Carlos Bocuhy
Carlos Bocuhy é presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam)

A sabotagem governamental ao Sistema Nacional das Unidades de Conservação

Carlos Bocuhy
quarta-feira, 15 julho 2020 19:51
A Lei do SNUC completa esta semana 20 anos. Acima, o primeiro parque do país, Itatiaia, criando em 1937. Foto: Duda Menegassi.

O Brasil possui dimensões continentais. No site do Ministério do Meio Ambiente consta que a nossa variedade de biomas reflete a enorme riqueza da nossa flora e fauna, que se traduz em mais de 20% do número total de espécies da Terra, elevando o Brasil ao posto de principal nação entre os 17 países com maior biodiversidade do planeta.

A constatação da nossa variedade biológica não é algo novo. Durante o século XVIII e XIX, muitos viajantes naturalistas já contribuíam para o seu conhecimento. Em sua passagem pelo Brasil, há quase 200 anos, Charles Darwin se encantou com a biodiversidade brasileira. Ao mesmo tempo que mergulhava na natureza exuberante, Darwin chocava-se com a realidade da escravatura.

Essa percepção e sensibilidade, demonstradas por Darwin sobre a vida e suas relações mútuas, evoluiu pelos caminhos da civilização. No entanto, embora tenham sido estabelecidos inúmeros princípios e normas voltadas para a conservação biológica, ainda falta muito a fazer para que consigamos garantir o respeito à vida, em todas as suas formas, e reconhecer, na prática, o seu direito à existência, indo além das visões antropocêntricas.

A operacionalização deste arcabouço depende de instrumentos legais adequados. No caso brasileiro, um dos marcos mais importantes da legislação ambiental brasileira, que diz respeito à proteção das áreas com ecossistemas relevantes e frágeis, foi a criação do Sistema Nacional das Unidades de Conservação (SNUC), por meio da Lei nº 9.985, de 2000, uma notável e abrangente iniciativa legislativa para complementar leis isoladas e construir um sistema único, para a gestão de espaços territoriais protegidos.

A Lei do SNUC completa esta semana 20 anos. A partir da implementação da lei, foram instituídas mais de uma centena de Unidades de Conservação (UCs). Um vasto território como o do Brasil exigirá, sem dúvida, a ampliação desta proteção. Basta focar uma região bastante antropizada, como o Estado de São Paulo, onde estudos do Programa Biota-Fapesp apontam não só a necessidade de ampliar a conectividade e os corredores ecológicos, mas também a ampliação das áreas a serem protegidas por Unidades de Conservação.

Mas o que salta aos olhos na atualidade, para além das porções de ecossistemas naturais que ainda devem ser contempladas, é com que efetividade essas áreas já mapeadas e com mecanismos de proteção instituídos estão sendo implantadas e geridas pelas autoridades responsáveis. Desde 2019, na gestão de Jair Bolsonaro, essas unidades enfrentam tempos difíceis. A manutenção da vida e das espécies no Brasil não é prioridade deste governo. Pior, nota-se a sabotagem explícita dos instrumentos de gestão instituídos para proteger importantes territórios.

“A boa gestão política para as unidades de conservação é garantir a continuidade de sua evolução, conforme desenhada com a criação da lei.”

A gestão das UCs não é um processo estático. É dinâmico, pois comporta a compreensão de espaços territoriais cuja importância já foi reconhecida desde sua constituição. Pelas próprias características, essas unidades necessitam de cuidados que não podem ser paralisados e sabotados. Sua gestão não pode retroceder, sem falar que o processo de criação de novas UCs não deve ser interrompido nem prejudicado.

A boa gestão política para as unidades de conservação é garantir a continuidade de sua evolução, conforme desenhada com a criação da lei. Estes espaços, ao longo dos anos, buscam uma gradual ampliação para atingir metas. A preservação destas porções do território brasileiro especialmente protegidos não admite retrocesso.

