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O Ecotrip

Este site é bem informado, mas ainda precisa de muito para ter sentido e criar mais interesse pelo meio ambiente. Podia começar contratando um publicitário.

16 de setembro de 2004 · 20 anos atrás

Jornalista adora criticar a criatividade dos publicitários, questionar a veracidade das informações disparadas por eles, dizer que todos se comparam a deuses e etc. Pura inveja. Só porque eles podem mentir sem citar fontes e ainda ganham rios de dinheiro com isso.

Como cada macaco deve viver no seu galho, me atrevo a dizer que a seção Ouça o Eco, por exemplo, jamais seria o que é se o espaço fosse liderado pelos deuses da criação. Eles jamais perderiam a oportunidade de deixar os leitores viciados nos bastidores de uma redação. O problema é que para atingir este objetivo, talvez tivessem que apelar para conversas de banheiro masculino, fugindo completamente do “conceito” do projeto.

Então, numa vã tentativa de descontração, para não deixar a sala de Ouça o Eco vazia, Marcos Sá Corrêa, Manoel Francisco Brito e Sérgio Abranches debatem o que será divulgado no Quem Somos e publicam o bate-papo. O que desperta a curiosidade das pessoas para o que rola por trás das cortinas é a intimidade e o movimento incessante que esse formato de comunicação traz. Ali, no Ouça o Eco, a coisa ficou diferente. Ao invés de “venha brincar com a gente”, a coisa passou para “venha ver a gente brincar”.

No texto final de Quem Somos, O Eco diz se interessar particularmente pelas pessoas que falem pelos bichos, plantas e outras “criaturas” que não têm voz na política e nos meios de comunicação. Estas criaturas são comumente chamadas de gente ou povo e representam 99% da população do país.

No link Fotografia, depois de um texto poético demais, Marcos Sá Corrêa diz que a seção nasceu para mostrar que a fotografia também é um instrumento de conservação da natureza. “Foi com ela que o mundo abriu os olhos para lugares que antes não via”. Depois de ler essa apresentação, o leitor encontra 16 fotografias marinhas de Carlos Secchin.

Isso é propaganda enganosa, muito confete para pouca festa. Se eu fosse o Secchin, não estaria satisfeita. Mas, ele é do time dos artistas, tribo de criaturas que não têm voz na política e nos meios de comunicação de um país como o nosso. O sujeito que vê as fotos da página de abertura do site, espera encontrar uma seção de fotos à altura.

As Reportagens e Entrevistas são cansativas para quem está começando e prato cheio para quem já é do ramo. Uma faca de dois gumes. O assunto já tem fama de chato por causa dos xiitas. Falta tato para conquistar o leitor que ainda não considera o meio-ambiente vital. Não é tarefa fácil.

Os assuntos não são leves e ainda não fazem parte do leque de temas que mais interessam a nação. Se O Eco fosse só uma agência de notícias, tudo estaria perfeito. Como eu parto do princípio que um dos objetivos do site é despertar o leitor para uma nova realidade, sinto falta de elementos que “quebrem” o texto e tornem a leitura menos maçante. Falta o tato. Tenho a sensação de que estamos disparando informações sem valorizar a importância da forma.

Li os textos novos do Ouça o Eco. Continuo sem atingir o propósito. Que vantagem Maria leva? Não faz mais sentido investir num forum, num blog? Acho que aquilo só vai ficar “quente” quando as pessoas puderem abrir a boca. Mesmo que sejam engolidas. Se ainda não há tempo para isso, então vamos explicar melhor o que é aquilo. Manoel Francisco Brito não perde as esperanças. Além de subentender que o público de O Eco fala inglês fluente, ele esquece que nem todos são leitores compulsivos. Até ontem, ele não deixava de mencionar que todas as leituras por ele sugeridas não tomavam muito tempo. “leitura de no máximo 3 minutos”. Resolvi comentar porque achei engraçadinho. A sensação de pressa me divertia. Mas, como ele lê a minha coluna antes dela ser publicada, tirou seu cronômetro do ar rapidinho.

Na ala dos Colunistas: Um de chapéu, um casal em foto PB, do tipo álbum de família americana (estudei em Harvard), um outro com uma barbicha tipo forum, eu com cara de quem está com uma presa entre os dentes (coisa bem selvagem), outro de suspensórios ou alças de uma mochila (alguém deve ter dito par ele mandar uma foto ambientada e ele caiu que nem pato). Enfim, um verdadeiro zoológico, gente que decidiu falar por bichos, plantas e criaturas.

A disposição em ordem alfabética é coisa de quem não sabe vender o que faz. É óbvio que Marcos Sá Corrêa, Manoel Francisco Brito e Sérgio Abranches deveriam estar no topo, atraindo as criaturas caladas. Publicitário nenhum perderia a chance de hierarquizar os colunistas.

Eu, Silvia, fico debaixo do Sérgio e me sinto muito bem amparada. Se alguém me criticar, digo: foi “esse moço ali de cima” que me contratou e me mandou escrever essas coisas absurdas.

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