meta". Só o autor da matéria para acreditar que se conseguirá avançar alguma coisa na criação de UCs daqui pra frente. Essa virada de mesa de última hora foi um foda-se para todos os envolvidos no processo e participantes das consultas públicas. Agora ver uma meia dúzia de babá ovo do MMA é ICMBio aplaudindo isso é pra ficar realmente preocupado.


    1. Abilio Soares Gomes diz:

      Muito bem dito. Querem calar as vozes contrárias e lúdicas dessa história.

      Desse modo vamos retroceder ao tempo que falávamos meio ambiente.


    1. Josee Truda diz:

      E também essa resposta definitiva aos críticos de ocasião contra as grandes AMPs: http://www.deepseanews.com/2018/03/embracing-yes-


      1. Abilio Soares Gomes diz:

        Caro Truda,

        Sempre é bom ler outras opiniões. Mas, afirmar que essa é uma resposta definitiva é coisa de quem gosta de empurrar pela goela abaixo dos outros suas convicções. O desenho escolhido sei lá de que forma para as novas UC marinhas realmente deixam muito a desejar. Ao longo de cerca de 7 mil Km de litoral, quantas praias são UC? Quantas baías, quantas lagunas etc.

        Att.,


        1. José Truda diz:

          Meu caro, conservação costeira e conservação oceânica s ao complementares, e não opostas, como diz o artigo em tela (definitivamente :-)). E os queixosos de ocasião "esquecem" que a primeira UC marinha criada no governo Temer foi o REVIS de Alcatrazes, costeiro. Uma pequena pesquisa provará que muitas outras estão em processo final para criação, depois de dormirem por décadas nas gavetas sem que maioria dos que ora mimizeiam pelas redes sociais tenham mexido um dedo para efetivá-las.


          1. Abilio Soares Gomes diz:

            Não diga! Ficarei muito feliz se o seu presidente fizer o que vc afirma e consertar essa lambança das UC marinhas. Nem assim isso mudará o fato que ele entrará para a história como o pior mandatário que este país jamais teve em sua história. Gostaria que a discussão tivesse ficado no campo ambiental, mas como você insiste com essas coxinhices…….
            Encerro aqui meu papo.

            Att.,


      2. Maria Lopes diz:

        Resposta definitiva mostra bem seu perfil.


  6. Andrea Ferrari diz:

    Um casal campeão mundial de criação de UCs!!! Se a visão de 40 anos atrás resultou nisso, maravilha! E os "pesquisadores renomados", algum deles também campeão na criação de UCs? Não desmereço pesquisa acadêmica, óbvio, mas é preciso respeitar e aplaudir quem está na linha de frente da árdua briga pela proteção de áreas naturais. Caso contrário, não sobrará bichos para os pesquisadores renomados estudarem, viu? Melhor que eles deixem suas ideologias de lado…


    1. Raimundo Nonato diz:

      Percebemos como avançamos demais na conservação de espécies nos últimos 40 anos. Uma maravilha! Agora dêem as mãos e todos juntos vamos louvar a estupidez humana cantarolando num ritmo de canção infantil, de olhos fechados hein: "Ter estudo é ruim demais, ser fanfarrão é que é legal… Nós defendemos os cachorros, os gatinhuusss e as UCsss"… heeee viva nóissss, Nóis não estudo mais sabemu muitcho… Nóis é legallll heeeee!"


    2. Abilio Soares Gomes diz:

      Entenda que não é o caso de ser do contra. O que foi criado representa uma enganação. Além de não proteger como se espera, só serve para enganar que o país está cumprindo metas. Outros países tb fizeram isso e a humanidade deveria priorizar a proteção do planeta e não interesses econômicos de uns e de outros. PRESERVAÇÃO DE VERDADE JÁ!


  7. Arthur Dent diz:

    Esse texto ilustra bem o momento que estamos. De um lado um ambientalista que nunca se formou em nada e briga com todo mundo e um casal campeão mundial de criação de UCs, mas que tem pensamentos de 40anos atrás e foram muito amigos dos generais da ditadura. Do outro estão pesquisadores, especialistas, observatórios e renomados cientistas. Hoje o Brasil, representado pelo governo Temer e pelo primeiro grupo citado, desmerece completamente o conhecimento científico. Os ruralistas, enquanto isso, se divertem. São bastante heterogêneos, mas estão unidos. Por isso que é um diário 7a1.


  8. Fabio diz:

    Em comparação ao desastre ambiental que foi o período Dilma, o governo do vice dela está se mostrando um enorme avanço.
    A encrenca é a herança maldita do ruralismo do mal que ocupou um espaço enorme graças à pacto entre o agro sinistro e a esquerda neandertal. Ou a amnésia seletiva está tão grande que estão esquecendo como a destruição do Código Florestal foi gestada durante o governo Lula tendo como campeão Aldo Rebelo (PCdoB)? E que foi dona Dilma que colocou Katia Abreu como ministra da agricultura?


