No mar, petróleo versus conservação

Thiago Camara*
quarta-feira, 8 dezembro 2010 17:51
Lula mostra petróleo extraído da camada pré-sal em 2010. Segundo Greenpeace, áreas de exploração estão em zonas prioritárias de conservação. Foto: Agência Brasil.

O Greenpeace Brasil lançou em São Paulo, na terça-feira, 7 de dezembro, o Atlas “Mar, Petróleo e Biodiversidade – A geografia do conflito” (clique para baixar). O conflito no título é o próprio avanço na direção de exploração excessiva de recursos no mar. Cruzando dados dos Ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia, a ONG revelou que em 2007, cerca de 44% da extensão total da zona marinha do Brasil é área prioritária para a conservação da biodiversidade, mas só 2,57% dessas áreas já foram transformadas em unidades de conservação federal. Por outro lado, a exploração e a produção de gás e óleo foi presenteada, até agora, com 8,77% de áreas que deveriam ser transformadas em áreas marinhas protegidas.

“O Greenpeace está propondo que sejam criadas 30% de áreas protegidas marinhas, na nossa região costeira, dentro da nossa Zona Econômica Exclusiva, para garantir que a natureza, os recursos vivos marinhos, tenham espaço e tempo para se recuperar dos impactos a que eles já estão sendo submetidos. E que seja feito um ordenamento territorial marinho para que a riqueza possa ser explorada de uma forma sustentável”, explica Leandra Gonçalves, uma das autoras do Atlas do Greenpeace.

O anúncio da descoberta das reservas do pré-sal é preocupante, diz ela. “Porque considerar a atividade econômica da exploração de um combustível fóssil “uma dádiva divina”?, como disse nossa presidente eleita Dilma Roussef. Muitos países se desenvolveram com base nessa energia suja e hoje estão tendo que propor metas avançadas para a redução das suas emissões de CO2. O Brasil tem um potencial de, neste momento, dar um salto tecnológico e migrar para uma matriz energética mais limpa e renovável”, critica a coordenadora da Campanha de Oceanos do Greenpeace Brasil.

As regiões litorâneas são apresentadas em sua biodiversidade e ameaças que comprometem a vida marinha brasileira, como concessões estaduais das águas, obras de infra-estrutura e ainda uma indústria pesqueira ainda tímida. A linguagem é fácil e acessível, mas a ambição da ONG pode encontrar resistências no ano que virá. “Temos planos de utilizar esse material, que tem uma linguagem pouco técnica, para levar essas informações às ruas. Nosso desejo é que haja de fato uma mobilização da sociedade demandando dos nossos órgãos governamentais uma nova forma de desenvolvimento. Queremos ainda marcar uma série de reuniões que serão agendadas para 2011. Para que os atores envolvidos no ordenamento territorial marinho possam sentar-se a mesma mesa para discutir de que forma a gente propõe e compatibiliza o desenvolvimento econômico com a conservação da biodiversidade”, revela Leandra Gonçalves.

Dados do Atlas por regiões do país (Fonte: Greenpeace)

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