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“A cada chuva forte ocorre um deslizamento de grandes proporções. Toda a vegetação e detritos vão parar no rio, represando suas águas até encher rapidamente e estourar, formando uma cabeça d’água – com vários metros de altura -, com um poder de destruição semelhante a um tsunami avassalador, que devasta as margens”
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Nos últimos anos, aumentou a pressão para destruir o que resta de mata ciliar preservada, sobretudo nas cabeceiras do rio Itajaí. Isto significa que as enchentes em Blumenau devem se tornar muito piores nos próximos anos.
As matas preservadas prestam um serviço ambiental de reter a água das chuvas e liberá-la aos poucos para os rios. Sem as matas, as águas das grandes enxurradas escoam instantaneamente para os rios provocando as enchentes. Com a devastação que está ocorrendo, a situação de quem vive em Blumenau e Itajaí fica a cada dia mais dramática.
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Estas poucas matas preservadas que restam e que lutamos para salvar também são castigadas toda a vez que chove muito. Sofrem os efeitos das degradações causadas no entorno, como a ocupação irregular das bordas dos penhascos, as chapadas. A cada chuva forte ocorre um deslizamento de grandes proporções. Toda a vegetação e detritos vão parar no rio, represando suas águas até encher rapidamente e estourar, formando uma cabeça d’água – com vários metros de altura -, com um poder de destruição semelhante a um tsunami avassalador, que devasta as margens, arrancado árvores centenárias e destruindo os barrancos.
Somente no entorno da RPPN Corredeiras do Rio Itajaí, a 140 km de Blumenau, com as chuvas intensas dos últimos anos já ocorreram sete deslizamentos de grandes extensões que represaram o rio do Couro, afluente do rio Itajaí do Norte, que atravessa a RPPN. Veja as imagens. É triste ver o cenário de destruição que a cabeça d’água provoca nas margens.
O futuro de Blumenau e Itajaí vai depender dos resultados de nossos esforços de salvar o que resta das matas que protegem as cabeceiras do rio Itajaí. A minha luta pessoal começou no início dos anos 70, quando era adolescente e tentava impedir o desmatamento das margens do Itajaí denunciando o desrespeito, inutilmente, às autoridades em Brasília.
Mas não desisti. Nos últimos anos, finalmente, começamos a virar o jogo em Itaiópolis e municípios vizinhos, quando as promotorias (Ministério Público) e Poder Judiciário das comarcas destes municípios começaram a exigir o cumprimento das leis ambientais. Só em Itaiópolis (SC), pelo menos 300 infratores foram multados e processados por crime de desmatamento, a maioria na bacia hidrográfica do rio Itajaí. Claro que o trabalho da fiscalização do IBAMA-SC e Polícia Ambiental de Santa Catarina foi também fundamental.
A pressão para destruir o que resta da mata ciliar do rio Itajaí é cada vez mais forte. A área a ser fiscalizada é extensa, o que urge um grande investimento do poder público em infraestrutura de pessoal e de equipamentos para os órgãos de fiscalização, como a Polícia Ambiental, consigam proteger às matas remanescentes do rio Itajaí. O que podemos garantir por enquanto são os 860 hectares que compramos e já transformamos quase integralmente em RPPN.
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