Infelizmente os fatos, relatos e matérias de imprensa vêm demonstrando desvios que precisam ser freados, retomando o espírito evolutivo que é a essência do SNUC. Um exemplo negativo é a tentativa de criar filtros no âmbito legislativo para dificultar a criação de novas unidades de conservação. Essa sabotagem da Lei do SNUC é nefasta para o meio ambiente e a biodiversidade brasileira. Outra forma de sabotar a proteção destes espaços é permitir atividades incompatíveis com a proteção ambiental, como as tentativas de liberação de exploração petrolífera em regiões de maior fragilidade ambiental, como Abrolhos, na Bahia. Felizmente houve uma fuga dos investidores que perceberam o risco ambiental envolvido.

Talvez o ataque mais frontal e com os argumentos mais absurdos foi a anunciada tentativa de reduzir mais de 60 unidades de conservação, ou ainda, efetuar a “revisão” de várias delas. Segundo declarações de Bolsonaro à imprensa, o objetivo seria ‘‘eliminar interferências com estruturas existentes e dar segurança jurídica para os empreendimentos, como estradas federais, ferrovias, portos e aeroportos”. Na verdade, a proposta geraria, em função de nossos dispositivos constitucionais, uma grande insegurança jurídica.

Nesta semana, a Associação do Servidores do Ministério do Meio Ambiente (Assemma) oficiou o TCU sobre a inépcia instalada no Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), apontando mais elementos negativos na gestão do ministro Ricardo Salles, que consiste em uma verdadeira sabotagem dentro da estrutura e funcionamento da Secretaria de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Na mesma linha, em sucessivas manifestações e representações, oito ex-ministros de meio ambiente e centenas de organizações não governamentais vêm apontando a fragilização dos braços executores do MMA, como o Ibama, responsável pela fiscalização, e o ICMBio, responsável pela gestão das UCs.

“A área ambiental brasileira precisa retomar a normalidade, diante dos descaminhos impostos por Bolsonaro e Salles.”

A área ambiental brasileira precisa retomar a normalidade, diante dos descaminhos impostos por Bolsonaro e Salles. Não há como avançar na implementação do SNUC sem resolver o descalabro do sucateamento do Sisnama, que vai desde a eliminação e a minimização dos sistemas de gestão participativa, afetando planos de manejo de UCs, seus conselhos gestores e seu estrangulamento financeiro, assim como o apoio a iniciativas legislativas que visam anistiar a grilagem dentro de UCs, colocando em risco populações indígenas.

O tempo não é sinônimo de evolução. A lição moral que Darwin nos legou, em suas memórias sobre o Brasil, continuam sem solução. A escravidão hoje se cinge do manto da vulnerabilidade social das comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas. A visão da ciência e a capacidade de compreender a necessidade de estabelecer mecanismos de proteção, diante dos territórios ecologicamente relevantes e vulneráveis, cederam lugar à moeda de troca, às vistas grossas e à devastação para angariar apoio político.

Em lugar de sabotar os mecanismos de proteção, é preciso fortalecê-los. Em vez de reduzir ou extinguir UCs, é preciso dotar de meios institucionais e de gestão as pré-existentes, além de mapear e ampliar outras áreas, em conformidade com o crescente conhecimento da dinâmica ecológica. É preciso acabar com este processo de impunidade e responsabilizar os atores políticos que vem sabotando a Lei do SNUC, contra os princípios da boa administração pública.

 

As opiniões e informações publicadas na área de colunas de ((o))eco são de responsabilidade de seus autores, e não do site. O espaço dos colunistas de ((o))eco busca garantir um debate diverso sobre conservação ambiental.

 

Leia Também 

 

37 comentários em “A sabotagem governamental ao Sistema Nacional das Unidades de Conservação”

  1. "Desde 2019, na gestão de Jair Bolsonaro, essas unidades enfrentam tempos difíceis."
    Essa frase é de uma desonestidade impressionante. Tem certeza que os tempos difíceis pras unidades de conservação começaram em 2019? É por esse tipo de coisa que esses colunistas não tem relevância no que falam. Não conseguem se ater em fatos por politicagem.

