Na onda “a culpa é minha e eu coloco em quem eu quiser”, o presidente Jair Bolsonaro aproveitou que iria discursar na Cúpula da Biodiversidade, na ONU, para acusar “algumas” ONGs de comandar “os crimes ambientais no Brasil e no exterior”. Essa narrativa não é exatamente nova – Bolsonaro diz isso desde era deputado –, mas vem sendo repetido à exaustão desde que ele assumiu a faixa presidencial. Essas acusações mentirosas e incriminatórias, que já atingiram até mesmo o ator hollywoodiano Leonardo DiCaprio, viraram rotina para quem acompanha o que o presidente fala de perto. Em setembro, Bolsonaro chamou as ONGs ambientalistas “de câncer“ que ele não conseguia “matar”. Em 2019, afirmou que elas estavam por trás das queimadas na Amazônia. Provas? quem precisa delas.
O discurso de Bolsonaro é uma continuação tão desastrosa quanto seu primeiro vídeo enviado à ONU, na última semana, em que culpou indígenas e caboclos pelas queimadas na Amazônia numa sucessão de fakenews. (Duda Menegassi)
Leia também
Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar
Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.
Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.
Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.
Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.
Leia também
Na ONU, Bolsonaro culpa indígenas pelos incêndios na Amazônia
Presidente alegou que mantém “política de tolerância zero com crime ambiental’ e afirma que Brasil é vítima de "campanhas de desinformação" sobre a Amazônia e Pantanal →
Só 1% do orçamento foi destinado ao clima por candidatos a governador que buscam permanecer no poder na Amazônia
Em cinco estados da Amazônia Legal, candidatos à reeleição e políticos que assumiram o governo durante o atual mandato disputam a permanência no cargo. Apesar de todos citarem a agenda climática em seus planos de governo para 2026, juntos, os cinco governos empenharam apenas 1,3% do orçamento em despesas relacionadas ao tema desde 2023: R$ 6,4 bilhões, contra R$ 475 bilhões em gastos não relacionados ao clima →
Futuros governadores têm desafio de recuperar o Cerrado, berço das águas
As candidaturas ao governo dos estados receberam uma lista de propostas concretas para recuperar as bacias hidrográficas do bioma que abastece oito das doze grandes bacias do país →

Analfabetismo ambiental , mais má fé, resulta nisso. Um Presidente da República patético.