Salada Verde

ICMBio não pode mudar os limites da Flona do Jamanxim sem estudos técnicos

Em sentença assinada na última quinta-feira (12), Justiça Federal determina o impedimento do órgão em alterar a unidade de conservação sem prévio embasamento

Sabrina Rodrigues ·
17 de julho de 2018 · 3 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Floresta Nacional do Jamanxim com gado no seu interior. Foto: Bernardo Camara.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) está impedido de mudar os limites da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, em Novo Progresso, no sudoeste do Pará, sem estudos técnicos. Essa é a determinação em sentença assinada pela juíza federal, Sandra Maria Correia da Silva, da 1ª Vara de Itaituba.

Em 2016, o Ministério Público Federal (MPF) encaminhou ação à Justiça Federal destacando que o ICMBio tinha um projeto para reduzir a área da flona dos atuais 1,3 milhão de hectares para menos da metade de sua área original.

Na sentença, a juíza deixa claro o dever de haver um estudo para qualquer alteração de limite na região: “Ante ao exposto, resta cristalina a necessidade de se adotar medidas preventivas e protetivas do meio, no sentido de determinar que o ICMBio, no exercício da gestão territorial das unidades de conservação, somente dê prosseguimento a propostas de alterações da FLONA Jamanxim alicerçadas em estudos técnicos, que correlacionem os três eixos (social, econômico e ambiental), indispensáveis à garantia dos objetivos de sua criação e da manutenção de sua integridade”, determina a magistrada.

Ainda segundo a sentença, os estudos técnicos devem adotar os seguintes critérios mínimos: a intensidade da ocupação humana, a capacidade em médio prazo de reversão do processo de desmatamento; a viabilidade ambiental, e os limites das regiões de desafetação. Além disso, a juíza determina que após os estudos técnicos, sejam realizadas audiências públicas nos núcleos urbanos circunvizinhos à flona, garantindo a transparência e a publicidade dos estudos, para que a proposta a ser apresentada pelo ICMBio possa aplacar o conflito fundiário na região.

A Justiça estabeleceu multa de R$ 1 mil por dia em caso de descumprimento do ICMBio.

Desde setembro de 2017, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 8107/2017, que altera os limites da Floresta Nacional do Jamanxim, mas está aguardando decisão do relator na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados (MESA).

*Com informações da Assessoria de Comunicação do Ministério Público Federal (MPF).

 

Saiba Mais

Sentença nº 0001990-15.2016.4.01.3908

 

Leia Também

Governo reduz Jamanxim em 57% para resolver caos fundiário

Sarney Filho resolve que destino de Jamanxim está nas mãos do ICMBio

Redução de Jamanxim beneficia grileiros recentes, diz estudo

 

 

  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

Leia também

Reportagens
20 de fevereiro de 2017

Redução de Jamanxim beneficia grileiros recentes, diz estudo

Nova análise feita pela ONG Imazon reforça acusações de que a redução da Floresta Nacional do Jamanxim premia e incentiva seus invasores

Reportagens
25 de junho de 2017

Sarney Filho resolve que destino de Jamanxim está nas mãos do ICMBio

Em coletiva ao lado de deputado ruralista, ministro disse que acatará decisão do órgão, mas diretor havia afirmado anteriormente que parecer seguiria o acordo que ministro fez para conseguir o veto

Notícias
22 de dezembro de 2016

Governo reduz Jamanxim em 57% para resolver caos fundiário

Floresta Nacional no Pará sofre pressão para ter seus limites desde que foi criada, há 10 anos. Redução favorece posseiros. ICMBio alega que conflitos diminuirão

Mais de ((o))eco

Deixe uma resposta

Comentários 3

  1. Roberval diz:

    Chicobio não pode limite de unidade. MPF sempre na vanguarda da legislação.


    1. Roberval diz: