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Árvores amazônicas guardam registros do regime de chuvas

Novo método usa com mais precisão anéis de crescimento de árvores para revelar a evolução do clima e a dinâmica das chuvas na Amazônia.

Vandré Fonseca ·
11 de outubro de 2012 · 13 anos atrás

A análise de isótopos estáveis de oxigênio nos anéis de crescimento da Cedrela odorata oferece informações precisas para reconstituir o histórico das chuvas na região amazônica.
A análise de isótopos estáveis de oxigênio nos anéis de crescimento da Cedrela odorata oferece informações precisas para reconstituir o histórico das chuvas na região amazônica.

Manaus, AM – A análise de anéis de crescimento das árvores confirma o aumento das chuvas na Amazônica ao longo do Século XX. O método é novo e ajuda a cobrir uma lacuna de informações sobre a história climática da região, que têm levado modelos matemáticos a resultados contraditórios sobre os efeitos do aquecimento global.

“Com esse novo método, descobrimos uma ferramenta extremamente poderosa para olhar para o passado, o que permite conhecer melhor a magnitude da variabilidade natural do sistema climático”, afirma o pesquisador alemão Gerhard Helle, um dos responsáveis pelo estudo. “Nós ainda não sabemos se a região vai ficar mais seca ou úmida com o aquecimento global”.

Nessa microscópica seção de um pinheiro, com 50 mícron de espessura, os anéis de crescimento são visíveis. Clique para ampliar.
Nessa microscópica seção de um pinheiro, com 50 mícron de espessura, os anéis de crescimento são visíveis. Clique para ampliar.

De acordo com Helle, os dados obtidos em apenas 8 árvores surpreenderam provendo informações não só sobre as condições de chuvas locais, mas também de toda a região. Os pesquisadores analisaram os anéis de crescimento da Cedrela adorata, uma espécie encontrada na Bolívia e descobriram que eles preservam as composições da chuva na Amazônia. O método usa a variação dos isótopos de oxigênio, os quais são fortemente relacionados à quantidade de chuva sobre a região.

Com aproximadamente 150 anos de idade, as árvores usadas no estudo apresentaram evidências de eventos extremos durante o século 20, como o El Niño de 1926. A nova técnica mostrou ser mais precisa do que a medição do diâmetro dos anéis de crescimento, que indicam a quantidade de carbono absorvida pela árvore. “Ambos os métodos expressam uma intensificação do ciclo hidrológico”, analisa Gerd Hell. “Para ter certeza disso, temos de investigar mais profundamente outros locais na bacia amazônica “

A nova técnica foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento do Peru (IRD), Centro Alemão de Pesquisas de Geociências (GFZ), Universidade de Lees (Reino Unido) e Utrecht (Netherlands). O trabalho foi publicado na edição online da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Cientista coleta amostras de água em um lago.
Cientista coleta amostras de água em um lago.

De acordo com os pesquisadores, a medição dos isótopos de oxigênio dos anéis de crescimento das árvores também traz informações valiosas sobre a quantidade de chuva que é transportada pelo maior sistema de rios do mundo para o oceano Atlântico.
Cerca de um quinto de toda a precipitação sobre ilhas e continentes em todo o mundo acontece na Bacia Amazônica.

Artigo: Brienen, R.J.W., Helle, G., Pons, T.L., Guyot, J.L., Gloor, M. : “Oxygen isotopes in tree rings are a good proxy for Amazon precipitation and El Nino Southern Oscillation” (Isótopos de oxigênio dos anéis das árvores são uma boa variável proxy para a precipitação na Amazônia e a oscilação do El Niño do sul), Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America

 

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