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Votação para o plantio de cana na Amazônia é adiada, mas pressão continua

Sabrina Rodrigues
quarta-feira, 28 março 2018 18:58
Por enquanto está adiada a votação da PL 626/2011, que libera o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia Legal, proibido desde 2009. Foto: Petrov Escarião/Flickr.

 

A falta de quórum para a votação do Projeto de Lei do Senado (PLS 626/2011) fez com que o presidente da casa, o senador Eunício de Oliveira, adiasse a decisão sobre a liberação o plantio de cana-de-açúcar na Amazônia. Enquanto não se tem nova data para a análise do projeto, organizações socioambientais elaboraram formas de pressionar ainda mais as autoridades para que o PLS não seja aprovado.

A página “Amazônia sem cana”, lançada na terça-feira (27), recolhe assinaturas de repúdio ao projeto, que serão futuramente enviadas ao presidente da República, Michel Temer (MDB), e ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE). “Permitir o cultivo de cana na região, mesmo que em terras degradadas, é um erro. Significa acrescentar mais um motor ao crescente desmatamento. Para dar lugar à lavoura, a pecuária será empurrada para novas áreas, estimulando a devastação da floresta, a violência contra as populações locais e a injustiça social. Além disso, a área já liberada para a cana-de-açúcar no resto do país é do tamanho do território de Minas Gerais”, declaram as entidades, na petição.

Repercussão negativa

 

O plantio de cana-de-açúcar na Amazônia está proibido desde 2009, através de zoneamento agroecológico da cana, feito pelo Decreto 6.961. A inclusão na pauta do PL 626/2011, que muda esse Zoneamento, repercutiu negativamente no Brasil e no exterior.

Internacionalmente, várias organizações em defesa do meio ambiente se pronunciaram. A Fundação Di Caprio, do ator Leonardo Di Caprio, lamentou, na sua conta do twitter, que a aprovação do projeto será “trágico para as florestas do Brasil e para o clima”, e pediu para Michel Temer e Eunício de Oliveira que não permitam isso.

Na terça, senadores discutiram sobre a medida. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que considera o projeto um erro, prometeu  apresentar um requerimento para adiar a votação por 30 dias e obstruir a votação, se necessário. “É um retrocesso para o Brasil aprovar uma matéria dessa natureza. É um passo atrás não somente do ponto de vista ambiental, mas em especial do ponto de vista econômico”, disse.

Para se ter ideia da polêmica, até a União da Indústria de Cana- de-Açúcar (Única), que representa o setor canavieiro, se pronunciou contra o projeto. Para a organização a proposta representa um risco ao açúcar brasileiro no mercado internacional, já que a cana poderia ser associada com o desmatamento do maior bioma do país.

 

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