Salada Verde

Desmatamento no Cerrado segue estável em 2019

Dados do Prodes informa que a derrubada no bioma em 2019 foi 2% menor que no ano anterior, mas número ainda preocupa

Sabrina Rodrigues ·
16 de dezembro de 2019 · 2 anos atrás
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Cerrado destruído. Foto: Ricardo R. Maia/Ibama.

O desmatamento no Cerrado, no período de agosto de 2018 a julho de 2019, segue estável. Segundo dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento (Prodes) do Cerrado, divulgados nesta segunda-feira (16), o desmate no bioma durante esse tempo foi de 6.484 quilômetros quadrados, o equivalente a uma área maior do que o Distrito Federal. 

Com relação ao mesmo período do ano anterior, que totalizaram 6.634 km², a área de vegetação nativa suprimida no cerrado foi 2,26% menor este ano. Entre os estados que mais desmataram cerrado estão: Tocantins com 1.495,69 km² de vegetação nativa suprimida, seguido pelo Maranhão (1.309,50 km²) e Mato Grosso (931,07 km²).

 

 

O Cerrado requer cuidado

Os números do desmatamento no bioma ainda despertam preocupação. Segundo a ONG WWF-Brasil, a área suprimida é como se uma cidade de Londres fosse derrubada a cada três meses. 

“O Cerrado vive uma tragédia silenciosa, pois continua a ser destruído por falta de políticas responsáveis. O Código Florestal, por exemplo, mesmo que estivesse de fato sendo implementado (o que não é a realidade), protege pouco ao bioma – entre 20 e 35%”, declara Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil.

Para Voivodic, o governo federal dá sinais ambíguos aos produtores, oferecendo por um lado, crédito subsidiado para a recuperação de pastagens e intensificação agrícola, ao mesmo tempo que edita uma Medida Provisória que legaliza invasões de terras públicas ocorridas até o ano passado (2018) incentivando que a fronteira agrícola siga se expandindo sobre vegetação nativa indefinidamente e de forma ilegal (em terras não tituladas).

“Precisamos urgentemente acabar com essa ambiguidade e dar um sinal claro de que não vamos destruir a fonte de riqueza da sociedade e dos povos e comunidades tradicionais, que não colocaremos em risco sua biodiversidade única e que não comprometeremos o berço das águas que abastecem torneiras, irrigam lavouras e movimentam turbinas hidrelétricas em benefício de nossa economia e de milhões de brasileiros, da cidade ao campo”, afirma Voivodic.

 

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  • Sabrina Rodrigues

    Repórter especializada na cobertura diária de política ambiental. Escreveu para o site ((o)) eco de 2015 a 2020.

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