Na Mata Atlântica, ninguém é amigo da onça
Olhar Naturalista
Por aí com Darwin e uma câmera na mão

Na Mata Atlântica, ninguém é amigo da onça

Fabio Olmos
segunda-feira, 28 agosto 2017 22:54
Preocupadíssima com os 12 barcos e 50 turistas que estão me olhando. Foto: Fabio Olmos.
Cenas do Pantanal que gostaríamos de ver na Mata Atlântica. Foto: Fabio Olmos.

Durante meu mestrado, entre 1988 e 1990, trabalhei na então Fazenda Intervales (tornada parque estadual em 1995). Recém transferida do finado BANESPA para a recém-criada Fundação Florestal, sob a administração do banco a fazenda era uma unidade de conservação de fato, apesar do histórico de exploração de palmito para alimentar uma fábrica própria.

Meu caderno de campo registra conversa com o sr. Lima, no dia 24 de abril de 1988. “A área total é de 38.000 ha… A propriedade é guardada por 28 vigilantes. Há 26 anos não se caça na fazenda”. O perímetro da propriedade era protegido por bases como Quilombo, Saibadela, Funil, Guapiruvu, etc. para manter caçadores, grileiros e ladrões de palmito afastados.

Os muitos vestígios e encontros com onças-pintadas, antas, porcos-do-mato, muriquis, jacutingas e outras raridades, apoiavam o que dizia Lima. Intervales, colada nos parques estaduais de Carlos Botelho (por décadas protegido por um diretor linha dura e,como resultado, cheio de bichos), Turístico do Alto Ribeira (PETAR) e na estação ecológica de Xitué parecia a Mata Atlântica como deve ser. Um lugar onde você anda na floresta e vê bichos, e não a triste situação de floresta vazia que ocorre em lugares como Picinguaba.

Em uma das primeiras visitas nos mostraram os restos de uma mula morta por uma pintada. O gato usou a técnica padrão da espécie, perfurando o crânio com seus caninos. Também vi pegadas de uma pintada junto à piscina de uma das hospedarias. E, às vezes, encontrava as pegadas de uma onça sobre as minhas quando retornava pela mesma trilha. Um gato que, curioso mas invisível, me seguia.

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Preocupadíssima com os 12 barcos e os 50 turistas que estão me olhando. Foto: Fabio Olmos

Mas nunca vi uma onça-pintada em Intervales. Ou na Mata Atlântica. Só tive sorte quando visitei o Pantanal e, percorrendo a Transpantaneira à noite no banco traseiro de um Fusca, os faróis iluminaram um gato sentado no meio da estrada. Que nos olhou com o desprezo que só um gato pode expressar antes de desaparecer na mata.

Anos mais tarde, como milhares de outros turistas, tive a oportunidade de visitar as hoje famosas onças da região de Porto Jofre, no Pantanal Norte. O turismo de observação de onças é uma faceta de uma era onde experiências se tornam mais valiosas que compras,onde um gato vivo vale muito mais que um gato morto.

Vendo os gatos tranquilos na beira do rio enquanto dezenas de turistas tinham orgasmos fotográficos, me ocorreram duas coisas.

Décadas depois de países de primeiro mundo como o Quênia, Tanzânia, África do Sul, Índia e Nepal criarem em seus parques uma indústria turística baseada na observação de seus grandes gatos e fauna associada, finalmente temos um turismo baseado nas nossas onças-pintadas.

Mas será que algum dia teremos parques como os daqueles países?

Além de estrangeiros entre os visitantes, também havia muitos paulistas, como eu. O que me faz pensar porque nós não podemos ver cenas como aquelas às margens de rios paulistas como o Ribeira de Iguape, Paranapanema, Paraná ou Tietê.

A resposta é nossa longa guerra contra os grandes gatos.

O passado glorioso do jaguar

“Onças precisam é de florestas com populações saudáveis de suas presas e extensas o suficiente para que elas mesmas possam ter populações saudáveis. Para isso as onças só precisam que as pessoas não façam coisas. Que parem de matá-las e de competir com elas por comida e espaço.”

