Notícias

Vigiado 24h, assim vive o último rinoceronte branco do norte

Animal teve o valioso chifre decepado para não atrair caçadores. Reserva onde é mantido busca fundos para continuar funcionando.

Redação ((o))eco ·
21 de abril de 2015 · 11 anos atrás

Sem chifres e vigiado. Reforço na segurança mantém último  rinoceronte branco do norte macho longe dos caçadores. Foto: Brent Stirton.
Sem chifres e vigiado. Reforço na segurança mantém último rinoceronte branco do norte macho longe dos caçadores. Foto: Brent Stirton.

A reserva de Ol Pejeta, no Quênia, protege 3 dos 5 últimos rinocerontes brancos do norte (Ceratotherium simum cottoni) no mundo. Há dois meses, os administradores iniciaram uma campanha para conseguir pagar por mais seis meses os 40 guardas que mantêm os caçadores afastados do santuário de 36,4 mil hectares, próximo de Nairóbi, capital do Quênia.  Mais de 70% da estrutura da reserva é mantida através do turismo, cuja procura diminuiu drasticamente com conflitos armados na região e o surto do Ebola.     

A campanha pretende arrecadar 75 mil libras esterlinas (cerca de R$340 mil) e já conseguiu 60,4 mil desde fevereiro. O símbolo da campanha é Sudão, nome do último macho da subespécie dos rinocerontes brancos do norte, que sobrevive na Ol Pejeta, junto com duas fêmeas. Os três rinocerontes brancos do norte vieram de um zoológico na República Tcheca, mas foram enviados ao Quênia como última esperança de que o clima e ecossistema local favoráveis aos rinos permitam a sua reprodução em cativeiro. Não existem mais indivíduos da subespécie dos rinos brancos do norte vivendo na natureza. Além do trio da Ol Pejeta, sobraram duas fêmeas em zoos, uma nos Estados Unidos e outra na República Tcheca.

Receive our newsletter?

Receive the most relevant news in your inbox.




Receive our newsletter?

Receive the most relevant news in your inbox.




Existe uma outra subespécie: a dos rinocerontes brancos do sul. Esta ainda é relativamente numerosa, com cerca de 20 mil indivíduos restantes.

A caça para contrabandear os chifres é a principal causa dos problemas dos rinocerontes.  Os animais são mortos e têm seus chifres arrancados para abastecer o mercado negro asiático devido à crença de que são milagrosos e curam todo tipo de doença. A China e o Vietnã são os maiores compradores e o quilo do produto pode chegar a valer 60 mil dólares.

Tanto dinheiro e tanta gente disposta a morrer e matar atrás dos chifres fez os tratadores da reserva Ol Pejeta deceparem os chifres de Sudão preventivamente, para resguardá-lo dos caçadores. Além disso, Sudão vive cercado 24 horas por dia por guardas armados e é monitorado através de um rádio transmissor. Ele já superou a média de tempo de vida de um rinoceronte, que vai de 35 a 40 anos. Aos 43 anos, precisa viver, pois ele é a última chance de sobrevivência dos rinos brancos do norte.

 

 

Leia Também
África do Sul: matança de rinocerontes bate novo recorde
Uma guerra global pelo chifre do Rinoceronte
Lista vermelha da biodiversidade traz boas e más notícias

 

 

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Externo
20 de março de 2026

Oceanos em acidificação estão desgastando a arqueologia subaquática

Mármore, calcário e outras rochas carbonáticas usadas ao longo da Antiguidade podem começar a se dissolver à medida que os oceanos absorvem mais dióxido de carbono

Salada Verde
20 de março de 2026

Novo canal digital do Ipaam busca ampliar denúncias de crimes ambientais no Amazonas

Ferramenta permite registrar infrações com geolocalização, fotos e descrição do dano ambiental; órgão ambiental do estado quer agilizar fiscalização

Salada Verde
19 de março de 2026

Ibama libera abate de pirarucu fora da Amazônia e classifica espécie como invasora

Nova instrução normativa permite pesca sem restrições em bacias onde o peixe não é nativo e prevê uso social da carne

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Comentários 4

  1. felipe diz:

    Escrevam enquanto da tempo pois rinoceronte no chao humano no chao em pouco tempo .se ele morre nos morremos tambem


  2. revolta diz:

    pq ninguem inventa que carne humana ou cabelo humano é medicinal/afrodisiaco ja que contem queratina, a mesma substandia destes chifres? queria ver essa renca sair caçando gente….


  3. revolta diz:

    humano lixo tem que morrer agonizando mesmo, se vc acha que matar o animal para decepar o chifre é uma boa ideia, entao é tão lixo quanto.


  4. George diz:

    Não adianta decepar chifres. A 60 mil dólares o quilo, o pessoal do mal mata os bichos apenas para raspar as células basais do chifre, que os espertos da medicina "tradicional" chinesa alegam ser ainda mais potentes que o resto do chifre.

    O negócio é envenenar os chifres, como já fazem algumas reservas privadas na África do Sul. Mas quando tem governos e ONGs envolvidas o pessoal fica cheio de dedos, com medo de matar algum chinês rico. Não entendem que o objetivo é esse mesmo, como diria Voltaire, "pour encourager les autres".