Salada Verde

Rock in Rio fará queima de fogos em lagoa no Rio de Janeiro

Decisão preocupou biólogo defensor da Baía de Guanabara. Festival informa que a queima está dentro dos procedimentos legais e que não perturbará a fauna local

Sabrina Rodrigues ·
17 de agosto de 2017 · 4 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Vista aérea da poluição da Lagoa de Jacarepaguá, onde será realizada a queima de fogos do Rock in Rio. Foto: Diego Baravelli/wikimedia.
Vista aérea da poluição da Lagoa de Jacarepaguá, onde será realizada a queima de fogos do Rock in Rio. Foto: Diego Baravelli/wikimedia.

 

Há menos de um mês para o início do festival de música Rock in Rio, a realização de uma grande queima de fogos na lagoa de Jacarepaguá, um ambiente lagunar já muito degradado, gerou críticas nesta quinta-feira (17) de um dos biólogos mais barulhentos na defesa da baía de Guanabara, Mario Moscatelli.

Em sua página do facebook, o biólogo afirmou que a queima de mais de 4 toneladas de fogos na lagoa de Jacarepaguá, fato, segundo ele, jamais ocorrido, trará prejuízo para a fauna que ainda resiste no ambiente, apesar das constantes ameaças.

“Apesar do estado lastimável do sistema lagunar onde se inclui lagoa de Jacarepaguá, recebedora de enorme volume diário de lixo e esgoto, 365 dias por ano, esta lagoa ainda apresenta uma fauna que resiste à todo esse processo de degradação. Esta fauna é representada por capivaras, lontras, mãos peladas, gambás, jacarés, biguás, frangos d’água, socós, garças, maguaris, maria faceiras, colhereiros etc etc etc, sendo que todos esses animais, uns mais, outros menos, quando submetidos a fortes ruídos, apresentam intenso estresse que podem conduzi-los à óbito” afirma.

Procurada pelo ((o))eco, a assessoria de imprensa do Rock in Rio afirmou, em nota, que o processo de licenciamento dos fogos atende aos requisitos estabelecidos por cinco agências governamentais: Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC), Instituto Estadual do Ambiente (INEA), DEFAE (Policia Civil), Corpo de Bombeiros (DDGP) e Capitania dos Portos. E que todos os trâmites estão sendo seguidos para obtenção de todas as licenças nestes órgãos e que esses institutos realizam vistoria no local de realização do espetáculo.

Em relação aos danos que os ruídos dos fogos poderão acarretar à fauna, a empresa declara: “Cabe ainda ressaltar que os fogos que serão utilizados no festival possuem ruídos mínimos e que os resíduos sólidos (papel) são produtos orgânicos que se encontram em concentrações pequenas não prejudiciais ao ambiente e, principalmente não afetam a qualidade da água e nem causam prejuízo à fauna”.

A nota termina com a afirmação de que todos os dias, técnicos da empresa irão fazer a limpeza de resíduos sobre a Balsa, em torno da lagoa (raio de 300m) e na Cidade do Rock.

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 3

  1. leofotoartegmailcom diz:

    Cidadão agora tá preocupado com os fogos de artifício, só jesuis na causa!


  2. Andreia diz:

    Existe algum abaixo assinado na internet?


  3. Os agentes que podem interagir com um organismos são de três tipos: físicos, químicos e biológicos. Ao que parece as observações são todas de cunho físico (ondas sonoras) mas esqueceram de falar das toneladas de produtos químicos que vão ser espalhados na área, e não somente na lagoa. A floresta vai sofrer os impactos, bem como toda a população humana do entorno. Será que já fizeram uma análise química da água da lagoa e dos rios periféricos ANTES e DEPOIS dos fogos? Pelo que sei, explosivos – e outras drogas mais – possuem sais minerais em sua composição. Se fossem alguns quilos, acredito que o impacto seria mínimo, mas são TONELADAS! Ou será que esses sais vão ficar eternamente na atmosfera?