Notícias

BNDES não pode repassar recursos para Belo Monte

Obras estão suspensas por determinação do Tribunal Regional Federal-DF. A multa é de R$ 500 mil por dia, caso as decisões sejam desrespeitadas.

Redação ((o))eco ·
29 de outubro de 2013 · 13 anos atrás

Trabalhadores levantam placa que demarca o local da obra da hidrelétrica de Belo Monte, no sítio Pimental, em julho de 2011. Foto: Divulgação/PAC2
Trabalhadores levantam placa que demarca o local da obra da hidrelétrica de Belo Monte, no sítio Pimental, em julho de 2011. Foto: Divulgação/PAC2

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, ordenou a paralisação das obras da usina hidrelétrica Belo Monte, que está sendo construída no Pará. A decisão do desembargador Antonio Souza Prudente, expedida na última sexta-feira (25), também determina que o BNDES não efetue o repasse de verbas ao empreendimento enquanto não forem atendidas as condicionantes. Em caso de descumprimento da decisão, será aplicada multa diária no valor de R$ 500 mil.

O consórcio Norte Energia informou, através de sua assessoria de imprensa, que a empresa não foi notificada oficialmente. O site do TRF informa que a notificação foi realizada hoje (29) e que na manhã desta segunda-feira (28) um e-mail havia sido mandado com a decisão do desembargador.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Em nota, a Norte Energia explica que passou o dia tentando tomar todas “as providências cabíveis  para que de forma planejada possa dar cumprimento ainda no dia de hoje da decisão judicial”. A empresa informa que, como as obras da usina tem um efetivo de mais de 20 mil trabalhadores, “qualquer paralisação das obras demanda um plano de contingência com segurança, garantindo a integridade física dos operários, logística de desmobilização e serviços essenciais como a  alimentação, transporte, segurança e atendimento médico”.

Pela decisão, o Consórcio deverá cumprir todas as condicionantes estabelecidas na Licença Prévia à Instalação. De acordo com o desembargador Souza Prudente, “se verifica que as pendências existentes em relação ao licenciamento ambiental vêm sendo indevidamente transferidas, […], sem qualquer perspectiva de que um dia serão efetivamente cumpridas.”

O Ministério Público do Pará ajuizou ação civil pública em 2011, questionando a emissão da licença de instalação. O processo passou pela Justiça do Pará, que indeferiu o pedido. O MPF recorreu e o TRF da 1.ª Região acatou o pedido.

“A decisão de suspender Belo Monte nada mais é do que a afirmação de que todos, inclusive (e acima de tudo) o estado, devem respeito à lei. E de que, com instituições independentes, não haverá espaço para o estado de exceção, e menos ainda, para que a exceção se torne a regra”, afirmou Thais Santi, procuradora da República, em comunicado do MPF.

O Consórcio Norte Energia S/A enfrenta 20 processos na Justiça, a maioria tentando cancelar a licença prévia.

 

 

Leia Também
Ibama: consórcio não cumpre condicionantes de Belo Monte
Ministério Público divulga processos contra Belo Monte
Belo Monte: Supremo acata argumento econômico e libera obras

 

 

 

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Podcast
22 de maio de 2026

O papel das pessoas na recuperação de um rio

A transformação do Córrego Tiquatira de esgoto a céu aberto a parque, repleto de gente e atividades revela um componente essencial: o pertenciment

Salada Verde
22 de maio de 2026

STF valida redução de área protegida no Pará para abrir caminho à Ferrogrão

Supremo considera constitucional mudança nos limites do Parque Nacional do Jamanxim, em decisão que favorece projeto ferroviário alvo de críticas socioambientais

Reportagens
22 de maio de 2026

Arborização urbana esbarra na falta de continuidade das prefeituras

Metas e dispositivos legais existem, mas a falta de coordenação, orçamento próprio e problemas de gestão figuram como grandes empecilhos

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.