    Responder
  2. Não só, mas notoriamente na gestão ambiental do país, levantamos hoje o carpete do tempo e apontamos todo o lixo acumulado em mais de 500 anos de má gestão de nossos recursos (naturais, humanos, culturais) e acusamos os atuais protagonistas como se fossem os únicos culpados. Isto é, no mínimo, leviano. A velha fórmula de focar a atenção pública em descobrir culpados, isenta acusadores de sua parcela de responsabilidade e mantém a inércia na busca de soluções. O SNUC demorou mais de uma década para ser aprovado e já nasceu carecendo de melhorias. Hoje se mostra inconsistente com a realidade. A galopante criação de unidades de conservação sem qualquer projeção de real gestão só criou insegurança jurídica e social. Em muitos casos estimulou a rápida depredação por parte de quem temia perder as terras. O estado deve assumir a responsabilidade solidária pela conservação das áreas decretadas como protegidas e pela garantia da estabilidade social também dos grupos afetados pela intervenção.

    Responder
  3. Criaram as UCS em cima de propriedades em processo de titulação a mais de 30 anos e nunca idenizaram os produtores, e tratam eles como se fossem grileiros, e uma vergonha isso que a Marina Silva e o Lula fizeram… deveria ter uma lava jato sobre isso para saber aonde foi parar o dinheiro dos créditos de carbonos

    Responder
  4. Não se deveria poder criar UC de proteção integral sem uma porcentagem mínima de verba para indenizações (justas, sem superfaturar nem sacanear o proprietário) já garantida, digamos 75%

    Responder
  5. Não resta dúvidas de que a gestão ambiental no país acumulou diversos déficts, não apenas devido à atuação das instituições ambientais do país, mas toda uma conjuntura histórica. Realmente precisamos ter clareza nisso e nas consequencias desse processo sobre a sociedade e os desafios atuais e futuros. Mas, usando o clamor anterior sobre "honestidade" intelectual, peço encarecidamente que apontem qual foi o grande avanço institucional apresentado pelo presente governo. Lotar o ICMBio de policiais militares sem treinamento específico na questão? Enfraquecer a presença de equipes no campo e colocar a fiscalizão ambiental subordinada ao Exército em operações caras, paquidérmicas e sem resultado efetivo? Peço que apontem, por favor, como o atual governo trouxe avanços à proteção do patrimônio biológico brasileiro, à segurança institucional e ao protagonismo do Brasil na questão ambiental em todo o mundo. Com honestidade, por favor… A lógica desse governo é usar remédio sem efetividade contra os males, jogar a culpa em fantasmas para assustar bobinhos (tipo o "marxismo cultural") ou matar o paciente para eliminar com a doença.

    Responder
    • Usando honestidade também, qual foi a grande perda em números em relação aos indicadores das unidades? Apontar o que vc disse genericamente é fácil. Por exemplo, subordinar as ações ao exército trouxe qual dado negativo?
      Aguardando…

      Responder
      • https://www.oeco.org.br/reportagens/desmatamento-

        Acho q esses dados,por exemplo, respondem sua pergunta, Zé Roberto. Mas não se engane, o buraco é muito mais embaixo. Os danos q esse governo vem causando à gestão das UCs e à gestão ambiental vão perdurar por muito tempo, principalmente porque os líderes ecoam um discurso sem pé,cabeça ou qqr conexão com a realidade, de que a conservação da natureza é desnecessária e mesmo nefasta.

        Responder
    • "qual foi o grande avanço institucional apresentado pelo presente governo?" NENHUM, aliás, perdeu-se a chance de fazer uma ruptura com o discurso politicamente correto E ineficaz dos governos anteriores. Qual foi o grande avanço institucional dos anos Marina/Minc e cia? Rachar o Ibama no meio via MP? Fechar vários escritórios do Ibama no interior? Liberar Belo Monte, Sto.Antônio e Jirau? Desmatamento recorde de 2004…essas áreas foram recuperadas? UCs criadas sem estrutura, com situação fundiária um caos, Planos de Manejo que demoram décadas pra sair? Agora, responda com resultados FINALÍSTICOS, não me venha com respostas tipo "maior diálogo popular" que pra mim isso é só pra enganar trouxa e vender licença pra empreiteira!

