Reportagens

As raízes de um futuro sustentável

Vancouver confia no poder do verde que se planta no meio urbano para fertilizar o solo do futuro sustentável que a cidade ambiciona.

Duda Menegassi ·
29 de julho de 2013 · 13 anos atrás
O corredor verde que acompanha a orla do Stanley Park.
O corredor verde que acompanha a orla do Stanley Park.

Ser verde, no sentido literal, é uma ação importante para qualquer cidade sustentável. A arborização das ruas e a proliferação de parques além de melhorar a qualidade do ar, diminui o efeito das ilhas de calor e a poluição sonora, embelezam a paisagem e dão sombra e abrigo à fauna local. Por isso, uma das metas de Vancouver para se tornar a cidade mais sustentável do mundo é investir nas áreas verdes.

Quando se fala de parque em Vancouver é impossível não pensar no Stanley Park, o maior parque urbano do Canadá, com mais de 400 hectares, porém por toda a cidade existem mais de 300 templos de natureza, entre parques, praias e jardins, numa soma de 1.305 hectares. Atualmente, 92.7% da população vive a 5 minutos ou menos a pé de alguma área verde. Até 2020, a expectativa da prefeitura é tornar essa uma realidade de todos os moradores.

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O Stanley Park é, de fato, o maior exemplo. Sua história e magnitude o transformaram num dos principais pontos turísticos de Vancouver. O turismo, inclusive, confere importância econômica à preservação do parque. Por ano, oito milhões de turistas passeiam por entre suas árvores seculares, porém mais do que visitantes deslumbrados de todos os cantos do mundo, o parque ainda encanta os próprios moradores. Longe de serem vizinhos acomodados, eles aproveitam o patrimônio que lhes foi dado. Ter espaços como esse tão próximo de casa estimula a consciência de preservação por parte da população, que valoriza-os como áreas de lazer e descanso.

Um dos inúmeros parques urbanos de Vancouver.
Um dos inúmeros parques urbanos de Vancouver.

Numa cidade que não para de crescer, achar locais vagos para aumentar o número de parques nem sempre é fácil. Por isso, uma das estratégias é converter alguns caminhos que cortem propriedades para ligar destinos em pequenos parques. Além disso, para somar aos cedros, abetos e cicutas do Stanley Park, outras 150 mil árvores serão plantadas até 2020, em conjunto com propriedades públicas e particulares. Deixar as cores da natureza brotarem do cinza de calçadas é uma solução que otimiza a falta de espaço de uma metrópole em desenvolvimento, combinando o ambiente urbano com o natural.

Essa iniciativa de arborização é algo ainda carente na prefeitura do Rio de Janeiro, cidade privilegiada pela natureza com ecossistemas ricos e diversos e a com maior número de parques no Brasil. Enquanto bairros da zona sul são privilegiados pela demanda turística, áreas menos nobres da cidade se transformam em grandes ilhas de calor, fenômeno que poderia ser reduzido com a plantação de mais árvores. Uma fórmula simples de aumentar o bem estar da população sem atrapalhar o crescimento econômico.

Plantar uma árvore é plantar a consciência de preservação. Trazer o verde para fora da ideia, para dentro da cidade. Um conjunto de ações que gera uma reação: sustentabilidade. Vancouver dá o exemplo de município que se preocupa em achar brechas no concreto, que edifica o crescimento econômico, para deixar crescer o verde, que edificará o futuro sustentável que a prefeitura e o planeta querem.

 As ruas arborizadas na primavera trazem o bônus do tapete de pétalas na calçada.
As ruas arborizadas na primavera trazem o bônus do tapete de pétalas na calçada.

 

  • Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação, montanhismo e divulgação científica.

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