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Conheça o Caminho da Ilha de Santa Catarina

A trilha urbana que percorre Florianópolis é ferramenta potencial de conservação, engajamento e geração de renda

Adriana Nunes ·
25 de outubro de 2020
Caminho da Ilha de Santa Catarina (CAISCA). Foto: Adrio Centeno

O Caminho da Ilha de Santa Catarina (CAISCA), em Florianópolis, é uma das trilhas urbanas mais lindas do mundo. Nela podemos conhecer e vivenciar unidades de conservação estaduais e municipais. O percurso começa ao sul da ilha, em Naufragados, pegando uma parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e da Área de Proteção Ambiental (APA) do Entorno Costeiro, indo até Canasvieiras, ao norte da ilha, percorrendo cerca de 100 km. Fazem parte do traçado principal do Caminho da Ilha de Santa Catarina, a trilha de longo curso do Parque Estadual do Rio Vermelho (PAERVE) e as municipais Caminho dos Naufragados, Trilha da Lagoinha do Leste (saindo do Pântano do Sul), Trilha do Matadeiro à Lagoinha do Leste, Trilha do Morro do Rapa, Trilha da Boa Vista, Caminho da Gurita, Trilha das Piscinas Naturais, Caminho dos Pescadores, Caminho do Morro das Feiticeiras, Trilha da Fortaleza, além de trechos de praias, como o Campeche e alguns acessos urbanos entre uma trilha e outra.

No CAISCA, é possível fazer uma caminhada de longo curso sem carregar peso, dormindo em confortáveis pousadas, vivendo uma rica experiência gastronômica e desfrutando de paisagens maravilhosas. Sem falar que você passa por diversos ambientes de grande importância para conservação e se quiser pode ainda participar da vida noturna da cidade. Só não esqueça que no dia seguinte é dia de trilha!

As Trilhas de Longo Curso (TLC) são uma ferramenta muito utilizada em diversos países para conectar pessoas com a natureza, engajar a sociedade na proteção ambiental e gerar renda para as comunidades locais. Além de cumprirem um papel de recreação em contato com a natureza e contribuírem economicamente para a população local (através do potencial turístico), as TLC exercem a função de corredores ecológicos possibilitando a migração de fauna e flora entre áreas protegidas, favorecendo a maior variabilidade genética de seus descendentes.

As Trilhas de Longo Curso têm a importância ecológica de conectar várias unidades de conservação, mas também têm uma grande importância social de trazer as pessoas para conhecer e vivenciar as belezas naturais que cada trilha tem. Assim como promover parcerias com as comunidades locais. No CAISCA, muitas são trilhas de curta distância que foram traçadas pelas próprias comunidades devido a necessidade de locomoção e transporte de mercadoria dentro da ilha – e que hoje foram revitalizadas a partir dos conceitos de conservação e turismo sustentável.

No Parque Estadual do Rio Vermelho, a trilha de longo curso está em processo de implantação com a demarcação do traçado, que busca valorizar os seus atributos naturais para conservação e sua grande beleza cênica. O parque, mesmo sendo uma unidade de conservação estadual, está inserida totalmente dentro do município de Florianópolis, tendo de um lado a Lagoa da Conceição e do outro a maior e mais conservada praia da ilha, a praia do Moçambique, que tem 12,5 km de extensão.

Mapa da trilha. Elaborado por: Aurélio J. Aguiar

Nós queremos, através da Trilha de Longo Curso, trazer pessoas o ano todo para o parque. E, para além da beleza cênica, trabalhar a questão cultural, a conservação, agregar o entorno, e tornar o PAERVE um espaço para a família. A trilha é uma ferramenta de educação ambiental, de conectividade entre diversos ecossistemas, onde as pessoas conhecerão diversos ambientes como restinga, campos de dunas, praia, lagoa, além de passar em pontos como a nascente do Rio Vermelho, que dá nome ao parque.

A gestão do parque acredita que, em primeiro lugar, a comunidade do entorno deve estar envolvida com a implementação e sinalização da trilha, conhecendo lugares que muitas vezes não são valorizados por eles. O trabalho de educação ambiental e conscientização através da trilha de longo curso é fundamental para o sucesso do CAISCA, divulgando o seu papel no município, no estado e até para fora do Brasil.

*Adriana Nunes É Coordenadora do Parque Estadual do Rio Vermelho (PAERVE) – Instituto do Meio Ambiente do estado de Santa Catarina (IMA/SC).

 

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