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Florestas secundárias não suprem a função das que não foram desmatadas

Estudo demonstra que vegetação recuperada exerce papel ecológico vital, mas adverte que por serem desmatadas de novo, acabam não fornecendo ganhos duradouros para a conservação

Sabrina Rodrigues ·
25 de outubro de 2018 · 3 anos atrás
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Estudo demonstra a importância das florestas secundárias para a conservação, mas ainda assim adverte que proteger as florestas primárias deve ser uma prioridade. Foto: Rodrigo Soldon Souza/Flickr.

Mesmo levando quarenta anos para se recuperarem, as florestas secundárias –aquelas que crescem novamente em áreas antes desmatadas — continuam a ser espécies pobres em carbono, em comparação com as florestas primárias não perturbadas. Mas a vegetação recuperada ainda é de vital importância para a conservação da biodiversidade e armazenamento de carbono na Amazônia. São as conclusões do estudo Second rate or a second chance? Assessing biomass and biodiversity recovery in regenerating Amazonian forests publicado pela revista científica Global Change Biology.

O estudo é de uma equipe de cientistas da Europa, do Brasil e da Austrália, que mediu o carbono e pesquisou mais de 1.600 espécies de plantas, aves e besouros em 59 florestas secundárias em regeneração natural e 30 florestas primárias não perturbadas na Amazônia Oriental em duas regiões, o município de Santarém e Paragominas, ambas no estado do Pará.

Os autores afirmam que proteger as florestas primárias deve ser uma prioridade, pois elas contêm mais biodiversidade e carbono do que as florestas de regeneração relativamente maduras. Ao mesmo tempo, a pesquisa mostra que a recuperação de florestas secundárias também pode desempenhar um papel ecológico importante como o fornecimento de serviços ecossistêmicos de alto valor, sequestro de carbono, conservação do solo e a manutenção de sistemas hídricos.

“Descobrimos que o carbono e a biodiversidade das florestas secundárias tiveram recuperação de mais de 80% em relação aos níveis encontrados em florestas primárias intactas”, disse o principal autor do estudo, Gareth Lennox, da Universidade de Lancaster, no Reino Unido.

A pesquisa adverte que apesar do potencial significado ecológico e socioeconômico das florestas secundárias, elas são frequentemente desmatadas de novo e, portanto, acabam por não fornecer quaisquer ganhos duradouros para a conservação. O professor Jos Barlow, coautor do estudo da Universidade de Lancaster explicou essa problemática: “Na

Amazônia brasileira, o tempo médio para que as florestas secundárias sejam novamente desmatadas é de apenas cinco anos. Além disso, nos trópicos, os regimes de manejo das florestas secundárias são cercados de incertezas legais, tomadas de decisões inconsistentes e subestimação crônica desses importantes ecossistemas”. “Para as florestas secundárias alcançarem o potencial sócio‑ecológico que desvendamos sobre elas, onde os locais estão em regeneração por até 40 anos, elas precisam ser incorporadas como elementos‑chave do gerenciamento da paisagem e do planejamento de conservação”, continua o professor.

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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