Análises

Jovens pesquisadores agitam a micologia

Com uma coleção de 6 mil espécimes de fungos e professores e alunos motivados, o Micolab, em Florianópolis, faz avançar esta área pouco conhecida

Ricardo Braga-Neto ·
25 de março de 2014 · 13 anos atrás
Alunos trabalham em amostras de fungos tropicais no Micolab, em Florianópolis. Fotos: Ricardo Braga Neto.

Entre mais de 40.000 exsicatas de plantas e algumas amostras de algas, encontram-se cerca de 6.000 espécimes de fungos, das mais variadas formas e cores, coletados dentro e fora do Brasil, na Mata Atlântica, na Amazônia, no Cerrado e na Caatinga. Estamos no herbário FLOR da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), um local com longa tradição em micologia no Brasil. Um olhar cuidadoso sobre o acervo revela uma ênfase sobre fungos decompositores da madeira, fruto do trabalho de Clarice Loguércio Leite, que durante anos pesquisou e lecionou micologia com foco nesse grupo de fungos. Ela se aposentou há alguns anos, mas a vaga foi logo ocupada por uma jovem micóloga, Maria Alice Neves, que veio da Universidade Federal da Paraíba. Pouco tempo depois surgiu a oportunidade para agregar outro jovem micólogo, Elisandro Ricardo Drechsler-Santos. Ambos têm agitado o laboratório de Micologia (Micolab) em Florianópolis.

Os fungos são organismos incríveis, fundamentais para a manutenção dos processos ecológicos em todos os ambientes terrestres, atuando como decompositores, simbiontes e parasitas. Eles compõem um reino à parte, assim como os animais e as plantas, mas ainda conhecemos muito pouco sobre a diversidade de fungos no Brasil. Entretanto, indícios parecem mostrar que a micologia passa por um momento de desenvolvimento no país. Um deles é o aumento no interesse dos alunos em micologia, como acontece no Micolab, que reúne estudantes de graduação e pós-graduação.

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Além das atividades usuais no meio acadêmico, os jovens micólogos estão promovendo atividades complementares, como cursos de campo, oficinas e atividades artesanais. Entre elas, a prospecção de pigmentos naturais vindos dos fungos para serem usados em camisetas.

Maria Alice Neves, micóloga da UFSC, participa da formação de dezenas de novos micólogos no Brasil.

Desde 2010, eles vêm organizando expedições anuais de coleta de fungos, conhecidas como Rick Foray, em homenagem ao Padre Johannes Rick, um austríaco que trabalhou um longo período no sul do país e é considerado por muitos o pai da micologia brasileira.

Todas as informações geradas pelo Micolab são depositadas no herbário de Florianópolis, que faz parte do INCT Herbário Virtual da Flora e dos Fungos, uma rede que integra herbários de plantas e fungos em todo o Brasil, fomenta a pesquisa, a formação de recursos humanos e a transferência de conhecimento para a sociedade. Hoje o herbário de Florianópolis disponibiliza cerca de 6.000 registros de espécimes de fungos online, e esse número só aumenta.

Os fungos são menos conhecidos do que plantas e animais, mas instalações como o Micolab, o engajamento de seus alunos e o compartilhamento aberto dos dados ajudarão a divulgar diversidade e distribuição das espécies de fungos que ocorrem no Brasil. Os fungos agradecem.

 

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  • Ricardo Braga-Neto

    Ricardo Braga-Neto é biólogo e especialista em ecologia de fungos da Amazônia. →

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