Salada Verde

Ibama apreende soja em fazendas embargadas no Pará

Mais de 372 toneladas de soja foram apreendidas na operação do órgão. Fazendeiro usava notas fraudulentas para comercializar o produto.

Daniele Bragança ·
22 de maio de 2013 · 13 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Servidor do Ibama em fazenda embargada com soja. Foto: Nélson Feitosa/Ascom Ibama/PA.
Servidor do Ibama em fazenda embargada com soja. Foto: Nélson Feitosa/Ascom Ibama/PA.

No cenário, duas fazendas embargadas por desmatamentos ilegais nos municípios que saíram recentemente da lista de campeões do desmatamento do Ministério do Meio Ambiente: Dom Eliseu e Ulianópolis, no estado do Pará. Mesmo proibidas de produzir, o Ibama apreendeu cerca de 372 toneladas de soja produzidas nessas fazendas. A soja foi doada ao programa de combate à fome Mesa Brasil.

“As 372,6 toneladas de soja foram localizadas em um silo comercial, onde ocorreu a apreensão. O fazendeiro, para mascarar a origem irregular da soja, expediu notas fraudadas como se ela tivesse sido cultivada em outra propriedade, não embargada”, informou o Ibama, em nota.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



O avanço da monocultura sobre a floresta preocupa o Ibama, que deflagrou nos dois municípios paraenses a operação “Bom Conselho”, para combater o desmatamento causado pelo plantio de commodities na região. Em 2012, o Ibama já havia aplicado R$ 43,9 milhões em multas e embargou 5,7 mil hectares por causa de desmatamentos ilegais realizados para a expansão de plantações de grãos nos dois municípios.

“Estamos retornando a Dom Eliseu e Ulianópolis para impedir que o crescimento da área agrícola no sudeste paraense implique também mais aumento nos desmatamentos não autorizados”, afirma Hugo Américo, superintendente do Ibama no Pará, em comunicado.

A propriedade de Dom Eliseu é uma velha conhecida: tem histórico de R$ 5,3 milhões em multas. Já a fazenda de Ulianópolis, foi alvo de operação no mês passado, quando o Ibama apreendeu 128 toneladas de arroz cultivado na área embargada. Na ocasião, o arroz foi doado à prefeitura de Paragominas, que usou o produto na merenda escolar.

Desde o segundo semestre do ano passado, os municípios Dom Eliseu e Ulianópolis vem apresentando aumento nas áreas desmatadas, segundo os alertas do sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) do INPE, o que levou a diversas operações do Ibama à região.
 

  • Daniele Bragança

    Repórter e editora do site ((o))eco, especializada na cobertura de legislação e política ambiental.

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
3 de julho de 2026

Tuberculose mata três macacos no Cetas-RJ; centro está em quarentena

Confirmação da doença que levou a óbito macacos-pregos no Cetas de Seropédica leva Ibama a estender suspensão no recebimento de novos animais

Salada Verde
3 de julho de 2026

PL que retarda ação de órgãos ambientais por dois anos tem urgência aprovada

Proposta de deputado do PL prevê que órgãos ambientais aguardem dois anos para aplicar medidas como embargos e apreensões em propriedades de até 560 hectares

Salada Verde
3 de julho de 2026

Enchentes do Rio Grande do Sul fundamentam novo conceito para identificar áreas de risco

Chamada de Zona de Arraste, nova classificação nomearia fenômeno onde a força da natureza transforma uma inundação em um fenômeno de alta capacidade destrutiva

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.