Até 11.700 anos atrás as Américas humilhariam qualquer safari africano atual. Era um mundo de tigres-dentes-de-sabre, gatos-cimitarra, leões gigantes, guepardos, ursos de quase uma tonelada, lobos variados, dholes, pumas e onças-pintadas. A maioria foi extinta após a chegada de humanos,há pelo menos24 mil anos. Restam os pumas Puma concolor (ou suçuaranas, onças-pardas, onças-vermelhas…) e as onças-pintadas Panthera onca (ou jaguar, jaguaretê, etc).

As pintadas já ocuparam quase todo a América, do Oregon à Patagônia. Durante o Pleistoceno, a Panthera onca augusta, grande como as onças do Pantanal, ocorria em boa parte dos Estados Unidos. Já em tempos históricos,pintadas viviam no que hoje é a Califórnia, Arizona, Novo México, Arizona, Colorado e Texas. Todas foram mortas por brancos e índios.

Hoje, os jaguars dos Estados Unidos somam três indivíduos, todos machos e imigrantes ilegais vindos do México. O mais famoso, El Jefe, é conhecido por comer ursos.

Três machos não formam uma população e será preciso introduzir fêmeas. Um plano para recuperação da espécie foi lançado em 2016 não fala disso e há oposição de ruralistas – que ajudaram a eleger Trump —  alguns argumentando que a espécie não é nativa.

Se parece estúpido, não é caso único. “Nativos” havaianos se opuseram à translocação de focas-monges-havaianas (que eles ajudaram a quase extinguir) com o mesmo argumento.

Ao sul, as pintadas já ocorreram do México até o norte da Argentina, do litoral até os Andes. Essa pode não ser a história toda, pois exploradores dos séculos XVI e XVII relataram encontros com “tigres” e “guaguares”no extremo sul do Chile e Patagônia argentina. Mesma região onde existia a (pré)-histórica Panthera onca mesembrina.

Na América Latina, as pintadas foram eliminadas de El Salvador e do Uruguai; o limite sul de sua distribuição original foi deslocado em mais de mil km para o norte e pelo menos 40% do habitat antes adequado desapareceu.

No Brasil, especula-se que a população efetiva da espécie esteja entre 15 e 30 mil indivíduos, a maior parte na Amazônia. Este número, que não lotaria um estádio de futebol, continua caindo.

O fim das pintadas, do longo atrito com populações ameríndias ao extermínio pelos pecuaristas, ruralistas, povos tradicionais variados e caçadores “esportivos”, é parte do contínuo massacre dos grandes predadores como leões, tigres, leopardos e guepardos promovido por nós humanos. Não contentes em matá-los, também exterminamos as presas de que dependem.

E com isso perdemos algo mais que bichos bonitos ou linhagens evolutivas com milhões de anos. Perdemos experiências que vão além das palavras e tornam a vida algo maior. Se fracassamos em coexistir com os grandes predadores não somos melhores que fungos, presos à uma necessidade inata de nos multiplicar e apodrecer o próprio lar.

Destronada e rumo à extinção na Mata Atlântica

A Mata Atlântica já foi 100% ocupada por onças-pintadas. Lugares com “jaguar” no nome mostram isso, assim como testemunhos como o do Padre Anchieta. Ele conta que, em 1592, a atual Ilhabela, litoral norte de São Paulo, não tinha gente,mas muitos “tigres”. O que implica a presença de presas hoje extintas como porcos-do-mato, antas, veados, etc.

Em 1897, Herman von Ihering conta que a última onça-pintada em Ilha bela chegou ali a nado,vinda do continente, e foi morta a pauladas ao chegar, exausta, à praia. Testemunho da relação tradicional entre pessoas e onças.

Trabalho de 2016 mostra a situação crítica das onças-pintadas na Mata Atlântica, com menos de250 pintadas adultas no bioma. No maior bloco contínuo de floresta, o das serras do Mar e Paranapiacaba entre RJ, SP e PR, uma estimativa era de 41 indivíduos.Número que talvez só seja maior do que o de políticos honestos no país.

