Notícias

Vítima de tiros, gavião-real é solto no Amazonas

Após passar alguns dias em recuperação, o animal foi solto em uma Área de Proteção Ambiental, perto do lugar onde foi encontrado.

Vandré Fonseca ·
19 de maio de 2015 · 11 anos atrás

Gavião-real ([i]Harpia harpyja[/i]). [i]Imagem ilustrativa[/i]. Foto:
Gavião-real ([i]Harpia harpyja[/i]). [i]Imagem ilustrativa[/i]. Foto:

Manaus, AM — É um indivíduo que está começando a vida adulta, com mais de dois anos e cerca de 60 centímetros de altura e mais de um metro de envergadura. Foi resgatado por moradores a Área de Proteção Ambiental Nhamundá, no Amazonas, perto da divisa com o Pará, com ferimentos na asa e um pedaço de chumbo alojado no peito.

A harpia (Harpia harpyja) foi encontrada na segunda semana de abril, por moradores da APA. Ela estava ferida e bastante debilitada. Após contato com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Sedema) de Nhamundá, um veterinário do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), passou a acompanhar o animal.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



“Ele ficou duas semanas sem se alimentar e ninguém sabia manejá-lo. Então a gente entrou em contato com o Ipaam”, conta o secretário municipal de Meio Ambiente de Nhamundá, João Paulo Fonseca. “As feridas foram tratadas com andiroba, foi feita limpeza dos ferimentos. Os olhos estavam irritados, com pólvora, e foram tratados com colírio”, completa.

Foram aproximadamente três semanas em tratamento. Quando os responsáveis acharam que ele já estava recuperado, levaram a ave a um local montanhoso, na Apa Nhamundá, e o gavião-real foi solto.

A coordenadora do Projeto Gavião-Real, que monitora ninhos e aves em várias regiões do país, Tânia Sanaiotti, destaca que esta foi a segunda ave da espécie resgatada no país este ano. A primeira, vítima de um atropelamento no Espírito Santo, não sobreviveu. “Em anos anteriores, recebemos dois gaviões daquela região, um de Nhamundá e outro de Barreirinha, que soltamos”, conta.

Mas ela não esconde uma decepção: não pode acompanhar a ave e a soltura. “A gente marca e, depois de solta, o gavião é observado ainda por um três dias, para saber se conseguiu se alimentar”, explica. Mas o mais importante foi salvá-lo. “Temos de elogiar os comunitários e a Sedema pelo empenho em fazer o resgate e tomar as providências para que ele se recuperasse”, destaca a bióloga.

Video
O gavião-real foi solto na APA Nhuamundá. Sem marcação, não vai ser possível monitorar os primeiros dias da ave no retorno à vida livre.

 

 

Leia Também
Caçada e atropelada, não tem harpia que resista
Acontece nos parques: na árvore, havia harpia
Gaviões-reais são seguidos por satélite na Amazônia

 

 

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Notícias
17 de dezembro de 2013

Gaviões-reais são seguidos por satélite na Amazônia

Harpia volta para a natureza com equipamentos de rádio transmissão para ajudar pesquisadores a conhecer melhor os hábitos da espécie.

Notícias
25 de março de 2015

Acontece nos Parques: na árvore havia harpia

Registros inéditos e uma estrada no caminho das onças. São coisas que acontecem nos parques.

Salada Verde
14 de abril de 2026

TCU destrava análise da Ferrogrão após recurso do governo, mas decisão final segue em aberto

Concessão volta a tramitar no Tribunal de Contas da União após suspensão de decisão que travava o processo

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.