Análises

A Amazônia em 3D, em imagens como você nunca viu

Cenas de alta definição da floresta são o forte de produção que estreia nesta quinta-feira. Macaquinho protagonista encanta as crianças.

Daniel Santini ·
25 de junho de 2014 · 7 anos atrás

No fundo do hall do cinema, momentos antes da sessão de pré-estreia do filme “Amazônia”, as crianças vibram em frente a um telão colorido, que exibe cenas da produção. Esticam o dedo, gritam, dão pulos e risadas.

Dá gosto de ver a cena:

A reação das crianças ao visual fantástico, com imagens de alta definição em 3D, é o mais legal no cinema. Dentro da sala, na pré-estreia, sobraram comentários dos pequenos, suspiros e risadas. Se você tem filhos, sobrinhos ou amigos, considere seriamente acompanhar uma sessão – a estreia foi marcada para esta quinta-feira, dia 26.

Mas tenha em mente que não é um filme infantil à la Disney, com ratos orelhudos fofinhos, princesas, heróis e simplificações do bem contra o mal. O roteiro foge da romantização da Amazônia e a floresta aparece com seus mosquitos, perigos e incômodos. O protagonista, o macaco-prego Castanha, está mais para um malandro do que um príncipe. Na entrevista de divulgação do filme, o roterista Luiz Bolognesi diz que se inspirou em Charles Chaplin para apresentar o seu macaco meio desastrado, atrapalhado no meio da floresta.

Aliás, talvez não seja nem certo falar que Amazônia é um filme infantil. É uma produção para quem se interessa pela floresta, com destaque para o visual. O enredo gira em torno de um macaco criado em um apartamento, o Castanha, que, ao ser vendido para um circo, acaba em um teco-teco no meio da floresta. Em uma tempestade amazônica, o avião se espatifa e o macaquinho segue descobrindo a mata e tentando sobreviver.

Imagens reais

Todos os personagens do filme são animais e as imagens são reais, com equipes enfiadas no meio da floresta por longos períodos para captar as cenas. Foram utilizadas 45 toneladas de equipamentos, mantidos em áreas com umidade de até 90% e temperaturas que passavam de 35ºC. O diretor francês Thierry Ragobert resume assim o desafio de produzir nestas condições:”Quando você vai para a Amazônia, é preciso manter-se constantemente humilde, porque mesmo quando você está muito bem preparado, você é confrontado com situações que lhe fazem rever tudo. Você tem que se manter constantemente flexível e aberto para qualquer coisa que a natureza venha a lhe oferecer”.

Para produzir um filme com tal qualidade de imagens, a equipe contou com o trabalho de Araquém Alcântara, um dos grandes fotógrafos de natureza do país.

A preocupação em apresentar uma abordagem mais realista e aprofundada, fugindo de estigmatizações ou simplificações (tão comuns quando o assunto é Amazônia), é uma constante no trabalho de alguns dos brasileiros envolvidos neste filme franco-brasileiro. A produção é dos irmãos Gullane e de Debora Ivanov. Fabiano e Caio Gullane foram os produtores que trabalharam em ótimos filmes brasileiros como “Bicho de Sete Cabeças” e “Carandiru”. Os longos monólogos do Castanha e justamente o fato de o filme ser tão real talvez incomodem quem prefere uma abordagem mais hollywoodiana.

Mas pela qualidade das imagens e o cuidado na apresentação, o filme é imperdível para quem gosta ou se interessa pela Amazônia. 

 

 

Serviço:
Cerca de 200 cópias do filme foram enviadas para os principais cinemas do país; a relação de cinemas onde ele será exibido poderá ser consultada após o lançamento no Facebook e no site do filme (clique em Onde Assistir).

 

 

 

  • Daniel Santini

    Daniel Santini

    Responsável pela plataforma ((o)) eco Data. Especialista em jornalismo internacional, foi um dos organizadores da expedição c...

Leia também

Reportagens
16 de maio de 2021

Proposta muda desenho de UCs no rio Negro, com nova reserva e redelimitação

O projeto de lei enviado à Assembleia Legislativa cria uma Reserva do Desenvolvimento Sustentável no Baixo Rio Negro, no Amazonas, e redelimita parque estadual e APA

Reportagens
16 de maio de 2021

Projetos de estradas na Amazônia podem desmatar 2,4 milhões de hectares nos próximos 20 anos

12 mil km de estradas previstas em 75 projetos para os cinco países da Bacia Amazônica podem causar o desmatamento de 2,4 milhões de hectares. 17% dessas obras violam a legislação ambiental e o direito de povos indígenas

Reportagens
16 de maio de 2021

Maior banco suíço volta ao Brasil e coloca em risco compromisso ambiental

O maior banco suíço, o UBS, quer fazer negócios com empresas de carne, soja e agrotóxicos no Brasil, mas sem abrir mão da responsabilidade ambiental. A realidade, no entanto, mostra que não é tão fácil separar o agronegócio sustentável daquele associado ao desmatamento

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta