Manejo da reserva Central Suriname finalmente vai começar

Rachael van der Kooye
sexta-feira, 1 fevereiro 2013 2:00

Depois de uma disputa de 15 anos entre o governo do Suriname e a ONG Conservação Internacional (CI), finalmente será implementado o plano de manejo da reserva Central Suriname (Central Suriname Nature Reserve). A cooperação entre os dois lados foi bem-sucedida em 1998, quando a reserva foi criada. Entretanto, deteriorou-se, quando a Conservation International tentou impor-se na gerência do local, ao mesmo tempo em que o governo não queria ceder seu controle.

A disputa emperrou a cooperação no desenvolvimento e execução do plano de manejo, escrito em 2003 e que duraria até 2008. “Mas agora o acordo será retomado e o plano atualizado. “Queremos organizar um bom acordo, porque a reserva Central Suriname é um patrimônio da humanidade”, diz Hesdey Esajas, chefe da Divisão de Conservação da Natureza do Serviço Florestal do Suriname. Ele recebe apoio da Fundação Suriname Conservation (Suriname Conservation Foundation), um fundo ambiental dedicado a sustentabilidade, que trata da proteção da biodiversidade, cujos recursos vieram de doadores internacionais.

A ameaça dos garimpeiros

Como parte das ações foi escrito um plano de negócios, o qual, de acordo com Esajas, será discutido com os povos locais. Entre eles, estão os Matawai, que vivem dentro da reserva em 20 aldeias distantes, nas margens do rio Saramacca, nas chamadas regiões Alta e Baixa. Eles estão cansados de esperar pelo governo. Querem explorar o ecoturismo em seus arredores e também na reserva e, por isso, rejeitam a mineração de ouro na região superior do Saramacca. Os Matawai dizem que tanto suas terras quanto as da reserva estão ameaçadas por garimpeiros.

“Com frequência, as autoridades da vila são abordadas por garimpeiros de ouro que querem explorar a área, mas até agora as autoridades da aldeia recusaram, porque querem manter a área limpa, além da mineração de ouro trazer malária”, diz Ronald Black, presidente da Fundação de Desenvolvimento Aldeia Matawai, um guarda-chuva para 7 aldeias Matawai.

“Nós não queremos que o governo distribua concessões de ouro na parte alta do rio Saramacca, da aldeia Nyan Basi Gado até a queda d’água Lwai, no final do rio. Desejamos que esta área se mantenha livre de garimpeiros. Desejamos desenvolver atividades de ecoturismo para esta geração e as futuras”, diz Black.

Ele defende a construção de alojamentos ecológicos com energia solar e oferta de atividades de ecoturismo como nadar nas corredeiras ou caminhadas pela floresta até a área de Tafelberg, que tem formações de pedra únicas no Suriname.

No entanto, as comunidades locais não têm autorização para explorar atividades na reserva Central Suriname sem a permissão do Serviço Florestal. “Se as comunidades locais nos procurarem, vamos conversar e negociar com elas. O plano de negócios regulará tais assuntos. Estamos trabalhando com um consultor para concluir este plano o mais rápido possível“, diz Esajas. A consulta às comunidades da reserva está prevista para início de 2013.

Reserva Central Suriname

Mapa da região. Clique para ampliar.
Mapa da região. Clique para ampliar.

A reserva Central Suriname foi criada julho de 1998 e dois anos depois, em 2000, passou a ser considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO. Ela cobre quase 10% do país – e representa 80% de toda a área protegida do país -, protegendo florestas tropicais em regiões de montanha e planície. É uma das maiores áreas de proteção na América do Sul, situado inteiramente dentro do Guiana Shield (ou Escudo da Guiana) uma formação de rocha cristalina Pré-Cambriana, com 2 bilhões de anos de idade, que compreende a parte nordeste da bacia do Amazonas e se estende pela Venezuela e Brasil, entre o rio Orinoco e baixo Amazonas.

O Suriname é lar para mais 180 espécies de mamíferos, 650 espécies de aves, 152 espécies de répteis, 95 espécies de anfíbios e 790 espécies de peixes. Na reserva Suriname Central, essa diversidade pode ser protegida.

Rachael van der Kooye é jornalista freelancer no Suriname. Nos últimos quinze anos ela se especializou na área ambiental e questões de desenvolvimento, contribuindo para uma maior conscientização entre o público surinamês, razão pela qual foi diversas vezes premiada. Agora ela é palestrante no departamento de jornalismo da Academia de Artes Superiores e Educação Cultural.

 

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