  9. Christine diz:

    É preciso não misturar alhos com bugalhos!
    É um enorme exagero (e tremendo engano) dizer que o governo de Temer vai passar para a história como um dos melhores governos para a conservação da biodiversidade. A taxa de desmatamento da Amazônia está disparada, aumentando a cada ano. A Noruega já percebeu, mas muitos brasileiros pelo visto ainda não. Sem falar nos montes de tipos de agrotóxicos cujas vendas foram recentemente liberadas no Brasil, que dispensam cometários sobre o mal que fazem. Entre outras bizarrices.
    Somos uma terra de cegos mesmo! A tal terra de cegos onde quem tem 1 olho é rei. Tivemos a maioria dos políticos cegos ao meio ambiente, e assim o de 1 olho só é elevado a categoria de herói da conservação da biodiversidade.
    Que bom que aumentou a porcentagem de áreas de proteção integral marinhas, uma grande conquista. Melhor ainda se as áreas costeiras fossem inclusas, pois são as que retem maior parte da biodiversidade marinha. Sim, melhor que nada. Mas só isso. Elogiar o rei de 1 olho só já é demais.


    1. Vikings sujos diz:

      O que será que a Noruega tem a dizer sobre a HydroAlunorte?


    2. Abilio Soares Gomes diz:

  10. Abilio Soares Gomes diz:

    Sugiro a todos que leiam a matéria do New York Times sobre o assunto: https://nyti.ms/2u5X0KJ


    1. interpretaçãoprecoce diz:

      Não é uma "matéria", nem um editorial, apenas um artigo de opinião!


    2. Raimundo Nonato diz:

      A diferença entre um artigo de um pesquisador doutor no mais importante jornal do mundo e da resposta em um blog chulé que sequer foi assinado pelo autor é a mesma entre a tua opinião de um pseudo-jardineiro cheio de interesses e a opinião de toda academia sobre mais essa bizarrice que faz parte da "tua obra". Vai deitar cachorro. Tu já prestou mais um desserviço, já fez teu papelzinho… Passa!


      1. José Truda diz:

        Aparentemente lá nos grotões ainda não chegou o entendimento de quem são os Ocean Elders. O que não surpreende, nem um pouco. 🙂


  11. Erick Road Estrada diz:

    Área de Porra Alguma (APA) boa é aquela que meus amigos criam… As que os meus inimigos criam são o que de fato sao: Área de Porra Alguma.


  12. Francisco Mendes diz:

    É hilário ver as baratas tontas que não se conformam em ver o Temer dar uma bola dentro e criar UCs que seriam impensáveis durante os desgovernos Dilma. Turma que quer nos fazer esquecer que foi um avatar de desastre ambiental.
    Como parecem esquecer que o Temer só é presidente porquê foi eleito por quem votou na presidanta demitida.


    1. Abilio Soares Gomes diz:

      Os coxinhas precisam ler mais antes de falar besteira: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43498210


  13. Bruno diz:

    Poxa sem comentários. Que texto, que texto, que texto horrível…
    Se não tivesse tivesse visto o nome do site teria certeza que esse texto tinha sido publicado no O Globo.
    Certo que notícias falsas e manipuladores estão na moda, mas não exagera.
    Ei Truta, você é uma vergonha para seus colegas de profissão (Jardineiros).


    1. Zoológico diz:

      Esse é o típico ambientalista brasileiro. Tá aí um exemplar pra quem quiser ver.


      1. Raimundo Nonato diz:

        É verdade, não tem formação em bosta nenhuma, vive de chupim em políticos, projetos e pesquisadores e ainda encontra espaço para divulgar sua diarréia intelectual altamente alinhada com seus interééésssseessss. Por sorte, depois de levar o país ao buraco ambiental, encontram-se Criticamente Ameaçados de Extinção segundo a IUCN.


        1. Zoológico diz:

          O comentário foi sobre o Bruno e não sobre o Truda. Tá difícil…


    2. Raimundo Nonato diz:

      Também não é jardineiro não… É só mais um miguézinho.


  14. Marcello Lourenço diz:

    Parabéns pelo excelente texto Truda!!! Um ótimo resumo de todo o processo!!!


    1. Abilio Soares Gomes diz:

  15. Marc Dourojeanni diz:

    Só a gente que realmente conseguiu estabelecer unidades de conservação sabe da inacreditável, difícil e solitaria luta que é conseguir fazer algo, especialmente para separar áreas naturais para a sua conservação ou para seu aproveitamento futuro. Os logros, suados e agonizantes, jamais são como os proponentes desejam, mas, é o melhor que se pode no mundo real. Claro que todos os “ecologistas” acadêmicos que não fazem nada mais que escrever, com financiamento do governo que criticam e, após poucos dias de campo, ficam comodamente sentados nas suas poltronas enfrente do laptop, acham que o conseguido é pouco, que não é suficiente. É verdade que é pouco e que não é o suficiente. Mas, se algum dia eles, esses que criticam, tem que dar a luta que os que conseguiram esse sucesso fizeram, se converteram em pessoas humildes e , acima de todo, respeitosas.


