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Nove rinocerontes ameaçados de extinção morrem no Quênia

Os animais morreram por ingerir água salgada quando eram transferidos de dois parques nacionais para um santuário. Dos 11 animais realocados, apenas 3 passam bem

Sabrina Rodrigues ·
18 de julho de 2018 · 3 anos atrás
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Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Rinocerontes-negros estão criticamente em perigo. Havia cerca de 850 mil rinocerontes negros no século 20, um número que diminuiu para apenas 4.880 até 2010, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza. Foto: Jean/Flickr.

Uma missão destinada a salvar rinocerontes-negros (Diceros bicornis), animais que estão criticamente em risco de extinção, terminou em uma tragédia no Quênia, com a morte de nove Diceros bicornis, segundo informações do Ministério do Turismo, na última sexta-feira(13).

Dessa vez, o motivo do desastre não foi a caça, mas sim, a água salgada. Segundo informações do próprio Ministério do Turismo, os rinocerontes morreram após ingerirem água com alto teor de sal. Quanto mais água salgada os rinocerontes bebiam, mais sede sentiam.

Tudo aconteceu quando o Serviço de Vida Selvagem do Quênia planejava transferir 14 rinocerontes-negros de dois parques nacionais (oito do Parque Nacional de Nairóbi e seis do Parque Nacional de Nakuru) para o recém-criado santuário no Parque Nacional Tsavo East. Depois que 11 rinocerontes foram realocados, nove deles morreram. Ainda não se sabe quem foi o responsável pelo erro.

“Desastre completo”, afirma conservacionista

O ocorrido abalou os conservacionistas. Paula Kahumbu, chefe-executiva da WildlifeDirect, um grupo de conservação no Quênia, chamou o que aconteceu com os rinocerontes-negros de um “desastre completo”. Em sua página no Facebook, Paula escreveu: “Os quenianos precisam exigir uma explicação e total transparência, bem como garantias de que adotaremos as melhores práticas em translocação de vida selvagem para aprender com esse desastre e evitar que isso aconteça novamente.”

O Ministério do Turismo do Quênia afirmou que os três rinocerontes restantes estão sendo acompanhados de perto por equipes de veterinários e que estão bebendo água fresca em panelas. Enquanto isso, o órgão afirma estar aguardando o relatório completo do exame post-mortem e outras investigações forenses.

Mohamed Awer, CEO do WWF-Quênia, instituto que financiou o santuário Tsavo East, fez uma declaração oficial, em que afirma: “Estamos profundamente tristes ao saber da morte de um nono rinoceronte após a translocação para o Tsavo East National Park pelo Kenya Wildlife Service. O anúncio de hoje de uma avaliação independente urgente sobre as circunstâncias em torno da operação de translocação é um próximo passo crítico. A morte desses rinocerontes- negros é devastadora e é essencial estabelecer o que deu errado para evitar tais perdas no futuro. O WWF ofereceu seu apoio ao KWS na avaliação necessária.”

Rinocerontes-negros estão criticamente em perigo. Havia cerca de 850 mil rinocerontes negros no século 20, um número que diminuiu para apenas 4.880 até 2010, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza .

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 2

  1. Curioso diz:

    E agora, os ambientalistas vão pedir a cabeça de outros ambientalistas?


    1. Fernando diz:

      Que comentário infeliz! Não se trata em quem perseguir, não se trata em taxar alguém de "ambientalista" ou outra coisa. O fato é que quatro bilhões de anos de evolução não podem se perder por causa de chá de unha consumidos por chineses impotentes. Conservar nossa biodiversidade não deveria ser taxado disso ou daquilo, ou de uns contra os outros, é uma questão de inteligência.