Nosso planeta visto de Saturno
Paulo André Vieira - 24/07/13

A sonda Cassini é a primeira sonda construída pelo homem a orbitar o planeta Saturno. Foi ela, por exemplo que permitiu a descoberta em 2008 de um lago de hidrocarbonetos líquidos em Titã, satélite natural daquele planeta. No dia 19 de julho de 2013 a sonda enviou de volta uma rara imagem.


(Foto: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute)

Esta imagem, feita a partir da combinação de imagens feitas com filtros de espectro vermelhos, verdes e azuis, não trouxe nenhuma descoberta fantástica ou avanço incrível da ciência, mas novamente nos faz refletir o quão frágil é nossa existência neste imenso universo.

Aquele pontinho mais brilhante, logo abaixo dos anéis, é o planeta Terra. Distante 1.44 bilhão de quilômetros, nossa casa está tão longe que apenas a presença de Saturno, bloqueando a luminosidade do Sol, permitiu que a sonda apontasse seus sensores em nossa direção. Foi também a primeira vez na história em que soubemos com antecedência que um retrato estaria sendo feito através de distâncias interplanetárias.

"Esta imagem feita pela Cassini nos lembra o quão pequeno a Terra é na vastidão do espaço", disse Linda Spilker, cientista do projeto Cassini, "e também demonstra a engenhosidade dos cidadãos deste minúsculo planeta para enviar uma nave robótica tão longe de casa para estudar Saturno e tirar nossa foto de lá."

A mesma reflexão já foi feita por Carl Sagan em seu livro "Palido Ponto Azul", onde descreve uma foto feita pela sonda Voyager no momento em que esta partia para a etapa interestelar de sua viagem sem volta, distante mais de 6 bilhões de quilômetros da Terra. Nas palavras de Sagan:

"A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que alberga a vida. Não há mais algum, pelo menos no próximo futuro, onde a nossa espécie puder emigrar. Visitar, pôde. Assentar-se, ainda não. Gostarmos ou não, por enquanto, a Terra é onde temos de ficar.

Tem-se falado da astronomia como uma experiência criadora de firmeza e humildade. Não há, talvez, melhor demonstração das tolas e vãs soberbas humanas do que esta distante imagem do nosso miúdo mundo. Para mim, acentua a nossa responsabilidade para nos portar mais amavelmente uns para com os outros, e para protegermos e acarinharmos o ponto azul pálido, o único lar que tenhamos conhecido."

 

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