    1. Geraldo Jr. diz:

      Que beleza! Agora o Dr. Dourojeanni desmerece os pesquisadores brasileiros! A ciência, então, vale nada neste país.
      Parabéns a todos!
      Continuem levando este país ao penhasco!


      1. Maria tereza diz:

        Geraldo você foi grosseiro e ignorantemente sobre as opiniões de um dos maiores cientista vivos, o doutor com PhD e mais de vinte livros publicados, foi você presidente da UICN R com argumentos científicos conseguiu criar milhões de hectares na Amazônia. O que fez você?


        1. Maria tereza diz:

          sou meio cega. O Doutor Dourojeanni foi vice presidente da IUCN e criou varios Parques Nacionais na Amazônia. E doutor Honoris causa de algumas Universidades e você Gustavo quem é?


          1. Caique de Souza diz:

            Realmente são pessoas muito humildes. Desqualificam quem tem opiniões contrárias. Típico desse governo com raizes na ditadura militar dos anos 70.


          2. Abilio Soares Gomes diz:

            Sugiro que leia a matéria da BBC e pesquise o CV dos pesquisadores entrevistados: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43498210


        2. Abilio Soares Gomes diz:

          Em relação às questões marinhas, o Dr. Marc não é nem de longe a pessoa mais indicada para opinar, em que pese sua contribuição para a conservação ambiental. Com certeza que ele sabe muito bem disso. Quanto a afirmação que faz sobre os acadêmicos ficarem sentados em suas poltronas, mostra que ele realmente não conhece os pesquisadores marinhos deste país. A gama de conhecimento que temos atualmente é fruto de intenso trabalho de campo, financiado sim com verbas as mais diversas, incluindo verbas governamentais, ou seja dos nossos impostos, e não de donos momentâneos do poder. Esse parte da crítica mostra que apesar do seu extenso CV, o Dr. Marc não entende integralmente o que seja cidadania.


    2. Abilio Soares Gomes diz:

    3. Abilio Soares Gomes diz:

      Sua análise é como a zona entremarés. Leia um análise abissal para falar melhor sobre o assunto: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-43498210


  16. Everardo diz:

    "…e essa – a orientação ideológica do atual governo – é uma das principais razões pelas quais estamos vendo brotar ferozes críticas às novas UCs em alguns grotões das redes sociais e setores da academia, além de entre a habitual malta de ecochatos de ocasião: o atual governo não se encaixa nos padrões ideológicos da cumpanherada." Os comentários do pessoal com ataque de pelanca comprova justamente isso que o Truda falou.


    1. Abilio Soares Gomes diz:

  17. Camila diz:

    "Com tudo isso, a presidência de Temer e a segunda gestão de Sarney Filho à frente do Ministério do Meio Ambiente vão passar, sim, à História como um dos melhores governos para a conservação da biodiversidade…"
    Eu não li isso. É muita ignorância.
    É mais. É burrice desse senhor.
    Uma vergonha que O Eco tenha um colunista como esse.


    1. Abilio Soares Gomes diz:

  18. Maria tereza diz:

    Querido Truda
    Ótimo artigo e bem ponderado. Mais de 10 milhões de hectares de UCs de uso indireto é fenomenal.
    Das APAs muito flexíveis me abstenho de falar.
    Se me permite uma pequena correção: decretos de criação não caducam, como você mencionou a respeito de uma EE. o que caduca e decreto de desapropriação.
    Truda a impressão que tenho é que muita gente nem sabe o que significam milhões de hectares.
    Claro que nós queríamos mais. O futuro está à disposição de quem quiser lutar por mais.
    Meus parabéns a Angela K da Rede pro UCs que lutou demais , a você que dedicou toda sua vida ao mar e a muitos outros que realizaram, não obstante todas dificuldades este feito magnífico. Palmas, palmas e mais palmas,


  19. Ebenezer diz:

    Só de falar mal da Marina, esquerdista e eco-chatos já achei bom!!! No entanto, ainda acho que, operacionalmente, a fiscalização dessas áreas não acontecerá de fato. Novamente mencionando a Osmarina, ela tb criou um monte de UCs enormes na Amazônia, melhorando o "gráfico de áreas protegidas", mas sem dotar tais área de ferramental adequado de gestão, confiando na própria inacessibilidade dessas localidades para garantir sua proteção.


    1. Abilio Soares Gomes diz:

  20. Andrea Ferrari diz:

    Parabéns!!!!! Pela luta e pela resposta aos malas…


  21. Luís Campanha diz:

    Leviano e marqueteiro, não necessariamente nessa ordem.


  22. Raimundo Nonato diz:

    Que baita cara de pau deste jardineiro de apartamento.


    1. Silvana diz:

      Raimundo, não sei onde o Truda atua como jardineiro, mas como “ indignado” – como também se auto-define acima – ele é excelente, suas críticas caindo afiadas na jugular dos silentes e dos “críticos de obras feitas”.