Autorizada a caça de javali-europeu em território brasileiro
Daniele Bragança - 05/02/13

Caça ao Javali-europeu volta a ser permitida. Foto: Spencer Wright/FlickrCaça ao Javali-europeu volta a ser permitida. Foto: Spencer Wright/Flickr
Após dois e meio de proibição, o Ibama liberou na última sexta-feira a caça aos javalis-europeus (Sus scrofa). A medida, publicada no Diário Oficial da União no dia 01 de fevereiro, autoriza a captura e abate do animal exótico. Uma tentativa de controlar a espécie invasora, que não tem predador natural no país.

O animal originário da Europa. A ausência de predador e, portanto, de controle populacional fez o javali-europeu se transformar em uma praga que ameaça plantações e espécies nativas, como ovos de tartarugas e jacarés, parte do cardápio do animal.

O Javali-europeu tem cerca de 1,3 metro e 80 kg. Além de grande, também é agressivo. Foi essa característica de bicho arredio que o fez se espalhar dos países onde foi introduzido e entrar na lista de Fauna Exótica Invasora.

Segundo o Ibama, o javali-europeu entrou no Brasil pelas fronteiras com a Argentina e Uruguai, de onde escaparam dos criadouros que trouxeram a espécie da Europa ainda no começo do século XX. Não há estimativas oficiais sobre o total da população no Brasil, mas a presença de grupos de javalis foram registrados em pelo menos 10 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Bahia e Acre. Acredita-se que o número total pode chegar a 300 mil.

A Instrução Normativa Nº 3, de 31 de janeiro de 2013 revoga a norma anterior do próprio Ibama que proibia a caça dos javalis-europeus no país.

Na época, a proibição foi criticada, aqui em ((o))eco, por Maria Tereza Pádua, que chamou a norma de “peça legal que passará à história como uma das mais contraditórias e absurdas jamais escritas sobre o tema”. Afinal, mesmo sabendo que o javali é uma praga que coloca em risco o ecossistema local, sem predador local, o Ibama proibiu por quase 2 anos e meio a sua caça, uma das poucas formas de controle da população.

“O javali compete ferozmente por nichos com caititu e queixadas, espécies nativas do Brasil. Existem dezenas de documentos técnicos que apontam a extraordinária capacidade do javali de exterminar essas e muitas outras espécies competidoras, de interferir em processos da sucessão de regeneração de matas, de causar danos a diversos tipos de cultivos, de depredar ninhos e destruir tocas, de contaminar nascentes difusas em áreas de várzeas, etc. O bicho realmente é endiabrado, mas não é só destruindo culturas e fragmentos de ambientes nativos que prejudica aos nossos ecossistemas e à nossa produção agropecuária, tem-se que frisar ainda que o javali possa ser importante vetor da peste suína clássica e da peste africana”, escreveu Maria Tereza.

Armas de fogo estão liberadas

O Ibama liberou o abate com arma de fogo e armadilhas que mantêm o animal vivo. Uso de substâncias químicas, soltura de animais para rastreamento e outras práticas de manejo só serão permitidas mediante autorização do Ibama. Qualquer produto que afeta animais que não são alvos do controle populacional está vedado.

Todas as pessoas ou empresas que quiserem fazer o controle de javalis deverão estar inscritos no Cadastro Técnico Federal (CTF) de atividades potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos recursos ambientais do IBAMA.

A caça ao javali-europeu e ao seu miscigenado java-porco (javali miscigenados com o porco doméstico) pode acontecer em qualquer época do ano, sem limites de abate.

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