Em toda Mata Atlântica as pintadas perderam 85% de seu antigo habitat. Do que sobrou, as onças ocupam apenas 18% do habitat considerado adequado para elas. Estas áreas que deveriam ter onças, mas estão vazias delas e de suas presas, incluem unidades de conservação como o Parque Nacional do Monte Pascoal – detonado pelos Pataxó -, o da Serra dos Órgãos e o da Serra da Bocaina (onde ainda ocorria na década de 1980).

Sem terra e sem comida

” Por quê há tão poucas onças no filé da Mata Atlântica? Simples: as pessoas continuam matando as pintadas, como aconteceu em março deste ano. Caso que mostra tanto a inoperância da fiscalização ambiental como quão ridículas são as punições para este tipo de crime.”

A Mata Atlântica teve suas populações animais massacradas por séculos de caça, desmatamento e degradação. O que temos hoje são os resquícios do que deveria existir, incluindo as áreas protegidas.

Para um predador de topo, viver em um mundo onde suas presas são raras (quando existem), implica em andar muito. Não é surpresa que as onças da Mata Atlântica tenham as maiores áreas de vida dentre as estudadas. Também não é surpresa que a combinação de florestas vazias de presas e ter que andar muito resulta em onças morrendo nas mãos das pessoas, seja a bala ou atropeladas.

São Paulo abriga boa parte da Mata Atlântica.Mas a espécie foi extinta de parques como a Ilha do Cardoso (e Ilhabela) e na maioria das UCs. Resta um punhado de indivíduos. Por exemplo, apenas 3 no Núcleo Santa Virgínia do Parque estadual da Serra do Mar e de 1 a 3 nomosaico de áreas protegidas da Juréia.

É bem possível que no conjunto de UCs da Serra do Mar, Paranapiacaba e litoral haja menos de 20 pintadas, com pífios 0,66 indivíduos/100 km2 onde a espécie é mais “comum”, o conjunto dos parques Intervales, Carlos Botelho e PETAR.Em outras palavras, quatro vezes menos onças-pintadas do que as 2 e pouco por 100 km2 que seria razoável esperar.

Por quê há tão poucas onças no filé da Mata Atlântica? Simples: as pessoas continuam matando as pintadas, como  aconteceu em março deste ano. Caso que mostra tanto a inoperância da fiscalização ambiental como quão ridículas são as punições para este tipo de crime.

As mortes ocorrem mesmo nas áreas protegidas onde a fauna deveria estar mais segura. Um dos problemas é o furto de palmito por quadrilhas organizadas, que está associado à caça.

Outro são as pessoas que moram dentro de áreas “protegidas” e continuam com seus costumes tradicionais. No mosaico da Juréia sabe-se que 4 onças foram mortas em 12 anos, duas por caçadores e duas como retaliação por matarem porcos domésticos.

História repetida em Intervales. Onças, sem comida porque pessoas eliminaram suas presas, são mortas por atacarem animais domésticos dentro do que deveria ser um parque. E 54% da população do lugar achava que exterminar os felinos seria a melhor solução.

Preterida

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Sou fofa, não sou? Foto: Fabio Olmos

Isso ilumina um problema de fundo. Aquelas comunidades ditas amigas da natureza ocupam terras devolutas (ou seja, de todos nós) que eram parte de Intervales, mas lhes foram dadas por serem consideradas quilombolas. Houve consulta pública? Estudo de impacto ambiental? Condicionantes? A prioridade é conservação ou reforma agrária?

Não foi um evento único. Ali do lado, o núcleo Quilombo foi entregue a um grupo Guarani que o invadiu em 1999 e arrasava a fauna e flora. Da última vez que visitei soube que “a ordem da secretaria é nem chegar perto”. Mais um sintoma de como o a coisa degringolou da década de 90 para cá.