      Responder
      • LA partir de 2004 as taxas de desmatamento no Brasil despencaram e temos q relacionar esse fato com as ações das gestões. Apesar dos problemas citados, Ebenezer, com muitos dos quais concordo, bão é verdade q as gestões Marina/Minc não fizeram nada: Deter, aumento, valorização e capacitação do quadro de servidores, apoio à gestão participativa, qualificação da fiscalização, etc. O governo atual está desmontando tudo q foi construído e não está corrigindo os eeros do passado, pelo contrário está intensificando-os. Esse governo sempre pregou abertamente a destruição da gestão ambiental brasileira, pq achar q seria diferente? Agora tem q aguentar as consequencias …

        Responder
  6. A questão ambiental sempre foi tratada com descaso em nosso país.
    Com uma boa gestão, as UC's são capazes de gerar lucros, que é o que eles querem, ciência, turismo ecológico, são capazes de alavancar a nossa identidade ambiental. Que por mais que conseguimos crescer um pouco. Ainda somos carentes de interesses está a mais de 500 anos.

    Responder
  7. Não é verdade que o descaso com o Meio Ambiente seja dessa gestão atual. Ocorre que “ os tempos difíceis” referido no artigo em referência a respeito das
    Unidades de Conservação pode ser evidenciado diante da negligência pelo governo anterior do cumprimento do SNUC pelos órgãos ambientais e gestores das UC,s. O fato é que o SNUC já era sabotado por esses gestores em nome de uma falsa sustentabilidade para privilegiar a companheirada com a implantação de empreendimentos irregulares . Nesse aspecto, cabe ao Ministério Público , a defesa do meio ambiente equilibrado para as gerações presentes e futuras frente a má atuação das unidades gestoras das Unidades de Conservação em todo o Brasil.

    Responder
  8. O pior é que todos, todos vão pagar pela inépcia, descaramento e picaretagem desse governo. A questão ambiental há algum tempo deixou de ser bla bla bla porque as consequências já estão sendo entregues e são de dimensões globais. E não adianta falar que os governos anteriores isso e aquilo enquanto os satélites e a ciência continuarem evidenciando a destruição provocada pelos discursos ações e omissões desses incompetentes q nos governam hoje.

    Responder
  9. So para lembrar que o desgoverno do miliciano não queria o Ministério do Meio Ambiente e sim Meio Ambiente e Agricultura falava também que o Ibama julgava demais chamando de fiscalização xiita.Lembrando que o miliciano presidente foi pego pescando em área proibida – estação ecológica de Tamoios na Baía da Ilha Grande- foi multado recorreu e exonerou o fiscal.So pra lembrar que querem explorar petróleo em Abrolhos e que Salles foi condenado por adulterar o zoneamento de uma área protegida para beneficiar mineradoras.Nao estou defendendo governos anteriores mas analisando as atitudes deste desgoverno.

    Responder
  10. Essa discussão está ultrapassando o verdadeiro objetivo de se analisar o SNUC . Em que pese o governo anterior ter destruído o meio ambiente nos treze anos que permaneceu no poder não será do dia para a noite que o governo Bolsonaro vai conseguir que as unidades de conservação sejam no mínimo conservadas. Contra fatos não há argumentos!!! Essa estória de colocar na conta do atual Ministro as consequências do desgoverno petista se trata de contradição a vista da recente entrevista de Aldo Rabelo sobre a questão ambiental no governo do PT. Assim , resta aos nobres defensores das políticas ambientais do governo anterior reconhecerem que o erro vem bem antes dessas constatações e que não basta atacar o Presidente Bolsonaro mas reconhecer que o Brasil está mudando para melhor em todos os sentidos!

