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Sociedades científicas defendem Inpe em carta a Bolsonaro

Cientistas lançam carta aberta em defesa do monitoramento do desmatamento feito pelo Instituto Nacional de Estudos Espaciais (INPE), que realiza a tarefa desde os anos 80

Observatório do Clima ·
10 de julho de 2019 · 2 anos atrás
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Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Desmatamento em Rondônia visto pelo satélite Landsat. Imagem: Google Earth.

Sete sociedades científicas enviaram nesta quarta-feira (10) Bolsonaro defendendo o monitoramento de desmatamento feito pelo Instituto Nacional de Estudos Espaciais.

Os dados do Inpe, que vêm mostrando uma explosão nos alertas de desmatamento na Amazônia nos últimos dois meses, foram questionados nos últimos dias por figuras do primeiro escalão do governo federal.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM-MS), disse que há “problemas técnicos” nos dados, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, afirmou que o dado do Inpe é “manipulado”.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo-SP), vem questionando o Inpe desde o dia de sua nomeação, em novembro passado. Nos últimos oito meses, Salles já afirmou que os números do instituto federal não conseguem distinguir desmatamento legal do ilegal; depois, que eles não servem para orientar a fiscalização do Ibama; por fim, que eles não são capazes “de prevenir o desmatamento”. Salles não esconde a intenção de contratar um sistema novo junto a uma empresa privada.

“A questão fundamental”, diz a carta dos cientistas, “não está na produção de dados confiáveis sobre a geografia do desmatamento, mas sim na necessidade de órgãos do governo de manter um sistema de fiscalização ágil, intenso e contínuo”.

A missiva é assinada pelos presidentes da ABC (Academia Brasileira de Ciências), Luiz Davidovich, da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Ildeu Moreira, da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), do Confap (Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa), do Confies (Conselho Nacional de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica), do Conif (Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional) e da Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas.

O documento aponta que o Inpe monitora florestas desde 1988 e tem reconhecimento internacional por isso.

“Os sistemas de monitoramento diários de desmatamento e de detecção de queimadas (PRODES, DETER e QUEIMADAS) refletem o estado da arte mundial neste tema”, diz a carta.

“É fundamental que esses produtos, de importância estratégica para a implementação de políticas públicas no Brasil, sejam desenvolvidos e monitorados por órgãos confiáveis e isentos de influências ou interferências em seus resultados.”

“O general Heleno afirmou que os dados do Inpe são manipulados. Essa carta afirma a competência e a transparência do Inpe”, disse Davidovich ao OC.

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