Além de serem mortas, competirem com as pessoas por comida e terem seu habitat destruído, as onças ainda têm as áreas protegidas que deveriam ser seu lar – e de toda a sociedade – privatizadas para quem não é exatamente amigo da onça.

Esse é um dos exemplos de como quem deveria proteger nossa herança natural pode perder o rumo. Mas não o único. Um dos melhores pedaços da Mata Atlântica paulista é a Fazenda Nova Trieste, vizinha de Intervales. Que quase virou um parque estadual.

Isso felizmente não aconteceu. Olhando a situação dos parques paulistas é fácil ver como a natureza pode ser melhor servida por mãos privadas interessadas em conservar, ainda mais quando há no governo quem queira transformar o que já é protegido em área quilombola, o que não é sinônimo de conservação. Como sabem bem as onças.

Onças não podem ir à escola ou à faculdade para se tornar algo diferente do que seus pais e avós foram. Elas não podem escolher uma nova profissão ou abrir um negócio. Elas não podem escolher ser vegetarianas. Elas não votam. Mas elas também não precisam de bolsas isso ou aquilo, cestas básicas, luz para todos ou aposentadorias rurais.

O que elas precisam é de florestas com populações saudáveis de suas presas e extensas o suficiente para que elas mesmas possam ter populações saudáveis. Para isso as onças só precisam que as pessoas não façam coisas. Que parem de matá-las e de competir com elas por comida e espaço.

Gatos são gatos e conviver com grandes predadores em um mundo lotado é complicado, mas possível se nós quisermos. Existe muito conhecimento sobre como minimizar conflitos, como a predação de animais domésticos e riscos para as pessoas.

Na verdade, ataques de onças a pessoas são, na vastíssima maioria, resultado de gatos se defendendo de pessoas (e cães) que querem matá-las, ou pura imprudência. No mato, é muito mais perigoso encontrar uma pessoa do que uma onça. As estatísticas me apoiam.

“Em cana”

Grandes gatos são adaptáveis o suficiente para viver em áreas periurbanas, como os pumas de Los Angeles e da Grande São Paulo. Eu gostaria de ver famílias de onças-pintadas paulistanas residentes, não só relatos de visitantes.

Há os casos onde pessoas se mudaram e devolveram os espaços para a natureza, o que pode ser bom para as pessoas e os gatos.  E países que estão trazendo seus grandes predadores de volta, de leopardos a leões, dando um final mais feliz a estórias como a de Lady Liuwa (que descanse em paz).

São os bichos que dizem se uma UC é bem manejada ou não. Talvez seja esperar muito que a secretaria de meio ambiente paulista adote a meta quadruplicar a população de onças no Vale do Ribeira e Serra do Mar e criar um turismo similar ao que existe no Pantanal. Talvez algum dia apareça um governador amigo da onça com a coragem para isso.

No fim, talvez sejam as más práticas humanas que permitirão a recuperação das onças-pintadas. O agronegócio paulista criou vastas áreas com poucas pessoas, majoritariamente ocupadas por canaviais e plantações de cana que são habitat para javalis e java porcos. Um mosaico de florestas naturais e plantadas pode criar condições para que as onças recolonizem a região. Alguma reflorestadora ou usina se anima a ser amiga da onça?

Será irônico se o futuro for de uma Mata Atlântica socioambiental, cheia de gente e vazia de onças. E estas encontrarem seu refúgio em meio a eucaliptos e canaviais

 

 

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13 comentários em “Na Mata Atlântica, ninguém é amigo da onça”

  1. Com fatos, números e as palavras certas, reconstrói o passado e divide conosco uma visão do futuro. Também quero onças prosperando. Parabéns, Fábio!

  2. Como sempre, excelente texto, Fábio! Estávamos juntos na primeira visita à Intervales, lugar fantástico que com o tempo, pelas ações equivocadas do governo estadual, foi perdendo a proteção exemplar que tinha. O que se tem lá hoje é uma fração do que era quando lá estivemos, que já era uma fração de quando nem sabíamos da existência daquele lugar. Triste pras onças, triste pra nós.