    Responder
    • Tete, durante os governos PT e PSDB houve, na gestão ambiental federale das UCs, muitos problemas, sim, mas houve tb avanços. O próprio SNUC é um desses avanços, ao qual podemos somar a criação de diversas UCs, a realização de concursos q dotaram os órgãos federais de meio ambiente de pessoal com qualificação e comprometimento altíssimos, a gestão participativa se consolidou nos diversos conselhos em q a sociedade pode fazer parte da gestão ambiental, a qualificação da fiscalização, o DETER, entre outros. Resultado dessas políticas, a partir de 2004 os índices de desmatamento começaram uma queda significativa. O atual governo iniciou sua gestão com compromissos de não criar mais UCs, acabar com a indústria da multa e siversas outras falas de desqualificação da importância da conservação da natureza. O resultado são recordes de desmatamento e queimadas em 2018 e 2019. Tete, com base em que vc acredita q esse governo tem sido melhor ou tem atuado para melhorar a gestão ambiental brasileira? Qual avanço na gestão das UCs esse governo atual conseguiu ou pelo menos ensaiou? Eu só vejo retrocesso.

      Responder
        • Não sei a porcentagem de analistas ambientais com cabeça de vento. Mas sei q a partir de 2002, com os concursos e acesso desses analistas ao Ibama, MMA e ICMBio, a gestão ambiental federal deu um salto positivo enorme. Veja os avanços na gestão das UCs: planos de manejo, conselhos consultivos, diminuição dos desmatamentos, aumentos na visitação e arrecadação. Espero q vc, AA 10%, caso seja um desses analistas ambiental, tenha contribuído para estes resultados.

          Responder
  11. Excetuando as opiniões sobre o governo atual e anteriores, os comentários dos leitores trouxeram várias informações verdadeiras e relevantes. O comentário do Augusto é pertinente ao dizer que os problemas das UCs são anteriores ao atual governo, mas a explicação veio no comentário do Geraldo, quando diz que é fácil apontar os culpados que isenta os acusadores de sua parcela de responsabilidade no estrago e mantém a inércia na busca de soluções. A galopante criação de UCs só criou insegurança jurídica e social, completa Geraldo. Será que quem defende as UCs criadas sem critério, numa posição legalista cega, manteria essa visão se tivesse que arcar com dinheiro do próprio bolso as desapropriações, ao invés de socializar com a pobre Nação Brasileira em uma área gigantesca? Os legalistas cegos nem sequer discutem se foi errado incluir propriedades particulares nessas UCs e nem estudam maneiras legalizadas para proteger o meio ambiente através de parcerias com as pessoas do local, que chegaram antes. Essa é uma política mundialmente aceita, exceto aqui. Sim, cabe ao Estado, como diz Geraldo, assumir a responsabilidade desse erro e buscar parcerias solidárias pela garantia da estabilidade social dos grupos afetados, até porque o processo até hoje não garantiu nem a estabilidade ambiental dessas áreas protegidas. Tudo indica que a inclusão seria mais bem sucedida inclusive na parte ambiental, pois é um equívoco acreditar que a exclusão de comunidades garante proteção e que sua presença é uma ameça às UCs. Isso está bem próximo de um dogmatismo extremista ou de alguma outra razão oculta que cabe a todos perguntar qual é. O monopólio de proteção do meio ambiente, no mundo atual, não pode pertencer a um seleto grupo de iluminados servidores públicos, às custas do erário público, que são enviados a esses locais com a triste missão de Tropa de Choque Ambiental, perseguindo indistintamente as pessoas, não tendo misericórdia alguma nem de caiçaras, idosos ou crianças. Para justificar tais atrocidades, encaminham histórias completamente fora da realidade para uma parte bem distante do país, com o objetivo de obter indiscriminadamente despachos de ordens injustas, sem o menor cuidado de avaliarem a situação do local. Apesar que muitas vezes isso já chega em mãos previamente escolhidas de pessoas que seguem o mesmo dogmatismo extremo. A partir do comentário do Geraldo a discussão perdeu o foco, voltando uns a acusar o governo e outros a enaltecer os anteriores, e deixando de discutir o efeito da lei do SNUC na população brasileira e a conflituosa criação de UCs que desbaratinou a vida de milhares de famílias. Telma Teixeira faz um alerta interessante, onde em muitas UCs o foco é a busca de empreendimentos comerciais suspeitos, ou seja, o interesse não é ambiental, mas econômico e mais uma vez, daqueles que deveriam ter só interesse ambiental. Vale investigar. A leitora Tete reforça a perda de foco de analisar a lei do SNUC e também rechaça a altives dos que criticam a atual política, como se na época deles tivesse sido tudo perfeito. Resumo: não existiu sucesso algum anterior, apenas a produção de toda sorte de infelicidade atingindo pessoas comuns que viviam suas vidas ordinariamente, assim como não haverá sucesso algum posterior se essa política desastrosa não for revista e não for retirada das mãos de ambientalistas radicais que agem com a presunção de autoridade máxima, mas sem nenhum envolvimento emocional ou financeiro com os objetivos que perseguem, cabendo todos os seus desmandos às custas dos cofres públicos numa infinda disputa sem diálogo com as partes.

