Salada Verde

Bolsonaro reclama que Estações Ecológicas atrapalham o turismo

Presidente voltou a falar mal da Esec de Tamoios e choramingou sobre outras unidades de conservação da mesma categoria em São Paulo e Bahia não permitem a instalação de um hotelzinho 

Duda Menegassi ·
30 de julho de 2020
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente
Queria um hotel aqui – Bolsonaro na Serra da Capivara. Foto: Alan Santos/PR.

Após ser multado por pescar em área proibida (Tamoios), transformar Angra dos Reis em uma nova Cancún parece ser o grande projeto pessoal de Bolsonaro na Presidência da República. Em sua live nesta quinta-feira (30), o presidente reforçou o grande potencial turístico da região do litoral do Rio de Janeiro e voltou a falar do objetivo de flexibilizar a Estação Ecológica de Tamoios, unidade de conservação de proteção integral criada em 1990 no quintal do presidente – que tem uma casa em Angra. Para isso, a recategorização (ou extinção) teria que ser aprovada no Parlamento, como Projeto de Lei. E revogar o decreto de 1980 que determina que todas as usinas nucleares deverão ser localizadas em áreas próximas de estações ecológicas, motivo pela qual Tamoios foi demarcada. Por enquanto, apenas um projeto que transforma toda bacia de Angra dos Reis em área de relevante interesse turístico tramita no Senado – projeto de lei apresentado por Flávio Bolsonaro. Talvez até o fim da tramitação, o senador descubra que sua proposta não revoga a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação e nem a Constituição Nacional e que Tamoios continuará lá, sem permitir a instalação de um hotelzinho. Para acabar com Tamoios, só se for por um projeto de lei ordinário, passado pelas duas casas legislativas, mas isso fica entre a gente.

Voltando. Bolsonaro citou o status de proteção integral como um dos “problemas” de Angra dos Reis, junto com os radares de velocidade na estrada. “É uma coisa fantástica Angra dos Reis, mas tem um problema (…) foi demarcado como Estação Ecológica de Tamoios. São 29 acidentes geográficos que num raio de 1 km não pode ter qualquer atividade humana. Se estiver morrendo afogado não vá para ilha, vá para o alto-mar, porque se for para ilha vão arrebentar contigo. Não pode nada lá”, reclamou. A Estação Ecológica ocupa apenas 6% de toda bacia de Angra dos Reis, que tem mais de 300 ilhas.

“O que nós pretendemos depende do parlamento, isso pode ser feito em vários locais do Brasil. Seria um Projeto de Lei considerando aquilo área de interesse turístico, para que a iniciativa privada – Eu tenho uma oferta de 1 bilhão de dólares fora do Brasil para investir ali. Custo zero para gente. Desde que a gente consiga revogar o decreto que demarcou Estação Ecológica de Tamoios. E o turismo ali vai bombar”, prometeu.

“Atualmente ninguém pode fazer nada, mas o pessoal vai lá. Isso vai acabar, porque a responsabilidade de manter o ecossistema naquela região toda vai ser da empresa que vai explorar, por exemplo, o hotel na Ilha do Sandri, e assim nas outras ilhas”. Sobre a unidade de conservação, Bolsonaro acrescentou: “É um projeto malfeito, a toque de caixa, reservando uma área enorme como Estação Ecológica e isso tem que ser revisto. Não é para agredir o meio ambiente. Que é na costa toda. Na Bahia, lá na Juréia [Estação Ecológica de Juréia-Itatins, de competência estadual], na região de Iguape. Não pode continuar assim porque não preserva nada, nós estamos perdendo muito recurso de turismo”, concluiu.

Durante toda sua live, Bolsonaro não mencionou uma única vez o Parque Nacional da Serra da Capivara, que visitou nesta quinta em sua ida ao Piauí. Talvez não tenha se impressionado porque lá não dá para andar de jet ski (Duda Menegassi).

 

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  • Duda Menegassi

    Duda Menegassi

    Jornalista ambiental especializada em unidades de conservação e montanhismo. Escreve para ((o))eco desde 2012. Autora do livr...

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