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Ricardo Salles anuncia que vai criar, com o BID, um fundo privado para a Amazônia

Em viagem aos Estados Unidos onde participará da Cúpula do Clima, ministro do Meio Ambiente anunciou criação de novo fundo junto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento 

Daniele Bragança ·
20 de setembro de 2019 · 7 anos atrás
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Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Ricardo Salles anuncia criação de fundo privado para a Amazônia, mas não detalha como ele funcionará. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil.

Em sua conta no Twitter, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou a criação de um fundo privado para a Amazônia junto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O ministro se reuniu na quinta-feira (19) com o presidente do banco, Luis Alberto Moreno.

Em um vídeo de 45 segundos onde apresenta a agenda da viagem, Salles afirma: “(Fomos) depois ao BID, aonde decidimos por criar um novo fundo para atrair capital privado e também de governos e aplicar nos temas ambientais, inclusive na parte privada”.

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Reprodução: Twitter.

Segundo a Folha, o ministro falou à imprensa logo após o fim da reunião, mas tanto Salles quanto o representante do BID não conseguiram detalhar quem cuidaria do fundo, qual seria o montante aplicado nem como seriam distribuídos o dinheiro para projetos na Amazônia.

Desde o início do novo governo, Salles defende o uso do Fundo Amazônia, hoje paralisado, para indenizar proprietários rurais que possuem terrenos dentro de unidades de conservação. Este é um dos principais motivos apontados para a interferência na gestão do Fundo que recebeu, em dez anos de funcionamento, cerca de R$ 3,4 bilhões de reais. Em julho, o comitê gestor foi extinto – o que acabou por paralisar o mecanismo gerido pelo BNDES.

Xô ONGs

O presidente Jair Bolsonaro já havia deixado claro, desde as eleições, que fecharia qualquer contrato envolvendo organizações da sociedade civil. O efeito colateral é que a paralisação do Fundo Amazônia prejudica diretamente os órgãos ambientais federais, estaduais e municipais, os maiores beneficiários do fundo.

A busca por um novo fundo, além de já deixar de fora as ONGs, permitiria uma governança voltada para os desejos do governo de ter maior controle sobre o dinheiro.

 

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  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

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