Uma em cada oito espécie de aves conhecidas corre risco de extinção

terça-feira, 24 abril 2018 20:28
O charmoso e ameaçado grou-coroado-oriental (Balearica regulorum). Foto: Fabíola Ortiz

Em todo o mundo, 1.469 espécies de aves estão ameaçadas de extinção, segundo o relatório “State of the World’s Birds”, divulgado esta semana pela BirdLife Internacional. Este número representa 13% do total de 10.966 espécies reconhecidas internacionalmente. O relatório afirma também que a principal ameaça às aves é o avanço da agropecuária.

Atividades como a produção de grãos e derrubada de florestas para abertura de pastos afetam de forma significativamente a existência de mais 74% (1091) do total de espécies de aves ameaçadas globalmente, segundo o relatório. A extração de madeira e espécies invasivas, principalmente em ilhas, estão na sequência de maiores ameaças à diversidade de aves no mundo.

O relatório indica também que 40% das espécies de pássaros em nível global (3,967) passam por um declínio populacional. Desde 1500, já foram extintas 183 espécies de aves em todo o planeta, segundo o relatório. Só neste século, três espécies já desapareceram da natureza:  a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), o corvo-do-havaí (Corvus hawaiiensis), e o po’ouli (Melamprosops phaeosoma).

O Brasil continua a ser o país o maior do número de aves ameaçadas de extinção.  São 169 espécies que correm correndo o risco de serem extintas, 22 delas em perigo crítico ou que já desapareceram de ambientes naturais. No relatório são citadas espécies como a ararinha-azul, extinta na natureza, e a saíra-apunhalada, redescoberta no final da década de 1990, no Espírito Santo.

O criticamente ameaçado limpa-folha do nordeste (Philydor novaesi). Foto: Ciro Albano.

Com base na lista taxonômica internacional, o país tem a terceira maior diversidade de aves do mundo, com 1.811 espécies. Mas se for considerada a lista brasileira, o Brasil sobe uma posição, com 1.919 espécies, ficando atrás apenas da Colômbia, o primeiro no ranking mundial. Mas o número de espécies não é o motivo principal de o país se destacar negativamente em espécies ameaçadas. O problema é a destruição de habitats endêmicos.

A situação mais grave é na Mata Atlântica, especialmente no chamado Centro de Endemismo de Pernambuco, que inclui também os estados de Alagoas e Paraíba, de acordo com o biólogo Pedro Develey, diretor executivo da Save Brasil, que integra a BirdLife Internacional. “Sobraram apenas 2% da Mata Atlântica do Nordeste, onde está o maior número de espécies ameaçadas no país e onde foram registradas as últimas extinções”, afirma Develey.

De acordo com o biólogo, na Mata Atlântica são reconhecidas 891 diferentes espécies de aves, sendo que 76 delas estão ameaçadas, ou seja, praticamente metade das espécies brasileiras que correm risco de extinção. Ele lembra que em 2014, o Ministério do Meio Ambiente reconheceu a extinção de três espécies, todas do Nordeste, embora a BirdLife as considere ainda criticamente ameaçada: corujinha caburé-de-pernambuco (Glaucidium mooreorum), gritador-do-nordeste (Cichlocolaptes mazarbarnetti) e o limpa-folha do nordeste (Philydor novaesi).

 

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