    Responder
    • Infelizmente, Anastácio de Sá, sabotar o SNUC não vai resolver o problema da regularização fundiária das UCs q ainda apresentam essa pendência. O plano em execução dessa gestão, de desestruturar o SNUC, vai agravar esse problema arrastando-o por mais tempo.

      Responder
      • Anastácio de Sá não defende a sabotagem da lei do SNUC, mas adotar uma política coerente para questões fundiárias e o que isso causa nas famílias que foram sabotadas nas suas histórias de vida que estavam antes das UCs chegarem. Faltou verificar, de acordo com o SNUC, os institutos possíveis de constituição de áreas protegidas, se as pessoas podem ser incluídas no lugar de excluí-las. Isso colocaria todas essas famílias como aliadas das UCs. Alguns países copiaram a lei do SNUC onde se prevê acomodação dessas populações numa forma harmoniosa, sem que se crie conflitos fundiários que se arrastam por décadas. As recomendações atuais reforçam essa visão de acolhimento, pois na maior parte dos casos, a área mais protegida é justamente onde havia a presença humana e a retirada das pessoas veio acompanhado de perda de proteção ambiental. A imposição dessa política ignora o fator humano, cuja perda é claramente negativa tanto para a UC quanto para proteção ambiental. Se fizerem uma revisão dessa política, como Sá propôs, não está indo contra a lei do SNUC, está indo na sua direção.

        Responder
        • Anastácio de Sá defende, como forma de resolver os problemas fundiários, a retirada dos ambientalistas radicais da política ambiental. Anastácio de Sá não esclarece para as mãos de quem a política ambiental deveria ir. Isso não é proposta de nada, percebe, Duceux Duceux? É o mesmo discurso sem pé nem cabeça que vem sendo aplicado por esse governo no desmonte da política nacional de meio ambiente e do SNUC, que só encontra eco no ódio de rancorosos (com razão ou não). Totalmente de acordo que a regularização fundiária das UCs é problema importantíssimo e um dos prioritários a serem resolvidos e que os governos anteriores não evoluíram nem perto do satisfatório nesse tema. Mas o governo atual anda para trás, não só nesse, mas em diversos outros temas afetos à gestão das UCs no Brasil: em vez de fortalecer a proteção, desqualifica-a; em vez de promover a gestão sócio-ambiental, abre mão de recursos que vinham do exterior para implementar essas políticas. E na questão da regularização fundiária, em vez de apresentar uma proposta, faz discursos para desafetar UCs em conflito, mesmo sabendo que isso é muito difícil, mesmo impossível, considerando o contexto atual. Ou seja, em vez de atacar os problemas, faz-se discursos de ódio que só servem para cooptar rancores e capitalizar o governo politicamente, sem resolver nada, só atrasando tudo e sabotando o que já foi feito. Atraso!