  3. E os governos, mais precisamente o FEDERAL, que assina os tratados de proteção a Biodiversidade não cumprem o escrito e assinado.
    Além de rasgarem a constituição, de sua obrigação, não se esforçam para conversar com o judiciário sobre estes temas. Também o judiciário é conivente com estas situações de extinção de nossa fauna.

    Resumo da situação, no Brasil, o problema é a falta de carater e de estadismo dos Homens públicos.

  4. CONHECI A RESERVA DE – CARLOS BOTELHO – NOS ANOS 80 . LÁ HAVIA , COMO DIRETOR DA RESERVA , O SAUDOSO DOUTOR BENTO, REALMENTE LINHA DURA. AQUELA ÁREA ERA SIM UM BELO EXEMPLO DE COMO SE PROTEGER, NEM TANTO PELA AÇÃO DO – INSTITUTO FLORESTAL – ( QUE AUTORIZOU UMA ESTRADA PARQUE NA QUAL VI DUAS ANTAS SEREM ATROPELADAS), QUE POUCO FAZIA PELA ÁREA ( O MESMO QUE FAZ HOJE POR QUALQUER PARQUE NO ESTADO DE SÃO PAULO . . . : POUQUÍSSIMO OU NADA ) . . .BEM . . .!!! . . .PARABÉNS PELO ARTIGO POSTADO . . .MUITO BOM . . .!!! . . .

  5. Puxa, quando vejo as estatísticas penso o quanto tive sorte na minha infância. Em 1989, quando eu tinha dez anos, e visitava uma chácara que meu pai tinha herdado do meu avô (a chácara ainda existe, mas não tem mais caseiro, a mata ainda estava lá da última vez que visitei. Espero que ninguém tenha invadido) o caseiro que morava lá foi me mostrar um segredo: mais ou menos por volta das 17h, quase todos os dias, uma onça pintada vinha beber água no mesmo pedaço do rio. Lembro que fiquei lá uns vinte minutos, extasiada, olhando para aquele bicho magnífico que não estava dando a mínima para a gente, que parecia saído de fábulas. A área fica próxima do complexo da Juréia e da Serra do Mar (na Estrada do Rio Preto, em Itanhaém), e eu espero que ainda haja onças por ali, mas foi faz muito tempo…

  6. More Hope for Atlantic Rainforest’s Jaguars

    Hello Fabio… I understand your concern about the fate of Jaguars (Panthera onca) in Brazil’s Atlantic Forest and the possibility of the biome losing its top predator. Although I agree with your main concerns, I emphasize here three points leading to our conclusion that this predator’s fate is more hopeful.

    First, a recent habitat-based model identified 8 jaguar populations in Upper Paraná River Basin, a habitat area of 8,353 km2, and a population of 370 individuals (1). The model was realistic given remaining habitat, known jaguar occurrences, and location of protected areas in the upper Paraná-Paranapanema region. Under the "current" scenario, the metapopulation tended to decrease, but under a predicted "protection" scenario, the metapopulation was stable, with low risk of extinction, high abundance, and high patch occupancy.

    Second, landscapes around major protected areas in the Atlantic Forest (e.g. Morro do Diabo State Park, Emas and Iguaçu National Parks) have recently become more hospitable to Jaguars because of expansion of eucalyptus and sugar cane and near disappearance of cattle ranching (2). Hence, these landscapes may become “safescapes” for jaguars, with few “problem farmers” or “problem jaguars” and less persecution due to livestock loss. Also, research has shown better permeability of sugarcane fields by mammals compared to open pastures, facilitating inter-patch dispersal (3).

    Third, large government and NGO landscape conservation and restoration programs are being implemented (4), opening new lands for jaguars and their prey. As land reform movements, cattle ranching, and soya and ethanol/sugar cane industries employ technicians and understand the ecological consequences of forest degradation, increasing political efforts are being made to align lobbying for better agricultural lands with the aims of environmental conservation and the reconstruction of habitat connectivity. All of this is good news for Atlantic Rainforest’s Jaguars.

