A Ponte do Rio Negro é tida como a maior ponte estaiada do Brasil. Com 3.595 metros, mais do que o dobro da maior ponte estaiada de São Paulo (1.600 metros), sua construção consumiu 20 mil toneladas de aço, mais de um milhão e meio de sacas de cimento, 47 mil metros cúbicos de base solo-areia-seixo e 72 mil toneladas de revestimento betuminoso. Trata-se de uma estrutura monstruosa que, segundo informe oficial divulgado pelo Governo do Amazonas na inauguração em 2011, custou R$ 1,099 bilhão – dos quais, R$ 513 milhões foram pagos pelo Governo do Amazonas e R$ 586 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
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Desde o início, o projeto foi criticado por ambientalistas, temerosos dos efeitos da conexão direta entre a capital Manaus e os municípios do outro lado da margem do Rio Negro. Muitos dos problemas previstos se concretizaram, conforme apresentado em detalhes reportagem de Marcio Isensse publicada em maio no ((o)) eco. O desmatamento é um deles.
Praticamente dois anos depois da inauguração feita pela presidenta Dilma Rousseff (PT) e pelo governador Omar Aziz (PMN) é possível visualizar, com auxílio de satélites, a evolução da derrubada da mata no município de Iranduba (AM) – veja imagem ao lado -, do outro lado da margem do Rio Negro. A ponte foi aberta em 24 de outubro de 2011, aniversário de Manaus.
Hoje, com auxílio de uma ferramenta criada pelo Laboratório Virtual de Séries Temporais de Imagens de Sensoriamento Remoto, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), são visíveis as variações de vegetação em vários pontos do município, em especial aos conectados por estradas à estrutura viária criada. Na imagem abaixo, por exemplo, é possível observar a linha vermelha que indica a variação de vegetação em um dos pontos selecionados. Clique aqui para utilizar a ferramenta e consultar outros pontos (é preciso se registrar para acessar o sistema).
Mesmo sem a ferramenta, é possível ver como a mancha urbana de Manaus já começa a se espalhar em direção à outra margem, para onde a região metropolitana deve crescer com velocidade nas próximas décadas, conforme indicam as imagens abaixo. Justamente pelo crescimento desordenado e o desmatamento, não custa lembrar que a temperatura da capital subiu e surgiram ilhas de calor. O problema, ao que tudo indica, tende a se agravar. Agora também na outra margem do rio.
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