Salada Verde

Mais de cem papagaios-de-cara-roxa nascem no Paraná

A maioria dos nascimentos aconteceu em ninhos artificiais instalados pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental e aliados.

Sabrina Rodrigues ·
18 de abril de 2017 · 4 anos atrás
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Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Biólogos do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa cadastram e monitoram os papagaios anualmente. Foto: Giovana Logulo.
Biólogos do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa cadastram e monitoram os papagaios anualmente. Foto: Giovana Logulo.

Os papagaios são as aves mais populares do Brasil e ao longo dos anos estão sofrendo com a diminuição da sua população. Os papagaios-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis), por sua vez, já estiveram na categoria “vulnerável” da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, e agora, depois de muitos esforços e trabalho para a conservação da espécie, estão na categoria “quase ameaçado”. E parece que esses esforços continuam apresentando resultados. Uma boa notícia vem da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS). O Papagaio-de-cara-roxa registrou um total de 116 novos nascimentos. Isso aconteceu entre setembro de 2016 a março de 2017.

O êxito reprodutivo, ou seja, o número de aves que se desenvolveram no ninho e conseguiram alçar voo, foi de 75 filhotes. Isso tudo graças aos ninhos artificiais instalados no litoral do Paraná pelos pesquisadores do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa, que monitora a população das aves desde 1998. Os trabalhos se deram em dois locais: no Paraná e em São Paulo. No primeiro estado, foram cadastrados 140 ninhos e monitorados anualmente. O trabalho contou com a ajuda de dois moradores da região. Já em São Paulo, a iniciativa teve o apoio da Fundação Grupo Boticário e da Fundação Loroparque, que contribuíram com uma busca incessante de ninhos ativos.

O papagaio de cara roxa é endêmico da Mata Atlântica e ocorre somente nos estados de São Paulo e Paraná. Em 1998, a ONG Sociedade de Pesquisa de Vida Selvagem (SPVS) começou as pesquisas e o monitoramento da ave. Em 2003, eles iniciaram a colocação de ninhos artificiais para facilitar a reprodução segura de filhotes. Os ninhos são feitos com madeira e PVC. “Os casais se adaptaram muito bem aos ninhos artificiais. Hoje temos quase 100% deles ocupados e estamos experimentando colocá-los também em São Paulo”, conta Sezerban.

Comunidade envolvida

Esse esforço é conjunto. Além da ONG e das instituições envolvidas, o projeto conta também com a ajuda preciosa da comunidade local. Atualmente, as ações atuam em seis municípios do litoral sul de São Paulo, com maior intensidade na Ilha Comprida, Cananéia, Iguape e Pariquera-Açu. “É surpreendente ver como a comunidade está envolvida. Alguns moradores mais antigos se dispõem a nos apresentar a região e nos auxiliam na localização e na proteção dos ninhos, o que está ajudando muito no trabalho em campo e na manutenção dos ninhos com filhotes registrados”, afirma Elenise Sipinski, coordenadora do projeto.

Ninhos artificiais. Foto: Arquivo SPVS
Ninhos artificiais. Foto: Arquivo SPVS

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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Comentários 1

  1. Edson Luiz Teixeira diz:

    Encontrei vocês, pesquisando sobre o Amazonas brasiliensis! Muito legal, parabéns pelo trabalho! Já assinei, obrigado

    Abraços
    Edson