    1. L. Cullen, J.C. Stanton, F, Lima, A. Uezu, H.R. Akçakaya. Implications of Fine-grained Habitat Fragmentation for Jaguar Conservation in the Atlantic Forest, Brazil, In press (2013).
    2. G. Dotta, and L.M. Verdade, Medium to large-sized mammals in agricultural landscapes of south-eastern Brazil. Mammalia 75 (4): 345- 352 (2011).
    3. M.C. Lyra-Jorge, M.C. Ribeiro, G. Ciocheti, L.R. Tambosi, V.R. Pivello. Influence of multi-scale landscape structure on the occurrence of carnivorous mammals in a human-modified savanna. European Journal of Wildlife Research 56 (3): 359-368 (2010).
    4. L. Cullen, K. Alger, D. Rambaldi. Land Reform and Biodiversity Conservation in Brazil in the 1990s: Conflict and the Articulation of Mutual Interests. Conservation Biology, 19 (3): 1-9 (2005).

    • About models: if I have good natural history data to feed the model, modelling is unnecessary…will only tell me things I already know ! If the natural history data is weak…the model will give me useless predictions, with "all-inclusive" scenarios! Conservation policies (and funds) are better off, instead of waiting for the "perfect theoretical basis", just sticking to "the basics"…protection and recovery of habitats (every habitat, no matter how degraded, as political opportunities appear), and effective law enforcement. That will "do the trick" for every species, beeing them "flag species" or just common, boring (but not unimportant) ones! Well, that's my opinion…I'm sure the modelling specialistas will defend their "ganha-pão"!

  7. Parabéns pela redação! Incrível como é gostoso de ler e sonhar junto, de um mundo de convivência realmente próxima entre nós e o grande espetáculo proporcionado por esses majestosos animais. Se eu e meus filhos num passeio de caiaque ficamos superfelizes em constatar a presença de capivaras na ilha de Santa Catarina, imagine a emoção de ver uma onça!!! Por favor, Deus, pode ser a parda mesmo.

  8. Excelente! Importante agora lutar para salvar as poucas que restam na REBIO Sooretama, tornando o Projeto de desvio da BR-101 e a transformação desse trecho em Estrada Parque uma realidade! Salvar as poucas que restam no Parque Nacional da Serra da Capivara e das Confusões! Uma pequena esperança é o aumento nos últimos anos da população do Parque Nacional do Iguaçu… mas muito, muito mesmo tem de ser feito! O projeto Onçafari é um grande sucesso, mas nada acessível à maioria do nosso povo e precisa além da vantagem financeira do ecoturismo, tentar disseminar o conceito de igualdade de direitos à vida digna e à liberdade, ou seja, o valor intrínseco de cada indivíduo onça, como único em personalidade e características! Caso contrário, o que acontece como sempre é… muda o Dono, o Gestor, ou acaba o Projeto… tudo volta como dantes… e elas voltam a ser caçadas, porque a consciência da igualdade de direitos e do seu valor como ser… não foi devidamente desenvolvida, entendida e propagada!

  9. Fábio,
    Texto sobre as onças é muito bom. Sobre as pessoas, principalmente quilombolas e indígenas, é carregado de preconceito.
    Quer dizer que o problema agora para as onças da Mata Atlântica são os quilombolas e os indígenas? Certo…mais fácil bater em quem é fraco, não é?

  10. Parabéns pelo excelente texto. As críticas são acertadas e os dados, corretos e elucidativos. Acrescento que a população do Vale do Ribeira inflezmente não tem consciência do que tem ao seu lado e tem agido para a degradação regular e impiedosa de PETAR, Carlos Botelho e das APAs existentes. Seu filho atualmente mais ilustre, já que morou por muito tempo em Eldorado, o presidente Jair Bolsonaro, apenas reflete o grau de desconhecimento e de analfabetismo ambiental da região. Acredito que ONGs com interesses honestos poderiam tratar de educar as pessoas da região. Digo ONGs sérias, não como a que esse Laure que comentou esse texto ridículo. Que interesses esse cara representa?

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