          Responder
          • Sim José, seus pontos são importantes. Ambientalistas radicais se colocam na mesma posição do governo radical que atacam. A política ambiental tem que buscar parcerias com todos os envolvidos, não ficar apenas de um lado, porque senão ficamos sempre em dois extremos e só resta escolher qual radical queremos do nosso lado. Se a desafetação das UCs reduzir a proteção ambiental, não deve ser feita. Se a afetação incluiu áreas que não deveriam ter sido incluídas, mas podem ser revistas dentro da lei do SNUC, com seriedade, sem comprometer a proteção ambiental e com a participação de todos, isso ajudaria muito. Se a afetação incluiu áreas que não estão sendo recuperadas florestalmente para preservação da biodiversidade, mas apenas para açambarcar patrimônio com interesses econômicos nada ambientais, algo está bem estranho aí também, como disse um leitor acima. O que não pode acontecer é achar que antes tudo era perfeito, e que o governo brasileiro terá recursos para cuidar de áreas territoriais gigantescas sem a participação dos demais envolvidos, política que não é recomendada mais em lugar nenhum do mundo exceto aqui. Os ambientalistas radicais na sua visão cega e legalista, possuem também um discurso nada convincente e sem pé nem cabeça, totalmente de exclusão e ao invés de exercerem suas funções, vivem uma disputacontra todos que não pensam como eles, pedindo sacrifícios às famílias e ao governo que eles mesmos jamais fariam. A lei do SNUC prevê vários caminhos e permite corrigir erros, com avaliações técnicas precisas, com inclusão e participação de todos e da sociedade civil, ali não está escrito que só há um caminho para seguir, que é o de passar um trator sobre a vida das famílias sem considerar seu potencial no processo. Governos vão e vem, mas o que interessa são princípios, uma visão do todo. Grande parte do que acontece hoje com a péssima implementação de UCs sem recursos e sem inclusão, justifica o discurso de desmonte. Está na hora de fazer um mea culpa, porque não há um antes e depois, há um processo fácil de ser visto como falho e há maneiras de consertar isso, o problema é que ninguém quer abrir mão da sua posição e nem consertar nada, apenas continuar atormentando quem não merece ser atormentado. Afinal, que radicais quremos do nosso lado? A resposta é: nenhum. Queremos bom senso e coerência para alcançar o objetivo que desejamos: a preservação do meio ambiente, fundamental para tudo.

          • Duceux Duceux, essa figura do ambientalista radical, lançada pelo Anastácio de Sá na conversa, faz parte de um discurso inútil que não avança pra lugar nenhum, só serve para alimentar ódio, rancores e esse governo inepto e desonesto que se alimenta de… Ódio e rancor. Então, como querer falar de bom senso, se seu argumento está baseado em ódio, rancor e abstrações furadas?. A coluna que comentamos fala da sabotagem do SNUC pelo atual governo, que tem implementado ações bem reais e concretas para destruir o pouco q foi construído nem gestões passadas e não propõe criar nada razoável ( ia escrever só nada, mas lembrei da Cancun de Angra dos Reis). E aí o q devemos fazer para combater essa destruição de fato q o atual governo vem tentando implementar? Acusar os governos anteriores? Criar um boneco de Judas chamado "ambientalista radical" pra bater? Não me parece razoável.

  12. A situação está crítica em todos os lados, a empresa terceirizadas " MGs" de Minas Gerais que administra hoje as "UCs" também é um problema! Pois classifiquei, passei no concurso para Guarda Parque Motorizado na Cidade de Conceição do Mato Dentro na Serra do Intendente. Tinha 2 vagas para o concurso de la, que era para cargo efetivo, isso foi em 2014, A empresa "MGS" não chamou, convocou ninguém dos que passou. Sendo que o edital tinha vagas, gastei meu dinheiro e tempo, não me devolveram o dinheiro que gastei, quer dizer para no final dar em nada, fui enganado. E no ano seguinte já abriram outras novas vagas, só que passou a ser processo seletivo. O bicho tá é pegando no Brasil em todo lado.

    Responder

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.