Notícias

Satélites ajudam a visualizar impactos da Ponte do Rio Negro

Dois anos depois de inaugurada, pontos de desmatamento se multiplicam em Iranduba, município ligado à Manaus por ponte que custou um bilhão.

Daniel Santini ·
19 de setembro de 2013 · 13 anos atrás

A Ponte do Rio Negro é tida como a maior ponte estaiada do Brasil. Com 3.595 metros, mais do que o dobro da maior ponte estaiada de São Paulo (1.600 metros), sua construção consumiu 20 mil toneladas de aço, mais de um milhão e meio de sacas de cimento, 47 mil metros cúbicos de base solo-areia-seixo e 72 mil toneladas de revestimento betuminoso. Trata-se de uma estrutura monstruosa que, segundo informe oficial divulgado pelo Governo do Amazonas na inauguração em 2011, custou R$ 1,099 bilhão – dos quais, R$ 513 milhões foram pagos pelo Governo do Amazonas e R$ 586 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Crédito: imagens Reprodução/Google Earth | atenção, em todas as imagens, para facilitar a visualização dos mapas, o sul está acima e não abaixo como de costume
Crédito: imagens Reprodução/Google Earth | atenção, em todas as imagens, para facilitar a visualização dos mapas, o sul está acima e não abaixo como de costume

 

Desde o início, o projeto foi criticado por ambientalistas, temerosos dos efeitos da conexão direta entre a capital Manaus e os municípios do outro lado da margem do Rio Negro. Muitos dos problemas previstos se concretizaram, conforme apresentado em detalhes reportagem de Marcio Isensse publicada em maio no ((o)) eco. O desmatamento é um deles.

Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Quer receber nossa newsletter?

Fique por dentro do que está acontecendo!



Praticamente dois anos depois da inauguração feita pela presidenta Dilma Rousseff (PT) e pelo governador Omar Aziz (PMN) é possível visualizar, com auxílio de satélites, a evolução da derrubada da mata no município de Iranduba (AM) – veja imagem ao lado -, do outro lado da margem do Rio Negro. A ponte foi aberta em 24 de outubro de 2011, aniversário de Manaus.

Hoje, com auxílio de uma ferramenta criada pelo Laboratório Virtual de Séries Temporais de Imagens de Sensoriamento Remoto, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), são visíveis as variações de vegetação em vários pontos do município, em especial aos conectados por estradas à estrutura viária criada. Na imagem abaixo, por exemplo, é possível observar a linha vermelha que indica a variação de vegetação em um dos pontos selecionados. Clique aqui para utilizar a ferramenta e consultar outros pontos (é preciso se registrar para acessar o sistema).

Mesmo sem a ferramenta, é possível ver como a mancha urbana de Manaus já começa a se espalhar em direção à outra margem, para onde a região metropolitana deve crescer com velocidade nas próximas décadas, conforme indicam as imagens abaixo. Justamente pelo crescimento desordenado e o desmatamento, não custa lembrar que a temperatura da capital subiu e surgiram ilhas de calor. O problema, ao que tudo indica, tende a se agravar. Agora também na outra margem do rio. 

Crédito: imagens Reprodução/Google Earth - atenção, em todas as imagens, para facilitar a visualização dos mapas, o sul está acima e não abaixo como de costume
Crédito: imagens Reprodução/Google Earth – atenção, em todas as imagens, para facilitar a visualização dos mapas, o sul está acima e não abaixo como de costume

 

 

Leia também
Uma ponte perto demais
O mundo é diferente da ponte pra cá
A maior ponte solar do mundo

 

 

 

  • Daniel Santini

    Responsável pela plataforma ((o)) eco Data. Especialista em jornalismo internacional, foi um dos organizadores da expedição c...

Se o que você acabou de ler foi útil para você, considere apoiar

Produzir jornalismo independente exige tempo, investigação e dedicação — e queremos que esse trabalho continue aberto e acessível para todo mundo.

Por isso criamos a Campanha de Membros: uma forma de leitores que acreditam no nosso trabalho ajudarem a sustentá-lo.

Seu apoio financia novas reportagens, fortalece nossa independência e permite que continuemos publicando informação de interesse público.

Escolha abaixo o valor do seu apoio e faça parte dessa iniciativa.

Leia também

Salada Verde
24 de abril de 2026

Clima avança no papel, mas estados falham na execução, aponta estudo

Anuário mostra que, apesar de progressos, desigualdades entre estados, gargalos institucionais e falta de adaptação ampliam riscos e prejuízos diante de eventos extremos

Notícias
24 de abril de 2026

Conferência sobre fim dos fósseis aposta em “coalizão de ação” fora da ONU

Fora do formato das COPs, encontro aposta em coalizão de países para avançar na implementação da agenda climática

Reportagens
24 de abril de 2026

Destinação inadequada de lixo freia meta de biometano prevista para 2026

Com 3 mil lixões ativos, Brasil desperdiça 28 milhões de toneladas de lixo por dia que poderiam virar biometano se fossem corretamente destinados

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.